por Marcius Túlio
“Apenas os erros podem ser perdoados. A traição não é um erro, é escolha.” (Autor Desconhecido)
Em toda sua História, a humanidade sofreu sob o jugo de tiranos sanguinários e soberbos, em épocas diferentes e com estruturas diferentes, mas sempre com a mesma ideologia utópica de dominação permanente ou eterna, todavia, no final, superou com paciência, perseverança e luta, mostrando seu poder insuperável.
A História também nos mostra, com todas as suas nuances humanas, que o destino dos tiranos agrega pelo menos um ponto em comum: não se safaram!
Passaram para a História como covardes, psicopatas, alguns tratados como anticristos, foram e hão de serem lembrados como excremento humano, eternos monstros.
Desde sua ascensão pretensamente democrática, mascarada pelos discursos demagogos que se identificam com os anseios dos povos, a seguir e naturalmente transformados em massa de manobra, até a derrocada final, onde as populações arcam com as consequências trágicas que deixam sequelas e cicatrizes marcantes e às vezes perenes, os verdugos deixam como herança seus dogmas claudicantes, induzindo mentes fragilizadas pela baixa cognição , pela fome ou pela falta de caráter a honrar o horror totalitário.
Não é demais lembrar que o íntimo do poder tirânico é corroído pela vaidade, a vaidade exige exclusividade, inspira a desavença e ameaça a sensação de poder, a sensação de poder deturpa o bom senso e hipnotiza a alma, insufla a inveja e favorece o caos, pavimentando a via para a queda.
“Mas, não há mal que dure para sempre nem bem que nunca se acabe”, já dizia um provérbio patrício, no sentido literal de que nada nessa vida é permanente.
Havemos, pois, ainda mais uma vez, de divagar sobre o bem e o mal, mesmo sabendo que jamais chegaremos a uma conclusão definitiva ou, no mínimo satisfatória.
Assim, para obtermos uma postura de equidade, é justo focar nos dois lados da moeda, no nosso caso, o sentido do provérbio.
Numa análise simplista, é imperioso considerar que todos que estão na situação a consideram justa, do bem, ao passo que os opositores serão inexoravelmente o mal. Invertendo a tabela obteremos o mesmo resultado com nomes diferentes, é o óbvio. Em nosso contexto, tirania ou tiranos de um lado e oprimidos de outro, é mais racional que os tiranos e seus seguidores, seja lá por que motivo for, se consideram o bem, se proclamam representantes do bem na Terra. Por não ser permanente, o bem, segundo o provérbio, se acabará um dia.
Por outro lado, o mal, vivido pelo lado oposto, não dura para sempre, logo, os dois lados estão em via de extinção, se observada a lógica.
Sabedores que somos de que, em se tratando de sentimento humano, a lógica é apenas uma variável, resta-nos optar pela vontade da maioria, até mesmo por uma questão de preservação da espécie.
A História também nos alerta sobre o comportamento, no mínimo curioso, de civilizações inteiras sob o jugo de regimes totalitários e absolutistas, sua escalada, sua estabilização temporária e sua catastrófica derrocada.
De minha sorte, entendo que o mal é aquele que sufoca as liberdades e os valores implícitos trazidos dos nossos antepassados, não concebo dignidade enquanto subjugado, não vejo vida na submissão forjada pela força nem sentido na escravidão ideológica que tenta limitar meu pensamento e ditar minhas conclusões, tenho convicções simetricamente opostas, provavelmente tendentes ao que identificam como o bem.
Acredito na dotação nata dos seres humanos ao instinto de liberdade, de modo que, se não for livre, no mínimo para pensar e para opinar, não existe vida inteligente no planeta.
Acredito também que somos uma só raça, a humana, Criada para ser feliz, com opções diferentes, com pensamentos diferentes, com personalidades distintas, mas com os mesmos sentidos, com as mesmas necessidades orgânicas e com o mesmo instinto de sobrevivência, atentar contra esses princípios é trai- ção à humanidade, não pode nem deve ser considerado mero erro de percurso, inescusável e imperdoável pois.
Ninguém nesse planeta em transição está acima do bem e do mal. O bem e o mal são escolhas determinadas pelo sentimento e pela intenção verdadeira.
Paz e Luz.
Marcius Túlio é Coronel da Polícia Militar de Minas Gerais