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sexta-feira, 31 outubro, 2025

A trajetória do Dr. Ary Constante Soares - um homem do Direito e da Ética

Edmundo Alvarenga conversa com Ary Marcos, filho do grande Dr. Ary Constante Soares, advogado que marcou época em GV
Dr. Ary Constante retratado por Edmundo Alvarenga

Antes de começar esta entrevista, quero registrar meu agradecimento ao Ary Filho, pela gentileza e pela presteza em me enviar a biografia do seu pai, Dr. Ary Constante Soares, homem de trajetória admirável e de grandes serviços prestados à advocacia e à educação em nossa região.

Aproveito também para agradecer ao próprio Ary Filho, músico/baixista talentoso, pelo showzaço que ele apresentou ontem juntamente com a Banda Nowhere no Teatro Atiaia, tocando só clássicos dos Beatles. Foi uma noite inesquecível. Obrigado, Ary!

Entrevista com Ary Filho

Edmundo: Ary, em primeiro lugar, muito obrigado por me conceder esta entrevista.  Para começar, conte pra gente um pouco sobre quem foi Ary Constante Soares, de onde ele veio e como começou sua trajetória.

Ary Filho: Meu pai, Ary Constante Soares, era filho de Constante Soares e Sizínia dos Reis Soares. Ele foi o décimo dos treze filhos do casal. Nasceu em São Sebastião do Maranhão, em Minas Gerais, no dia 27 de março de 1928, mas ainda pequeno, com apenas três anos, passou a viver em Peçanha, onde cresceu e viveu boa parte da infância e juventude.

Edmundo: E quanto à família dele, Ary, fale um pouco sobre sua mãe e seus irmãos.

Ary Filho: Ele foi casado com Maria do Amparo Andrade Soares, minha mãe. Juntos tiveram quatro filhos: Nívio, Newton, Maria Aparecida e eu, Ary Marcos. O Nívio e o Newton moram em Palmas, Tocantins - o Nívio é assessor do Tribunal de Justiça e o Newton é empresário da construção civil. A Maria Aparecida é professora do Município e socióloga, e eu sigo a advocacia, como meu pai.

Edmundo: Ele teve uma formação sólida, não é? Como foi o caminho acadêmico do seu pai?

Ary Filho: Sim, ele sempre valorizou muito o estudo. Fez o primário e o ginasial em Peçanha, iniciou o científico em Juiz de Fora e o concluiu no Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte. Formou-se em Direito pela UFMG em 1953.

Edmundo: E a carreira profissional dele foi extensa. Onde começou a advogar?

Ary Filho: Ele começou a advogar em Santa Maria do Suaçuí, logo no início de 1954, onde ficou até o final de 1960. Depois se mudou para Governador Valadares, onde exerceu a advocacia ininterruptamente por 62 anos.

Edmundo: Além da advocacia, ele também foi professor, certo?

Ary Filho: Sim. Meu pai foi professor da Faculdade de Direito do Vale do Rio Doce [FADIVALE] desde a fundação da instituição. Lecionou Direito Comercial e Ética Profissional.

Edmundo: Ele também teve uma vida pública bastante atuante. Pode contar um pouco dessas funções?

Ary Filho: Claro. Ele foi professor e diretor do Ginásio de Santa Maria do Suaçuí, de 1955 a 1960. Em Governador Valadares, serviu na administração de Joaquim Pedro Nascimento, como Chefe da Fazenda, Chefe de Gabinete e Diretor da Biblioteca Pública Municipal.

Também foi Procurador-Geral do Município na gestão Ruy Moreira de Carvalho, e mais tarde consultor jurídico da Procuradoria na administração de João Domingos Fassarela.

Edmundo: Ele também teve envolvimento com instituições como a OAB e clubes de serviço, não é?

Ary Filho: Sim. Foi membro e presidente do Lions Clube-Sul, trabalhou como advogado na CTGV e na Telemig, onde se aposentou.

Na OAB/MG, teve uma atuação destacada: foi membro efetivo do Tribunal de Ética e Disciplina, presidiu a 3ª Turma Julgadora, e há mais de 24 anos integrava órgãos da OAB em nível estadual.

Ele também presidiu a 43ª Subseção da OAB/MG, em Governador Valadares, no biênio 1983/1984.

Edmundo: Impressionante. E ele foi amplamente reconhecido por esse trabalho, certo?

Ary Filho: Sim. Ele recebeu várias homenagens e títulos, como o de Cidadão Honorário de Governador Valadares, concedido pela Câmara Municipal em 12 de dezembro de 2001.

Foi agraciado duas vezes pelo Clube dos Advogados de Minas Gerais, em 1989 e 1996, e homenageado pela OAB/MG no XIV Congresso de Araxá, em 2011, como um dos 14 advogados mineiros mais atuantes.

Também recebeu o diploma da medalha Desembargador Hélio Costa, concedido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em 2003.

Edmundo: E como você resumiria o legado do seu pai, Ary?

Ary Filho: Meu pai foi um homem íntegro, dedicado ao Direito, à educação e à família. Participou de dezenas de cursos, seminários e conferências por todo o Brasil. Acima de tudo, deixou um exemplo de ética, retidão e amor à profissão. Seu nome continua sendo uma referência em Governador Valadares e em toda a região.

Edmundo: Muito bonito, Ary. Que bom poder registrar essa história. Agradeço de coração por compartilhar conosco essa trajetória tão rica.

Ary Filho: Eu que agradeço, Edmundo. É uma alegria ver a memória do meu pai sendo lembrada com tanto carinho.

- Edmundo Alvarenga

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