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Um olho no peixe outro no gato

Leia a coluna desta semana de Marcius Túlio
Congresso Nacional. Foto: Divulgação
domingo, 3 agosto, 2025

por Marcius Túlio

A História registra, com virtuosa generosidade, que todos os regimes totalitários, ditaduras, desenvolveram, em sua escalada, um processo gradual e paulatino, a partir de premissas comuns.

Tendo como estopim, invariavelmente, um ambiente de miséria generalizada, amplamente favoráveis ao recrudescimento de regimes populistas e autoritários que naturalmente sufocam a economia, o empreendedorismo e as oportunidades individuais, gerando uma sensação de insegurança e de desesperança nas populações em que emergem.

Com a economia em frangalhos, uma nação se perde nas armadilhas que as crises financeiras em sequência provocam, passando então a confiar ao Estado, leia-se governo, a solução dos seus problemas, numa dependência psicológica, moral e até mesmo física.

Sendo o provedor, esse Estado ou governo, se ergue como proprietário, como se dono fora, consequentemente o sensor, o julgador, o executor e o único beneficiário do regime adotado.

Laico, esse Estado passa a controlar tudo e todos com autonomia e soberania incontestes.

A segunda premissa é o desarmamento da população. Sob a égide da pacificação social e de contenção da violência, reduz ou elide a capacidade de reação ou defesa contra agressões injustas por parte dos cidadãos, que passa a depender do Estado e seus agentes armados, às vezes mal informados, às vezes mal intencionados, para sua defesa.

Uma vez diminuída ou retirada sua capacidade ou sua disposição para reagir ou se defender, o cidadão clamará pela intervenção desse Estado que, evocado, surge como o último bastião de resistência, com suas ações paliativas e seus programas e projetos derrotistas que pavimentam a via para a máxima conformista do “Perdeu Mané, não amola”.

A terceira premissa é o isolamento internacional. Adotando a técnica psicológica da união grupal, onde, de uma forma extravagante e provavelmente malfazeja, esse regime busca, de forma inconsequente e irresponsável se afastar de civilizações preponderantes e de regimes antagônicos.

Segundo seu conceito, qualquer posição antagônica é vista como inimiga do regime, portanto alvo de ações hostis de toda ordem possível, trazendo para si, o controle de emoções e estabelecendo discurso padrão contra o inimigo comum, trazendo com isso uma espécie de unidade de comportamentos que justifiquem sua posição.

A quarta premissa é a cereja do bolo, a legitimidade. Concretizadas as fases anteriores, a legitimidade há de ser conseguida sob a égide democrática da eleição.

Desnecessário expor que, uma vez estabelecidas estas fases, a eleição é tarefa das mais fáceis, desnecessárias até mesmo as “eventuais” fraudes.

Concretizadas essas principais fases, o regime estará estabelecido de forma definitiva. Blindado pelo princípio legal da soberania nacional, passam a coexistir de forma irracional mas eficiente, se entregando de forma subserviente a tiranias emergentes e historicamente instáveis como hão de ser as ditaduras.

Agonizante, sufoca sua população, respaldado por uma economia escusa, por restrições e violações de direitos fundamentais e pelo controle total da população, fabrica factoides para justificar sua incompetência e para construir um paraíso utópico de igualdade social obrigatória.

Submergido num lamaçal de incongruências éticas e imorais, o regime se sustenta com a força do Estado, em nome do qual, subjuga nações e escraviza gerações, sem culpa, sem escrúpulos.

Há de se ressaltar, por factual, que todos os regimes totalitários de que se tem notícia se proclamam democráticos, não há, na História, pelo menos até agora, uma nação que se proclame República Totalitária da Banânia ou Federação Ditatorial das Pulgas Unidas.

Dito isso, convido o caro amigo leitor a uma reflexão sobre o momento a que estamos expostos no Brasil em face dos últimos acontecimentos geopolíticos em andamento e que ainda estão por vir.

Salientando, por fim, que a inércia do governo brasileiro relativamente aos embargos anunciados pela comunidade internacional, bem como o escárnio com que a situação vem sendo tratada pode sim, ter um foco divergente ou meticulosamente calculado.

Paz e Luz.

Marcius Túlio é Coronel da Polícia Militar de Minas Gerais e analista político

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