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domingo, 12 julho, 2026

"A Cooperativa sempre esteve à frente de seu tempo"

O presidente da Cooperativa Agropecuária Vale do Rio Doce, João Marques, concedeu entrevista ao diretor do Jornal da Cidade, Bruno Argolo, contando um pouco da história da instituição que preside, e abordando o trabalho de sua diretoria para a transformação desta que é uma das maiores empresas do leste de Minas
João Marques, presidente da Cooperativa Agropecuária Vale do Rio Doce. Foto: Marcelo Galhardo

Jornal da Cidade - Presidente, a Cooperativa nasceu em 1959 do sonho de 187 produtores que queriam transformar o campo em força social e econômica. Olhando para toda essa trajetória de modernização — desde a substituição das carrocinhas pelo leite empacotado até os dias de hoje —, como o senhor avalia a capacidade da instituição de se reinventar sem perder a sua essência?"

João Marques - O grande passo foi a união dos fundadores. Para formar uma cooperativa é necessário ter mínimo 20 produtores rurais, pessoas capazes de organizar a cadeia produtiva do leite aqui na região. Então, o grande marco do cooperativismo nasce daí, do interesse de ter um produto de qualidade, inspecionado, isso lá na fundação da cooperativa. Naquela época, isso era muito à frente do tempo, que resultou na belíssima história, que hoje passa em nossas mentes, aquelas carrocinhas que passavam na frente das nossas casas, diariamente, e depois, a evolução aí pro leite “barriga mole”, aquele que vem na sacolinha, e que evoluiu para o leite do UHT, que foi a grande transformação da Cooperativa. Então, cada passo dado pela cooperativa foram passos firmes, pensados, estruturantes, que deram origem à essa grande Cooperativa que a gente tem hoje. Eu digo que a Cooperativa sempre esteve à frente do seu tempo. Foi a pioneira do processo de industrialização do leite, foi pioneira ao agregar outras cooperativas. Foram cinco cooperativas que se uniram no eixo Rio-Bahia de empresas de cooperativas, para promover esse desenvolvimento, e hoje se tornou mais conhecida no Brasil e no mundo, por meio do processo de exportação.

Jornal da Cidade - A sua gestão é descrita como um momento de união entre responsabilidade, inovação e coragem. Poderia detalhar o impacto de decisões recentes e estratégicas, como o arrendamento do Parque Industrial e a aquisição da área do Bairro Capim, para a saúde financeira e o futuro da Cooperativa?

João Marques - Desde o ano passado nós iniciamos uma modernização do parque industrial arrendado e tivemos a oportunidade de´melhorar a capacidade na linha de derivados, como mussarela, queijos diversos, requeijão cremoso, manteiga. Então, nós demos uma modernizada total, ampliamos, aliás, triplicamos a capacidade de processamento desses produtos. Na linha de saborizados, nós investimos totalmente na capacidade processar, de elaborar o produto, e aí, já instalamos mais uma máquina. Hoje nós temos três linhas de envase funcionando permanente a todo vapor, fato alavancou o volume produzido, para gente possa atender os nossos consumidores e em toda a linha na parte final da linha. Nós robotizamos toda a linha pra formar os paletes, tudo modernizado com robôs ultramodernos, trazendo aí uma eficiência na produção maior capacidade produção e eficiência na produção

Jornal da Cidade - Além de presidir a Cooperativa, o senhor também está à frente do Consórcio Central Grupo Cooperativo e integra o Conselho da Fecoagro-MG. De que forma essa atuação em importantes cadeiras institucionais ajuda a fortalecer a voz do produtor do Vale do Rio Doce no cenário estadual?

João Marques - A Cooperativa, ao longo da sua história, teve os seus diretores participando ativamente das decisões do cooperativismo estadual e federal, e nós continuamos com esse mesmo pensamento. Logo que assumi a presidência da Cooperativa foi convidado a colocar meu nome à disposição para assumir a presidência do G100 que é uma instituição super importante que temos lá em Brasília, que cuida todas as questões legais, marcos regulatórios, todas as questões de legislação, as leis que tramitam no Congresso Nacional. Trabalhamos muito pela reforma tributária.
Além disso, colocamos o nosso nome para assumir a presidência da CCGC, Consórcio Central Grupo Cooperativo, um consórcio que tem atuado para fortalecer as cooperativas, com uma central de compras muito estruturada, que dá lastro para cooperativas, com mais capacidade de comprar, levando para o produtor produtos de qualidade com preços menores. Também criamos a Federação das Cooperativas Agropecuárias no estado de Minas Gerais, da qual hoje eu faço parte do Conselho, trabalhando estrategicamente a questão da cadeia produtiva. Temos muitos problemas na cadeia produtiva total, desde O produtor até chegar ao consumidor, e todos esses assuntos são abordados por nós, em lutas importantes como uma questão do leite. Estamos conseguindo conquistas importantes, que já reverberaram.
Nosso pensamento está sempre atuante porque o produtor trabalha da porteira pra dentro e a cooperativa processa o leite. Nós temos a missão outorgadA por nossos cooperados de buscar melhorias, amenizar e criar oportunidade em legislações através das associações, para que possa melhorar a vida do produtor rural. Isso nós temos feito.

Jornal da Cidade - Para encerrar, costuma-se dizer que a tradição da Cooperativa serve para criar raízes que sustentam 'novos voos'. Quais são os próximos grandes objetivos da sua gestão para garantir que o Vale do Rio Doce tenha um futuro ainda mais promissor no agronegócio.

João Marques - Quando a gente fala de futuro, a gente fala de pessoas. A cooperativa é uma sociedade de pessoas. Foi assim que elaboramos o projeto de transferência de embriões, que hoje já tem 14.000 bezerros. Foi justamente semeando a semente do futuro que pensamos a parceria com o SEBRAE, no projeto Educampo. Nós pensamos no futuro porque nós pensamos de levar assistência técnica gerencial para as pessoas, gerenciamento da propriedade. O ATIG, que já é um projeto também do sistema FAEMG SENAR. Também nessa parceria, foi pensando no futuro, através da moeda da tecnologia e do conhecimento. Então, nosso objetivo é preparar pessoas para que elas possam gerir bem as suas propriedades. Nós estamos falando do nosso produtor e também dos nossos colaboradores. A capacidade de treinar, de capacitar para que eles possam produzir mais, utilizando as ferramentas tecnológicas disponíveis. Preparar o futuro é celebrar parcerias, como fizemos com o Sicoob Crediriodoce, universidades, centros de pesquisas. Queremos dizer é que quando a gente cumpre o papel, deixamos um legado de futuro legado de pessoas que vão juntas de mãos dadas, capacitadas, preparadas, conquistar espaços melhores, com mais rentabilidade

Jornal da Cidade - Apresentar um novo produto com a marca Ibituruna em uma feira da magnitude da 55ª Expoagro demonstra força e capacidade de investimento. De que maneira essa expansão para o mercado de cafés reflete o atual momento de inovação da Cooperativa e como isso fortalece a economia da nossa bacia leiteira.

João Marques O momento é muito importante pra cooperativa. No ano passado através do nosso Sindicato Rural de Valadares, implantamos um um projeto piloto de plantio de café em 52 municípios. Avaliamos os princípios e valores de um bom parceiro que uma cooperativa ética, séria, que guarda os valores, é importante para gente possa produzir um produto de qualidade. Depois pensamos que a cooperativa tinha, como sempre fez à frente do tempo, navegar à frente do tempo e mostrar pro produtor que nós estamos capacitados para se ele entender que deve. Com esse novo produto a gente vai simbolizar aquele que é o símbolo do Brasil,o café com leite.

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