por Marcius Túlio
Provavelmente, os brasileiros primitivos, ao receberem da esquadra portuguesa os espelhos e apitos, inspirados por uma Força Superior, se encaminhavam para sua evolução espiritual, cuja existência na carne é parte integrante no processo.
Passados 525 anos desse acontecimento histórico e após a passagem de consecutivas gerações de brasileiros por esse território sagrado e consagrado pela Criação, parece que ainda estamos à espera, com ansiedade extrema, dos espelhos e apitos de outrora.
Ao alçar seu voo solo, talvez prematuramente, a Nação Brasileira abdicou da maturidade moral e ética para dar vazão aos rompantes de soberba, inconsequentes, baseados em distrações e bravatas que distorceram a verdade casuisticamente.
A História no Brasil parece ter dono ou donos, que a adequaram e a adequam segundo suas vontades e interesses, excluindo fatores intervenientes que certamente influenciariam na construção de uma sociedade consolidada em premissas que edificaram outras civilizações concebidas de forma semelhante.
Como em qualquer outra civilização, o surgimento da casta política é natural e necessária; fundamental para a formação do Estado, entretanto, no Brasil, o processo político foi inequivocamente contaminado pelo “lado negro da força”.
As facilidades decorrentes da atividade política em função da diversidade de ações, reações e estratégias que os cargos exigem se tornaram regras determinantes e inflexíveis e é exatamente o que faz a diferença. Os eleitos devem, necessariamente, honrar a confiança em si depositada, sua atuação deve ser altruísta e restrita aos interesses da Nação.
Definitivamente não é o que ocorre no Brasil desde os primórdios. Os interesses são costumeiramente difusos a ponto de priorizarem ideologias em detrimento da vontade popular, o desafio passa a ser o convencimento, as narrativas e os imbróglios que iludem e escravizam.
Recentemente, uma Deputada de origem indígena, em seu pronunciamento na Câmara Federal, alertou sobre o interesse do progressismo invertido, defendido pela famigerada Nova Ordem Mundial em expor os povos indígenas da Amazônia como troféus em suas prateleiras mascaradas de terras demarcadas, inacessíveis aos benefícios trazidos pela tecnologia que tanto eleva a qualidade de vida no planeta, em nome da “preservação ambiental”.
Em outras palavras, a parlamentar sugere que aqueles povos estariam condenados a viver em pleno século XXl como se em 1500 d.C. estivessem.
Pois bem, nesse contexto, é razoável concluir que os recentes incidentes passados em Belém, a linda e acolhedora capital do grande Estado do Pará, por ocasião da COP 30, não foram em vão ou seja, não foram obras do acaso ou das circunstâncias, não passaram de fatos sistematicamente calculados.
O objetivo talvez fosse explorar, com resquícios de crueldade, o primitivismo a que a população amazônica está exposta, criando um simulacro que envidraçasse a precariedade da vida naquela região tão carente de capital estrangeiro para a manutenção daquilo que chamam de conservação ambiental.
O conflito de interesses fica muito claro assim que se constata a suntuosidade pretendida pelos organizadores do evento em contraste com a realidade enfrentada pela população em decorrência da própria omissão ou descaso dos governantes.
O tiro parece ter saído pela culatra, ao explorar as fragilidade e vulnerabilidades daquele povo acolhedor e simpático, acabaram por expor as vísceras de um regime governamental podre que patrocina atrocidades como as que foram veiculadas ao mundo civilizado.
As conclusões do Chanceler Alemão, expressadas de uma forma realística jogaram, aparentemente, toda a trama por terra. Provavelmente bem informado das circunstâncias e da realidade nacional do Brasil, safou-se da peça teatral elaborada para ludibriar possíveis investidores em causas perdidas, já que o capital já investido ou o que seria investido nunca atinge os objetivos originais.
Não é pois, de se estranhar a indignação dos organizadores da peça teatral diante das palavras do Chanceler Germânico, talvez algo tenha saído do script.
Ao glorioso povo do Pará minha solidariedade, ao Chanceler da Alemanha meus cumprimentos por não omitir a verdade em nome da diplomacia de butiquim.
Paz e Luz.
Marcius Túlio é Coronel da Polícia Militar de Minas Gerais e analista político





