Bruna Alexandre faz estreia em Paris 2024 e história no esporte olímpico do Brasil: “Lembrar disso todos os dias”

Atleta de Santa Catarina se tornou a primeira atleta paralímpica a ser convocada para uma edição de Jogos

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A atleta de 29 anos, natural de Criciúma, Santa Catarina, já conquistou quatro medalhas paralímpicas

Com informações do site oficial do Comitê Olímpico Brasileiro

Não foi como ela esperava, mas Bruna Alexandre fez história no esporte olímpico nesta segunda-feira, 05.

Ao entrar na mesa número 2 da Arena Paris Sud 4 ao lado de Giulia Takahashi para o duelo contra a dupla da Coreia da Sul na disputa por equipes dos Jogos Olímpicos, a mesa-tenista se tornou a primeira brasileira a disputar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

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Elas acabaram superadas por 3 a 0 (6/11, 5/11, 8/11). Bruna ainda teve a chance de disputar uma partida de simples, contra Eunhye Lee, mas também não conseguiu a vitória: 3 x 0 (8/11, 5/11, 6/11).

O resultado foi o que menos importou nessa noite mágica, em que pode ouvir os torcedores gritando seu nome nas arquibancadas.

“Foi uma noite muito especial. Vou lembrar disso todos os dias, é realmente inesquecível. Olha essa atmosfera, vou gravar um vídeo e ficar vendo sempre. Quero agradecer a todos os franceses pela torcida aqui para mim”, disse Bruna.

Com o jogo de hoje, Bruna repete o feito de duas atletas que são suas inspirações: a pioneira Natalia Partyka, da Polônia, que esteve nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Pequim 2008; e a australiana Melissa Tapper, que conseguiu o feito na Rio 2016, Tóquio 2020 e, novamente em Paris. Inspirar é o que Bruna também deseja fazer.

“Acho que é muito importante não só pensar no esporte, mas também na inclusão, no meu país e no mundo também, mostrando que tudo é possível, independentemente se você tem só um braço ou só uma perna”, contou.

A atleta de 29 anos, natural de Criciúma, Santa Catarina, já conquistou quatro medalhas paralímpicas: o bronze no Rio 2016 e a prata em Tóquio 2020 na categoria individual da classe 10 e dois bronzes por equipes nas mesmas edições. O objetivo é buscar o ouro na edição paralímpica, o que seria algo inédito para o tênis de mesa do Brasil. A experiência nos Jogos Olímpicos pode ajudar.

“Agora eu tenho o sonho de conquistar a medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos. Tem muita diferença técnica do Olímpico para o Paralímpico e estar aqui vai me ajudar muito para o Paralímpico. Eu aprendi muito aqui e vou usar isso”, analisou.

Quem é Bruna Alexandre, mesa-tenista olímpica e paralímpica do Brasil?

Bruna Alexandre teve o braço direito amputado por causa de uma trombose devido a uma injeção mal aplicada com apenas seis meses de idade. O fato não impediu Bruna de praticar diferentes modalidades, como skate, futsal e, claro, o tênis de mesa. Nessa última, ela compete contra pessoas com os dois braços desde os sete anos.

A primeira convocação para uma seleção brasileira, a infantil, veio em 2006, antes mesmo dela conhecer a versão paralímpica da modalidade. Só aos 13 de idade é que ela começaria jogar com outros atletas com deficiência.

No caminho olímpico, foi bicampeã brasileira, contribuiu com a classificação da equipe aos Jogos Olímpicos Paris 2024 com a prata no Pan-Americano da modalidade (inclusive com uma vitória decisiva sobre Porto Rico) e garantiu o bronze nos Jogos Pan-Americanos 2023. Ela está entre as melhores do Brasil no olímpico e, também, no paralímpico. Em 2023, Bruna foi eleita a melhor atleta paralímpica de 2023.

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