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domingo, 16 novembro, 2025

Carta do Amor de Ontem para o Amor de Hoje

Leia a coluna desta semana de Gilmar Oliveira
Amor ao próximo. Foto: Reprodução da Internet

por Gilmar Oliveira

Se o apóstolo Paulo vivesse hoje, talvez não escrevesse em pergaminhos, mas em posts, podcasts ou cartas abertas. Sua voz ecoaria não apenas em sinagogas, mas também em auditórios, redes sociais e nas ruas de Governador Valadares. E, ainda que os tempos tenham mudado, sua mensagem permaneceria a mesma: “O amor é o caminho mais excelente.” (1 Coríntios 12:31)

Vivemos em tempos acelerados. As palavras são muitas, mas o silêncio é raro. O toque é digital, mas o afeto verdadeiro está cada vez mais escasso. O amor, esse dom eterno, parece ter sido substituído por conexões frágeis e vínculos descartáveis.

Em uma era em que tudo é urgente, superficial e centrado no “eu”, encontramos no amor um antídoto: por sua forma de se movimentar, por sua capacidade de nos tirar da superficialidade e por sua manifestação na vida do outro.

É justamente nesse cenário que a antiga carta aos Coríntios ganha nova vida, nova urgência, nova voz.

Trazendo o texto ao nosso contexto, esta poderia ser a versão atual da carta paulina — uma que transforma a mente, a vida e a sociedade:

“Ainda que alguém fale todas as línguas humanas, digitais, artificiais, se eu não tiver amor, será apenas mais um ruído entre milhões de notificações; ainda que domine os algoritmos, compreenda os mistérios da ciência, tenha fé para mover montanhas e seguidores suficientes para lotar estádios, se eu não tiver amor, nada serei; ainda que eu venha a doar tudo aos pobres, compartilhar causas nobres, publicar gestos de bondade, se não for por amor, nada disso terá valor algum.”

O amor não se exibe em stories, nem em reels. Não se irrita com comentários, tampouco diante da injustiça. Não cancela, não bloqueia, não desfaz, não guarda rancor, mesmo quando ferido.

O amor é paciente com quem pensa diferente e quando tudo convida à pressa. É bondoso com quem erra. É firme com quem fere, mas sempre busca restaurar — mesmo quando o mundo se torna indiferente.

Em tempos de inteligência artificial, hiperconexão e polarização, o amor é prática espiritual. É entrega radical. É o que nos faz humanos em meio à desumanização que se apresenta pela manifestação livre de nossa sociedade, na qual cada um age de acordo com suas próprias convicções e percepções de mundo, pouco importando o ponto de vista do semelhante.

O amor não se impõe, oferece-se. Não se prova por argumentos, mas por presença. Não se define por palavras, mas por gestos.

O amor não é apenas arte, como ensinou Erich Fromm. Nem apenas política, como propôs Bell Hooks. Nem líquido, como pesquisou Zygmunt Bauman.

O amor é muito mais do que isso: “É a própria faceta de Deus sendo manifesta em todas as coisas, por meio de pessoas que exalam e transmitem a presença divina em forma humana.”

Talvez você discorde deste texto. Talvez o considere bonito, mas impraticável. Talvez o amor, para você, seja apenas uma lembrança, uma ferida, uma música, uma poesia, uma pessoa, uma cura, ou apenas uma utopia.

Por isso, encerro esta carta com perguntas — não com respostas:

• Que tipo de amor tem lhe sustentado?

• Que tipo de amor você tem oferecido?

• Que tipo de amor pode transformar nossa sociedade?

Se quiser, responda.

Se quiser, conteste.

Mas, acima de tudo — ame.

Ame com amor ágape,

o amor que ecoa a eternidade,

que dá sentido à sua jornada,

que enxerga o outro como extensão de si,

o mesmo amor com que Cristo nos amou.

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor......o maior destes é o amor.” (1 Coríntios 13:13

Referências

BÍBLIA. Bíblia Sagrada. 1 Coríntios 13; Gálatas 5:22; Romanos 12:2; Efésios 5:1–2.

FROMM, Erich. A arte de amar. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.

BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.

HOOKS, bell. Tudo sobre o amor: novas perspectivas. São Paulo: Rosa dos Tempos, 2021.

Sobre o autor

Gilmar de Oliveira é Advogado, pós-graduado em Direito Público, em Direito Tributário em Direito Cível e Empresarial, possui MBA em Gestão Estratégica de Cooperativas e Especialista em Liderança Cooperativista. É Membro efetivo do Conselho Fiscal da Fundação Percival Farqhuar - entidade Mantenedora da UNIVALE, Membro do Conselho de Administração da Cooperativa Sicoob Crediriodoce – mandato 2024/2028, Presidente da Comissão de Direito Cooperativo da 43ª.Subseção de Governador Valadares-MG – mandato 2025/2027 e funcionário de carreira da Cooperativa Agropecuária Vale do Rio Doce Ltda, ocupando atualmente o cargo de Diretor Institucional. 

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