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A triste sina de uma nação sem representatividade autêntica

Leia a coluna desta semana de Marcius Túlio
Brasil. Foto: Reprodução da Internet
domingo, 10 agosto, 2025

por Marcius Túlio

O sistema eleitoral adotado no Brasil, especialmente para a Câmara Federal e para as Assembleias Legislativas, o proporcional, onde os encastelados partidos políticos se “auto preservam”, garantindo que seus interesses predominem e estejam eternamente seguros, estigmatiza a fragilidade e a hipocrisia ocorrentes entre o povo e seus representantes legais.

A partir do momento em que o voto não é suficiente para definir a composição daquelas Casas, a população se torna refém das artimanhas dos partidos e de suas lideranças.

Sem o poder direto na escolha de seus representantes, bem como sem a necessidade de qualificação dos pretensos candidatos, somados ao engodo da “Ficha Limpa”, as Casas Legislativas seguem compostas por integrantes credenciados pelo sistema escolhido pelos Constituintes de 88, ainda ressentidos do Regime Militar.

Posteriormente eternizados no cargo, por sucessivos mandatos, os parlamentares e seus respectivos herdeiros políticos, em seu labor, se expõem a situações “pouco ortodoxas” e acabam por se comprometerem politicamente no jogo do poder, praticamente inviabilizando uma relação honesta e sincera com a população que devia representar, acima de tudo.

Com essa relação desgastada e estremecida, outra alternativa não há senão lutar com armas “não convencionais” para manter seu status e, assim, proteger seus interesses, salvaguardados os interesses partidários, acima de tudo.

Trata-se de uma postura natural, de sobrevivência, ideologizada pelo sistema vigente, a bipolaridade ideológica, por sua vez, pauta as diretrizes convenientes, alternando eventualmente o foco, conforme a condição de situação ou oposição.

De certo mesmo que a população, a verdadeira “dona” dos mandatos, se torna mera expectadora de boa fé.

Movidos pelos interesses partidários e pela sobrevivência política, os personagens se curvam ao escuso poder das negociatas que caracterizam as legislaturas nacionais, relegando sistematicamente a vontade da maioria, como convém a uma democracia.

Acéfala, sem liderança autêntica e sem representatividade digna, uma nação padece no deserto dos desmandos, das arbitrariedades, da insegurança e do “Cada Um Por Si e Deus Por Todos”, inexoravelmente direcionada ao abismo ou ao abandono.

Historicamente, esse viés constitucional forma elementos que propiciam um ambiente de credibilidade nebulosa, cujos efeitos são radicalmente nocivos ao desenvolvimento cognitivo da população e, talvez propositadamente, ao perfeito adestramento de uma nação.

Inobstante os hercúleos focos de resistência a esse “estado de coisas” o sistema parece com ele conviver de forma resignada como forma de legitimação, já que o absorve com extrema eficácia, fazendo valer os interesses originais, acima de tudo.

Concretizou-se, categoricamente, o cenário idealizado pela gênese, onde uma elite selecionada convenientemente é legitimada e blindada para definir os desígnios da nação.

Os caminhos podem ser sombrios, qualquer sinal de quebra de paradigmas pode representar ruptura do “status quo”, desencadeando crises institucionais desastrosas, onde o ônus, invariavelmente, vai para a população, minando a estrutura da nação e esvaziando o Estado Democrático para dar vazão ao Estado de Exceção.

Um Parlamento uníssono somente é legítimo quando expressar a vontade da nação, quando escutar a voz das ruas, das vielas e dos campos.

A luxúria, os alinhados ternos e gravatas, as intermináveis viagens a Paris, os discursos ineptos carregados de palavras pacificadoras sem sentido e demagogas e o desdém podem não traduzir ou representar a vontade da nação, mas podem leva-la à decadência moral de viver passivamente sob égide totalitária, sem lastro, sem norte, sem razão.

Paz e Luz.

Marcius Túlio é Coronel da Polícia Militar de Minas Gerais e analista político

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