As dez histórias selecionadas pelo Curta Vitória a Minas III para serem transformadas em filme entraram na etapa de montagem e finalização.
Uma delas inspirou a ficção “Os Amigos da Água”, do estudante de Fisioterapia Pedro Vinícius Siqueira Batista, morador de Governador Valadares (MG).
O filme quer mostrar como a solidão, o distanciamento e a indiferença marcam as relações humanas na contemporaneidade.
Ao mesmo tempo, como a compaixão e a solidariedade podem ser um caminho de reconexão e transformação pessoal e social.
O Curta Vitória a Minas é patrocinado pelo Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com a realização do Instituto Marlin Azul, Ministério da Cultura/Governo Federal.
O objetivo é possibilitar aos moradores das cidades que se desenvolveram ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas a oportunidade de contar histórias e transformar em filme, registrando as memórias, os costumes, os hábitos, as lendas e as peculiaridades destas localidades, contribuindo para o fortalecimento territorial e comunitário.
Que história é essa?
A ficção “Os Amigos da Água” aborda conflitos entre dois vizinhos para penetrar na essência das relações. Cada um vive o isolamento da própria rotina simples preenchida por pequenas tarefas. De um lado, uma idosa, viúva, religiosa e dedicada ao bordado. Do outro lado, um idoso doente e apaixonado por sambas antigos. Quando a vida de um começa a invadir o espaço do outro, a divergência se aprofunda e pode se agravar depois que começa a faltar água.
Foi durante o aprendizado na área das ciências da saúde que o estudante de Fisioterapia observou como a segregação nas relações afeta ainda mais os idosos que, além dos problemas físicos, enfrentam a solidão, o abandono e o preconceito.
“Eu vi que o idoso poderia trabalhar esta história no filme de uma forma mais profunda. Para o idoso, essa segregação o atinge em dobro, ele sofre em dobro, porque, às vezes, não trabalha mais, não tem mais um ambiente para se socializar”, reflete o diretor. Através do curta-metragem, o estudante quer despertar a reflexão das pessoas para o que o acontece com outro ao lado.
“A gravação foi uma experiência incrível! É muito diferente ver aquilo que você escreveu dentro de uma câmera. Faz a gente ver o cinema de uma forma diferente. Os atores são muito joviais e carismáticos e interpretaram muito bem os personagens. A equipe foi maravilhosa, todos os profissionais que trabalharam são bem capacitados e foram muito atenciosos. E uma das coisas mais interessantes: a gente escreve pensando em gravar, grava pensando em montar. E quando formos montar, vamos pensar na exibição. A equipe ajudou muito a conseguir colocar na câmera e no som tudo o que pensamos, o nosso objetivo com o filme”, destaca Pedro Vinícius.
As filmagens do curta-metragem na cidade foram feitas em julho deste ano. Pedro iniciou nesta semana a etapa de edição da obra com a orientação da cineasta e montadora Luelane Corrêa. O cronograma de montagem das dez obras continuará até final de outubro. A terceira edição do Curta Vitória a Minas reúne histórias vindas de Ibiraçu e Colatina, no Espírito Santo, e de Conselheiro Pena, Governador Valadares, Belo Oriente, Ipatinga, Coronel Fabriciano, Nova Era e João Monlevade, em Minas Gerais.
Nesta terceira edição, outra história de Governador Valadares selecionada para virar filme foi a ficção “A Velha do Rio”, do mestre de obras Levi Braga de Souza. Na primeira edição do Curta Vitória a Minas, o juiz Everton Villaron de Souza, também morador da cidade, gravou a história “Contos Ferroviários”.
Conheça as etapas do Curta Vitória a Minas III
Após terem histórias selecionadas através de um concurso, as autoras e autores se reuniram de 13 a 28 de abril, em Guarapari (ES), para uma imersão audiovisual com aulas expositivas e práticas, exercícios de sensibilização do olhar e da escuta, experimentações de um set de filmagem e trocas de vivências.
Os participantes estudaram com profissionais do cinema e da TV noções básicas sobre roteiro, direção, produção, direção de fotografia, som, direção de arte, montagem, finalização, cinema de grupo, mobilização comunitária e direitos autorais.
Ao final do curso, eles retornaram para suas cidades de origem com o roteiro, o plano de produção e o plano de filmagem em mãos para organizar a pré-produção das filmagens, mobilizar outros moradores para atividades técnicas e artísticas, escolher locações, preparar figurinos, buscar objetos de cena, organizar os personagens. Na etapa seguinte, profissionais da fotografia, de som e produção se juntaram aos autores (as) e às equipes locais para gravação das histórias nas cidades. O cronograma de filmagens das dez obras foi realizado no período de junho a agosto de 2024.
Depois da edição e finalização, os filmes serão lançados em telonas de cinema montadas em ruas e praças durante sessões gratuitas nas cidades envolvidas. Esta é a terceira edição do projeto que produziu 15 filmes na primeira edição, lançada em 2014, e 10 obras, na segunda edição, lançada em 2022.



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