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Adaptação involuntária

Leia a coluna desta semana de Tohru Valadares
É o momento de um nova era. Foto: Reprodução da Internet
domingo, 3 agosto, 2025

por Tohru Valadares

Caríssimo ledor(a), estamos nos habituando a uma nova era, um momento coletivo e individual, uma dualidade interessante, com tudo, complexa, necessitamos adaptar quanto a velocidade dos acontecimentos ao redor, ter respostas de prontidão e produzir com intensidade formas para completar lacunas inimagináveis, é quase necessário que cheguemos perto da perfeição para fazer parte do sistema. Tornamo-nos exímios competidores.

Quem não seguir o fluxo, fica para trás, precisamos ser melhores do que os outros para receber as bonificações do emprego e da vida, constantemente somos incentivados o tempo todo a consumir bens e serviços para obter prazer e felicidade. É admirável a coragem daqueles que se livraram de seus bens materiais e iniciaram uma peregrinação apenas para dentro de si mesmos.

Acontece que, apesar de ser importante ter dinheiro, ele ainda não compra sentimentos, ainda bem por isso, aprendi que chega uma hora em que o consumir consome, e acabamos nos perdendo dentro de nossas próprias necessidades e valores. Nos momentos em que esse estilo de vida moderna satura a todos nós, precisamos fugir, ir para outro lugar.

Hoje em dia é raridade recebermos uma carta escrita de próprio punho, algo tão simples, que já foi tão presente na vida das pessoas, praticamente se extinguiu depois da era virtual, a pessoa que escreveu solicitando uma explanação sistêmica e analítica sobre como podemos viver, uma vida mais simples e que tenha tudo de necessário para nossa sobrevivência, despertou-me uma grande alegria, um sentimento bastante simplório.

Apesar da rotina dos dias, do trânsito caótico e da poluição nos olhos, apesar das distâncias físicas e virtuais, do consumismo acelerado e da inversão de valores da nossa sociedade, ainda encontramos pessoas iguais a nós. Sim, ainda precisamos uns dos outros. Se você sente a vida como eu, seja bem-vindo a essa sensação.

Como um amigo que mora do outro lado do oceano me disse: “Ainda não sei se sentir o mundo, com mais intensidade, nos faz, felizes ou tristes, mas é algo que vem da alma, não dá para mudar…” São coisa e situações que fazem parte do cotidiano vivido, a dor é inevitável, o sofrimento, opcional, isso significa que não devemos esperar por esperar, ficar inertes, não é opção.

Não podemos brecar nossos sentidos e desejos, existem situações inerentes ao nosso querer, situações essas onde, não podemos impedir seu acontecimento, no entanto, temos a oportunidade para administrar o resultado e isso é divino. Talvez muitos não compreendam, pois, normalmente as pessoas vivem em um formato coletivo, e existem pessoas que não veem a vida dessa forma.

Mas nós, seres imperfeitos, inquietos e questionadores, estamos aprendendo a deixar fluir o que vem de dentro: os segredos que não revelamos, os sonhos que desejamos e as histórias que guardamos, porque somos o que sentimos em nós e nos outros, e essa é a maior riqueza que podemos levar conosco.

Tudo é passageiro e temporário, ainda que quiséssemos a eternidade, ela nunca estará disponível ao toque de nossas mãos, pois seria uma catástrofe se assim fosse. As melhores coisas da vida estão naquilo que não podemos dominar: aconchega-se na saudade que sentimos, no sofrimento de amor, a dor da partida e principalmente no desapego das prisões sentimentais.

Ser feliz com pouco, para mim, nada mais é que amar aquilo que tem, respeitar o que é do outro e desejar tudo que realmente servirá para de alguma forma acrescentar ou preencher em mim o que falta, não para sobrar ou ostentar ao outro pelo simples fato de querer sustentar uma felicidade em cima da felicidade alheia.

Podemos ser felizes sem que, o outro seja infeliz, somando-nos uns aos outros, dividindo o amor e tendo como saldo a gratidão, viva assim e você não precisará levantar nenhuma bandeira cujo em seu predicado carregue o “ismo” e nem devendo favores incalculáveis para quitação, pois sabe-se bem o quanto pode custar a expressão, “você me deve uma”.

Não caia nessa armadilha, ninguém deve nada a ninguém, se algo foi realizado ou feito, houve uma livre manifestação de vontade e capacidade, não gaste energia explicando ou querendo explicações, somos criados para criar e incentivados pela manutenção das criações, sejam elas realizáveis ou realizadas, aceite o que vier, faça o que der, busque ser mais que ter, assim vivera, sem o peso da obrigatoriedade pessoal em querer agradar, a tudo e há todos. Paz e Bem.

TOHRU VALADARES bacharel em Teologia, Filosofia, Licenciado em Ciências da Religião, Psicólogo, Pós-graduado em conselhamento Cristão e Capelania, mediação de conflitos, filosofia Religiosa e ecopedagogia.

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