por Simone Claudino
Você já tentou pedir um empréstimo se deparou com a seguinte pergunta — quase como um mantra dos bancos: "Tem como comprovar sua renda?"
Pois é. Essa frase, simples e direta, carrega uma das engrenagens mais importantes do sistema financeiro: a correlação entre acesso ao crédito e a capacidade comprovada de pagamento.
Mas calma lá — antes de achar que é perseguição pessoal, vamos descomplicar essa conversa de números e bater um papo mais leve sobre o que está por trás dessa exigência que, sim, pode parecer burocrática, mas faz todo sentido técnico.
Pedir crédito é, em essência, fazer uma promessa de pagamento futuro. E, convenhamos, prometer é fácil — difícil é garantir. Por isso, os bancos pedem provas. E a comprovação de renda é a certidão de que você tem fôlego financeiro para honrar a dívida que está assumindo.
É como pedir dinheiro emprestado a um ami- go: ele até pode confiar em você, mas se souber que você está com o bolso furado e o salário atrasado, vai pensar duas vezes.
Se você é trabalhador com carteira assinada, a receita é simples: contracheques, carteira de trabalho, declaração do Imposto de Renda. Mas o Brasil é feito de muitos "Brasis". Temos milhões de autônomos, microempreendedores, profissionais liberais e trabalhadores informais que não têm um contracheque bonitinho todo mês. E aí?
Aí entra o contador — seu aliado na hora de tornar sua renda visível e transformar sua movi- mentação em documentos que o banco entende. Ele pode organizar e orientar a formalização da sua atividade, dando consistência à sua movimen- tação financeira e ao seu faturamento.
E por que isso é tão importante? Porque os bancos trabalham com risco, e para emprestar, precisam medir esse risco. Eles analisam:
• Seu score de crédito (aquele número mágico que diz o quanto você é confiável financeiramente);
• A proporção entre renda e dívidas (se você jestá atolado ou ainda tem margem para pagar);
• Seu histórico bancário (se você paga suas
contas em dia, se já tomou outros créditos...);
• E, claro, se você consegue provar que tem renda suficiente.
É uma conta que precisa fechar. E, sem dados, a conta não fecha. Se sua atividade não está organizada — se você vende, fatura, mas não emite nota ou não declara — você existe financeiramente, mas está invisível para o sistema bancário.
E a verdade é que, hoje em dia, dá para mudar isso com algumas medidas simples. O contador pode te ajudar a abrir um CNPJ, emitir nota fiscal, montar uma escrituração simplificada e, principalmente, traduzir sua realidade para a linguagem que o banco entende: números confiáveis.
Moral da história: quer crédito? Então trate a comprovação de renda como parte do processo. Não é perseguição, nem desconfiança: é regra do jogo. E quem aprende a jogar, joga melhor.
Então, da próxima vez que o gerente do banco perguntar pela sua renda, sorria e diga com orgulho: — “Meu contador organizou, e o banco... liberou.”
Sobre a autora
Simone Maria Claudino de Oliveira @simone- claudionoficial é valadarense, graduada em Ciências Contábeis e Direito, com especializações em Estratégia Empresarial, Controladoria, Auditoria e Gestão da Informação. Possui MBA em Gestão Cooperativa e Projetos de Inovação, além de certificações em Corporate Venture Capital (CVC), Corporate Venture Builder (CVB) e Inovação. Atua como Controller no Grupo AgroRemac, Diretora Executiva da NTW Contabilidade e Gestão Empresarial, Co-Founder da Cliex&CO e Fou- nder da Insights I.A Tech. É presidente da ANGAR, do Sindcont GV, da Garantia dos Vales e da Ade- leste, promovendo o desenvolvimento econômi- co e empresarial da região.





