por Marcius Túlio
Triste sina de um povo que foi acostumado a conviver com o caos generalizado desde seu nascimento.
Sua evolução tende, naturalmente a estagnar-se e converter-se em involução, onde toda sua cognição é capciosamente dirigida e monitorada de forma rigidamente deturpada, destoante do bom senso ou até mesmo da razão.
Orquestrado por uma consciência coletiva pautada na esculhambação, dissimulada pelos eternos “jeitinhos” e no “leve vantagem você também”, ao se tornar uma nação, esse povo, tem em seus, valores uma estrutura frágil, perfeitamente administrada politicamente, erguendo-se assim , um Estado deficitário sob o ponto de vista moral.
A avassaladora cultura que enaltece os “espertos”, que despreza e ridiculariza a boa fé, produz um efeito pernicioso e contagioso que compromete a evolução natural destinada a toda a humanidade, falseando a honestidade, ignorando a civilidade e despedaçando a moral.
Conviver com uma fonte inesgotável de escândalos criminosos de toda ordem, em todos os cenários possíveis, com protagonismo tácito ou participação direta do Estado e “dar de ombros” se tornou algo natural, sendo assimilada com robustez e direciona inexoravelmente uma nação à contramão do progresso, enquanto civilização.
Não é crível a qualquer pessoa minimamente consciente de sua cidadania, que convivamos com escândalos, desmandos, injustiças, abusos de toda ordem e permaneçamos impassíveis, esperando a Copa do Mundo para nos alentar enquanto caminhamos a passos firmes para o cadafalso da indiferença ou para o abatedouro da nossa própria reputação nacional.
Um povo extorquido pelo poder que lhe pertence originariamente, na verdade um público, que assiste complacentemente a manobras que permitem a prosperidade dos canalhas, não tem identidade, nem soberania, nem moral, nem legitimidade.
Enaltecer e glorificar seus próprios carrascos não atenua sua pena eterna, apenas prorroga a crueldade, estendendo-a aos seus filhos e netos, necrosando assim todas as gerações futuras categórica e implacavelmente.
Desfilar na contramão de direção pode até ser tentador, inovador ou progressista, como queiram, mas a natureza não pode ser dobrada a bel prazer, não enquanto os valores humanos se pautarem no respeito e na liberdade.
O poder não é conferido para hostilizar os semelhantes em proveito escuso, o poder deriva da vida e a vida é o bem mais precioso dos humanos, seja individualmente seja coletivo, como uma nação.
A dependência institucional e umbilical e a desarmonia entre os poderes constituídos, notadamente ante os desafios que a moralidade exige é a marca de um país derrotado ética e moralmente, a palavra de ordem é cada um por si e Deus por todos, os efeitos devastadores da explosão da bomba moral, econômica, jurídica e institucional serão sentidos de imediato, com sequelas quase irreversíveis.
É inegável, por fim, que a passividade brasileira diante dos absurdos patrocinados por uma elite sem limite moral, convenientemente blindada pelos pacíficos, mas delirantes alaridos de democracia nos relegarão ao ostracismo e aos porões da subserviência mórbida.
A onda de normalidade difundida pelos frios e dissimulados discursos e pela cumplicidade de uma mídia carcomida pelos velhos costumes que priorizam a eterna troca de favores, será apenas uma marola quando a tsunami vier e todos, sem exceção, estaremos no mesmo barco, se houver barco.
Paz e Luz.
Marcius Túlio é Coronel da Polícia Militar de Minas Gerais e colunista do Jornal da Cidade GV





