Detectar o câncer de intestino antes que ele emita qualquer sinal de alerta. Esse é o objetivo da sexta edição da campanha Março Azul, que em 2026 tem como tema a “Jornada da Vida”. A proposta da mobilização nacional é ampliar a detecção precoce da doença, já que ela é a segunda mais comum no Brasil, atrás apenas dos cânceres de mama e de próstata, quando excluído o câncer de pele não melanoma. O público-alvo da campanha são homens e mulheres com idades entre 45 e 70 anos.
Realizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia e Endoscopia Digestiva (SOBED), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), a campanha chama a atenção para o papel decisivo do diagnóstico precoce do câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal.
As ações para despertar a atenção e conscientizar a população sobre este tipo de tumor, ocorreram em todo território nacional, reforçando a recomendação de exames para a detecção precoce do câncer de intestino a partir dos 45 anos, conforme protocolo da American Cancer Society.
Em Governador Valadares, para encerrar as atividades, médicos e profissionais do setor de saúde e pacientes oncológicos, se uniram para realizar neste domingo (29.03), na Ilha dos Araújos, a Caminhada Março Azul. A iniciativa tem a finalidade de alertar sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da doença, cujo desenvolvimento está diretamente ligado ao estilo de vida.
Caminhada
Participam da caminhada cerca de 250 pessoas, todas vestidas com a blusa da campanha. A concentração será às 8h00, na Praça Caparaó (Lourdinas). A saída dos participantes será às 9h, com percurso de 2km pela avenida Rio Doce, até chegar na Praça Júlio Soares. A caminhada é aberta ao público e qualquer pessoa pode participar.
A gastroenterologista e especialista em endoscopia, Sarah Miranda, que está à frente da ação em Governador Valadares, destaca que a informação é o primeiro passo para evitar o câncer colorretal. “A conscientização é o modo mais eficaz para prevenir os casos graves da doença. Esse tipo de tumor é o segundo mais frequente no mundo. Apesar de ser uma doença com alto índice de mortalidade, é possível preveni-la com hábitos saudáveis e exames periódicos”, disse.
A médica ressalta que esta ação toda comunidade pode participar. “É uma corrente de mobilização em prol da saúde, qualidade de vida e bem-estar, e, principalmente, alertar a população sobre a importância da descoberta do tumor no estágio inicial. Convidamos a todos para vestir uma camisa azul e vir caminhar conosco”, ressaltou Sarah Dias.
Essa é a 2ª edição da Caminhada Março Azul que acontece na cidade. A ação conta com o apoio de vários parceiros, entre eles, a Endoscopia Digestiva e Cirurgia Plástica – Endocip, o Núcleo de Especialistas em Oncologia – NEO, o Centro de Oncologia - Oncoleste, os laboratórios Examinare, Alvarenga e Carlos Chagas, Curar Brasil, BH Endoscopy, Seu Bet, Scherr, Univale, Big Mais, Unicred e classe médica da cidade, que se uniram para essa grande mobilização em prol da saúde.
Sinais de alerta do câncer de Intestino
O câncer de intestino, também chamado de colorretal e colón, pode se desenvolver a partir de pólipos que, se não detectados a tempo, podem evoluir para um tumor maligno. Apesar de silencioso na fase inicial, o câncer emite alguns sinais de alerta, sendo os mais comuns: presença de sangue nas fezes (às vezes só detectável através do exame), mudança no hábito intestinal como diarreia ou prisão de ventre por várias semanas, dor abdominal frequente, sensação de intestino que não esvazia completamente, perda de peso sem causa aparente e fraqueza ou anemia.
Entre os principais fatores de risco da doença estão a alimentação pobre em fibras e rica em ultraprocessados, sedentarismo, obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool e histórico familiar da doença.
Diagnóstico
Segundo a oncologista clínica do NEO, Renata Brandão, esse tipo de tumor há prevenção, é tratável e tem cura, se descoberto no estágio inicial. O diagnóstico do câncer de intestino é feito, a partir de uma suspeita clínica ou do rastreamento em pessoas com casos na família. Entre as principais estratégias para a detecção precoce do câncer colorretal está o teste FIT, realizado por meio de um exame de fezes.
“O exame é capaz de identificar a presença de sangue oculto, geralmente imperceptível a olho nu, um dos sinais iniciais mais comuns da doença. Em caso de resultado positivo, o paciente é encaminhado para a realização da colonoscopia, exame principal para detecção do tumor.
A oncologista informou que mais de 90% dos casos têm possibilidade de cura se diagnosticados cedo, mais de 75% dos pacientes que desenvolve a doença iniciam o tratamento com o câncer avançado ou com metástase. O tratamento é individualizado e inclui cirurgia, quimioterapia, radioterapia e, em alguns casos, terapia-alvo e imunoterapia.
Prevenção começa antes dos 45 anos
A detecção precoce tem como alvo pessoas acima de 45 anos, em especial se tem histórico da doença na família, uma vez que aumenta as chances de diagnóstico da doença. A redução da idade de 50 para 45 anos ocorreu no ano passado após a organização da Campanha Março Azul adotar os mesmos critérios de rastreios de sociedades internacionais, como a American Cancer Society, que perceberam o aumento da doença em pessoas mais jovens.





