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terça-feira, 21 outubro, 2025

Deputadas cobram propostas do Executivo para fortalecer ensino público

Embora tenham elogiado proposta do Propag, parlamentares criticaram falta de planejamento da gestão estadual.
Durante audiência pública nesta terça (21), comissão debateu implementação do programa Juros por Educação. Foto: Ramon Bitencourt ALMG

As deputadas Lohanna (PV) e Beatriz Cerqueira (PT) criticaram a falta de planejamento do Executivo estadual para fortalecer a rede pública de ensino. O assunto foi debatido durante audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta terça-feira (21/10/25).

A reunião foi solicitada pelas duas parlamentares a fim de discutir a proposta “Juros por Educação”, no âmbito do Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag). Conforme sugestão do governo federal, a redução da taxa de juros sobre a dívida fica condicionada à expansão das matrículas na educação profissional técnica de nível médio.

Nesse contexto, a superintendente da Secretaria de Estado de Fazenda, Andresa Nunes, confirmou a meta de aderir à alternativa de amortização de 20% da dívida, com 1% de investimentos – dos quais, 60% serão destinados ao ensino técnico. Conforme o subsecretário da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), Felipe de Sousa, a porcentagem é estimada em mais de R$ 1,8 bilhão.

“Minas já está dando o exemplo e é referência no ensino médio técnico. Continuaremos crescendo”, afirmou o deputado Gustavo Valadares (PSD). O presidente do Conselho Estadual de Educação, Felipe Michel Braga, também demonstrou otimismo em relação às medidas articuladas entre os Executivos estadual e federal.

Parlamentares alertam para privilégio da iniciativa privada

De acordo com a secretária-adjunta de Educação, Stephanie Flavia de Carvalho, o objetivo é aprimorar a política desenvolvida por meio do programa Trilhas de Futuro. Ela também mencionou a meta de investir na infraestrutura e na expansão da oferta do ensino tecnológico.

Todavia, a deputada Beatriz Cerqueira (PT) apontou o risco de escoamento de recursos públicos para a iniciativa privada em vez de fortalecer a rede pública.

“O Trilhas é organizado por grupos privados, no modelo de voucher, e a única proposta do governo é aprofundar isso”, criticou.

Ela também alertou para o perigo de focar metas, sem enxergar os profissionais adoecidos, já sobrecarregados com a jornada de trabalho. Chamou ainda a atenção para a instabilidade da formação do Conselho de Educação, questionando se os integrantes já sabatinados foram nomeados.

Por sua vez, a deputada Lohanna cobrou dados mais robustos e a revisão de metas, para que sejam adequadas aos critérios de avaliação propostos pelo governo federal. Também questionou os planos de parceria com instituições públicas e filantrópicas sem fins lucrativos. Perguntou pelo levantamento das áreas prioritárias e das efetivas demandas regionais. Indagou ainda a respeito do monitoramento da qualidade de capacitação dos egressos.

“O mínimo que a gente tem que devolver para a sociedade é um debate com transparência. O tema desta audiência foi previamente comunicado e nós esperávamos que fossem apresentados dados”, ressaltou Beatriz Cerqueira. Ela advertiu que respostas genéricas não são suficientes.

“Estou decepcionada. Pensei que teríamos uma apresentação de alto nível, com dados sobre o que tem sido feito no âmbito do Trilhas e o que se pretende fazer. É muito ruim observar que o Estado não tem planos”, lamentou Lohanna. Ela anunciou que pretende encaminhar pedidos de informações à Secretaria de Educação, em busca de respostas mais robustas. 

Com informações do site oficial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

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