O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade em todo o mundo. A cada ano, 13,7 milhões de pessoas tem um AVC no mundo, 5,5 milhões morrem e, atualmente, existem 80 milhões de sobreviventes de AVC. Com medidas de prevenção adequadas, 90% dos casos podem ser evitados. Um em cada quatro de nós terá um AVC ao longo da vida. A doença pode acontecer com qualquer pessoa, em qualquer idade, a qualquer hora e em qualquer lugar. Tempo é fundamental no reconhecimento dos sinais de alerta do AVC para que o paciente possa ter acesso a um rápido tratamento de urgência em centro especializado, o que diminui as chances de sequelas e o risco de morte.
Conhecido popularmente como “derrame”, o AVC caracteriza-se pelo surgimento de um déficit neurológico súbito causado por um problema nos vasos sanguíneos do sistema nervoso central. Há dois tipos de AVC, o isquêmico e o hemorrágico.
No AVC isquêmico há uma obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria cerebral, geralmente por um coágulo, causando falta de circulação no seu território vascular e morte do tecido cerebral. Já o AVC hemorrágico consiste na ruptura espontânea (não traumática) de um vaso, com extravasamento de sangue para o interior do cérebro (hemorragia intracerebral), para o sistema ventricular (hemorragia intraventricular) e/ou espaço subaracnóideo (hemorragia subaracnóidea).
A suspeita de AVC se dá com o início súbito de qualquer um dos sintomas abaixo:
Fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo;
Confusão, alteração da fala ou compreensão;
Alteração na visão (em um ou ambos os olhos);
Alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar;
Dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.
Dentre os fatores de risco para a ocorrência do AVC, destacam-se a hipertensão arterial, diabetes, sedentarismo, tabagismo, doenças do coração (como arritmia cardíaca), alterações do colesterol, maus hábitos alimentares, obesidade e o stress.
O AVC pode ser evitado. A Sociedade brasileira de AVC definiu os seis passos para reduzir o risco de AVC:
1.Conheça os seus próprios fatores de risco: pressão alta, diabetes, colesterol alto e arritmia cardíaca, e os trate adequadamente;
2.Seja ativo e faça atividade física regularmente;
3.Mantenha uma dieta saudável rica em frutas e vegetais e com pouco sal, para se manter saudável e com pressão sanguínea baixa;
4.Limite o consumo de álcool;
5.Evite o hábito de fumar. Se você é fumante, procure ajuda para tratamento do vício;
6.Aprenda a reconhecer os sinais de alerta do AVC e procure imediatamente o centro de referência para o tratamento do AVC da sua cidade.
A partir do início dos sintomas, o tempo para tratar o AVC é limitado. Tempo perdido é cérebro perdido. A cada 1 minuto que se passa após o AVC, morrem quase 2 milhões de neurônios. Se suspeitar que você ou alguém próximo está tendo um AVC, imediatamente: ligue para um serviço médico de emergência (192 SAMU) e vá para um hospital preparado para atender casos de AVC. Mesmo que os sintomas desapareçam em poucos minutos, NÃO ESPERE, pois pode ser a última oportunidade para evitar um AVC potencialmente fatal. Cuidados hospitalares, medicações, procedimentos e reabilitação são tratamentos importantes após o AVC.
Pessoas com AVC têm maior probabilidade de sobreviver e obter melhores resultados funcionais se forem admitidas em unidades de AVC, formadas por médicos, enfermeiras e vários tipos de terapeutas experientes.
No Hospital Municipal de Governador Valadares funciona atualmente a primeira e única unidade de AVC do leste de Minas Gerais. Formado por uma equipe multiprofissional (neurologia, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, odontologia e nutrição) visa assistir o paciente de forma rápida, integral e humana.
Reconhecer prontamente uma suspeita de AVC e buscar o atendimento médico de urgência salva neurônios e vidas.
Sobre o autor
Mateus Nader Cunha é Médico Neurologista CRM:57826-RQE:39127. Contato: +55 33 8863-8798





