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Liberdade e responsabilidade

Somos responsáveis por nossa vida, pelo nosso bem-estar e pelos nossos atos em todas as áreas e assuntos que escolhemos
Liberdade e responsabilidade. Foto: Imagem ilustrativa reproduzida da Internet
domingo, 29 junho, 2025

Por Sérgio Fonseca

O exercício da responsabilidade pessoal começa com o reconhecimento de que, em última análise, sou EU o responsável por minha própria existência, que ninguém na face da Terra existe para me servir, para cuidar de mim, ou satisfazer minhas necessidades, e que sou o responsável pela minha própria vida. Isso quer dizer que estou disposto a ser a causa dos efeitos do que desejo. Também significa que, se eu preciso da cooperação dos outros para a consecução de minhas metas, devo oferecer-lhes razões significativas em termos de seus próprios interesses e necessidades (ser recíproco), já que minhas vontades, em si, não são suficientes para mover ninguém.

Sou responsável sob todos os aspectos pelo nível de consciência que decido ter, pois pensar é um ato de escolha, escolha entre agir a partir de reflexões(parar e pensar antes) ou por impulso. A responsabilidade pessoal implica ter a disponibilidade para responder por escolhas, decisões e comportamentos. Quando escolho um determinado comportamento cujas consequências posso antecipar refletidamente, também estou escolhendo as consequências.

Sou responsável pelo modo como trato às outras pessoas (comportamento gera comportamento) e se  minha  conduta é destrutiva a respeito deles, não culpo nenhum deles, e mais ninguém, por "terem me obrigado a agir assim". Não delego meu poder nem me engano de que os outros têm poder sobre mim, se não permitir.

Quando é praticada de modo consistente e consciente, a responsabilidade por si implica ter disponibilidade para responder pelas ideias e pelos valores segundo os quais pauto minha existência. Isso implica independência intelectual: de pensar por mim e de agir segundo meu próprio julgamento. Não há dúvida de que aprendemos com os outros, mas não devemos conceder a eles autoridade sobre nossa consciência se assim não quisermos. Também não deveríamos caminhar às cegas na direção de algo que não entendemos, ou com que não concordamos, ou conhecemos.

Se aceito o princípio da responsabilidade pessoal, reconheço que a conquista e a construção da felicidade não é tarefa de mais ninguém, senão minha. Ninguém me deve felicidade. Numa relação amorosa, por exemplo, deve-se buscar a oportunidade de repartir/COM-partilhar a felicidade, não procurar alguém que o  "faça" feliz. Procuramos fora o que está dentro.

Em suma, somos responsáveis por nossa vida, pelo nosso bem-estar e pelos nossos atos em todas as áreas e assuntos que escolhemos, portanto como diz Guimarães Rosa:

“Viver é perigoso, carece de se ter muita coragem”, e diria mais: requer um exercício contínuo de reflexão, autoconhecimento e maturidade racional e emocional, que muitas vezes só se aprende com o tempo e com o sofrimento, que para não ser em vão, é necessário aprender com as experiências, com os erros e fazer diferente nas próximas.

Produção: Sérgio Fonseca
(Psicoterapeuta)

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