por Marcius Túlio
Benfazejos exemplos históricos nos convidam a refletir sobre momentos marcantes que as tramas do destino se nos apresentam de quando em quando durante nossa trajetória terrena.
Os experimentos impactantes da História, notadamente naqueles em que seu curso é alterado em razão de eventos geopolíticos, conjugam as ações humanas de formas antagônicas, formatando profundamente as etapas civilizatórias no planeta.
A controversa percepção humana trás consigo idas e vindas que podem desestabilizar o processo civilizatório e, quase que natural ou automaticamente promovem desavenças, litigâncias e até guerras.
As instabilidades decorrentes são visíveis e sentidas de forma implacável por parte de parcela das civilizações em trânsito na Terra.
É fato, que as populações preexistem aos Estados, logo, o Estado somente existe em função das populações ou povos e não o inverso.
Aos Estados, concebidos como Nação politicamente organizada, cabe gerir os interesses das populações que a integram, com organização e naturalidade, garantindo seu bem estar em todos os sentidos gerando assim melhores qualidades de vida conforme sua dotação.
A insofismável tendência humana ao comodismo cognitivo insuflou a necessidade de se escolherem líderes e de se delegarem a esses líderes sua capacidade de pensar e, em seguida, de decidir, originando os chamados sistemas políticos e sociais que carregam, inexoravelmente, características oligárquicas e hegemônicas.
Com a legitimidade tácita, os sistemas adquiriram vida e personalidade egocêntricas, passando a deliberar segundo seus próprios interesses, ignorando sua original natureza e desprezando suas raízes que sustentam seu status.
Uma vez estabelecido, o sistema absolveu Estados com extrema habilidade, governos com facilidade e as populações passaram a meros e insignificantes detalhes, dessa forma, sintetizou seus paradigmas e ditou regras que o mantém no poder, mesmo com algumas divergências internas, momentâneas e transitórias, mas sempre mantendo o cerne do poder sob controle.
Em sua saga, alterna, com impassível paciência e precisão, momentos de tensão, êxtase e calmaria, concedendo o que considera privilégios, direitos inatos ou originais, em troca de sua manutenção no poder com roupagem de democracia..
Criando normas, conceitos, costumes e tradições, solidifica uma relação de dependência umbilical que ofusca e oprime a capacidade cognitiva de gerações em linha de produção, doutrinando, mentindo e maquiando sua sede de poder absoluto, ancorado no porto seguro das promessas vazias que hipnotizam as massas.
Assim se formam os ciclos intermináveis de poder sob um único sistema que age no subconsciente psicossocial das civilizações, tolhendo-lhes da capacidade de pensar, transigir e questionar, germinando a sensação de que a relação parasitária entre o sistema e os cidadãos e imperiosamente mais benéfica que as liberdades.
Trata-se de uma relação desarmônica, onde os povos se prestam a sacrificar a própria vida em defesa de ideias ou ideologias que sequer dominam com cognição ou razão.
A dinâmica instrumental do sistema é tão exageradamente eficaz e pontual que qualquer tentativa de ruptura é manchada de sangue da massa de manobra. Tumultos, escândalos, desordem e perseguições se formam para blindar o sistema, sempre colocado como vítima de conspirações e planos maquiavélicos.
A ordem social, já acostumada aos benefícios fugazes oferecidos pacificamente pelo sistema se vê ameaçada, teme por perder o patrocínio que os grilhões lhes oferecem em troca da mística promessa de boa aventurança ilusória que segrega sonhos e subjuga gerações.
Como no Êxodo Bíblico, os alforriados preferem a cebola e o pão de cada dia, cedido a preço de ração, à liberdade, onde se verão forçados a prover sua própria existência, esquecendo-se da força da chibata que os forjava.
É muito patente, a olhos minimamente observadores, o objetivo subliminar do sistema em dividir para dominar, em desarmonizar para imperar, colocando irmãos contra irmãos para destilar seu ódio dissimulado de amor, buscando culpados pelos eventuais fracassos e divergindo o foco, emoldurando castas e eclipsando a realidade sombria.
Raios de luz pairam no ar buscando um abrigo que somente encontrarão em mentes pensantes que focam nas liberdades a verdadeira essência da vida etérea.
Todos queremos ser ricos, portanto, não há razão para odiar a riqueza.
Paz e Luz.
Marcius Túlio é Coronel da Polícia Militar de Minas Gerais