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domingo, 31 agosto, 2025

De GV para o mundo: o que muda com a tarifa de 50% nos EUA

Leia coluna desta semana por Simone Claudino
Tarifaço Brasil x EUA. Foto: Reprodução da Internet

por Simone Claudino

Minas Gerais exportou mais de 1,7 bilhão de dólares em café no último ano. Governador Valadares está dentro dessa engrenagem produtiva, que movimenta desde a lavoura até a torrefação. Mas esse fluxo pode sofrer uma freada brusca. Uma nova tarifa imposta pelos Estados Unidos, que saltou de 10% para 50% sobre produtos brasileiros, já começa a provocar efeitos em nossas exportações. A medida, com forte viés político, foi anunciada sob o argumento de emergência nacional e atinge em cheio setores-chave da economia brasileira, incluindo café, carne, calçados e têxteis.

Os primeiros reflexos já aparecem. Compradores americanos adiaram encomendas, contratos futuros foram invertidos e a perda chega a 10 dólares por saca de café. Para um produtor ou cooperativa, isso representa uma diferença significativa na margem e na sustentabilidade do negócio. É o tipo de mudança que pressiona desde o campo até o comércio internacional, exigindo reação rápida.

A resposta do governo brasileiro veio com o plano emergencial Soberano Brasil, criado para sustentar a capacidade exportadora do país. Entre as medidas anunciadas, estão 30 bilhões de reais em crédito com apoio do BNDES, 4,5 bilhões destinados a pequenas e médias empresas, incentivos fiscais por meio do regime de drawback e compras públicas estratégicas para impedir acúmulo de estoques. A proposta é mitigar os danos, garantir liquidez e preservar empregos, enquanto se tenta evitar uma escalada diplomática que prejudique ainda mais o cenário.

A escolha dos produtos tarifados foi seletiva. Itens de interesse interno dos EUA, como aeronaves e suco de laranja, ficaram de fora. Fica claro que a decisão mira mais no discurso eleitoral do que na racionalidade econômica. E, nesse processo, regiões como a nossa, que dependem de cadeias produtivas integradas ao comércio exterior, acabam na linha de frente do impacto.

Minas, que também exporta ferro-gusa, ferroligas, ouro e soja, deve enfrentar perda de competitividade em relação a países que não foram afetados pelas tarifas. O risco é evidente: perder espaço nos Estados Unidos, nosso segundo maior parceiro comercial, e enfrentar encarecimento de insumos, retração de contratos e incerteza nos investimentos.

Mas o que isso tem a ver com você, empreendedor ou profissional valadarense? Tudo. As decisões tomadas nos corredores do comércio internacional afetam o pequeno negócio que vende insumos, o produtor rural que exporta, o transportador, o comércio e até o consumidor final. O tarifaço não é apenas uma questão de Brasília e Washington. Ele atravessa nossas ruas, nossas feiras, nossos armazéns e nossos portos.

Diante desse cenário, precisamos nos manter informados, buscar apoio, diversificar mercados e fortalecer nossas redes locais. A crise imposta lá fora pode se transformar em oportunidade aqui dentro, desde que estejamos atentos, unidos e preparados.

Sobre a autora

Simone Maria Claudino de Oliveira - @simoneclaudionoficial é valadarense, graduada em Ciências Contábeis e Direito, com especializações em Estratégia Empresarial, Controladoria, Auditoria e Gestão da Informação. Possui MBA em Gestão Cooperativa e Projetos de Inovação, além de certificações em Corporate Venture Capital, Corporate Venture Builder e Inovação. Atua como Controller no Grupo AgroRemac, Diretora Executiva da NTW Contabilidade e Gestão Empresarial, Co-Founder da Cliex&CO e Founder da Insights I.A Tech. É presidente da ANGAR, do Sindcont GV, da Garantia dos Vales e da Adeleste, promovendo o desenvolvimento econômico e empresarial da região.

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