por Marcius Túlio
Enquanto roemos as unhas esperando o fim do jogo com nosso time perdendo, mas com chances de empatar ou mesmo virar o jogo, o tempo parece correr ainda mais rápido ao nosso desfavor.
O sofrível ano de 2025 para os brasileiros mortais termina ainda mais tenebroso que começou, 2026, ano de eleições para os legislativos e executivos estaduais e federais se avizinha sinistro, desanimador, profundamente desalentador.
Entusiasmo mesmo, somente daqueles que pretendem ingressar ou se perpetuar nos gloriosos cargos políticos, seja pelo voto, seja pelas rebarbas nepóticas, egoísticas e muitas vezes escandalosas.
De certo mesmo, que as crises geram oportunidades pontuais, especialmente aos personagens que as dominam com extrema perícia e perspicácia, deixando um lastro inequívoco de que a indústria da crise é uma realidade premente, embora mórbida.
Todos os efeitos da crise generalizada estacionada no país com reflexos estarrecedores na nação, nos campos político, econômico/financeiro, social, estrutural, institucional e moral serão explorados com maestria conforme as oportunidades o exijam, de modo que as soluções emergenciais e imprescindíveis sejam transferidas para a próxima legislatura ou mandato, momento em que se inicia um novo ciclo de promessas vazias, desculpas e justificativas que sempre remetem ao mandato anterior implacavelmente.
Quanto aos problemas pendentes, que formatam crises e emolduram elementarmente a sujeira escalonada, que atordoam a nação e a envergonham diante do mundo civilizado, será inexorável e naturalmente varrida para debaixo do tapete, pavimentando a saga da impunidade e dos engodos, nos quais a nação, adestrada, já se adaptou.
2026 será um ano em que a hipocrisia será protagonista, das milionárias campanhas eleitorais, em que as narrativas mais robustas pelo poder midiático seduzido pelas cifras ou pelas manobras escusas, zombarão da cognição e do bom senso, será um ano em que a realidade será subestimada pela ilusão, em que a razão será ridicularizada pela paixão.
Como sói acontecer em todas as democracias, em que pese o Brasil, segundo pronunciamentos oficiais, seja uma democracia relativa, o poder emana do povo, logo, somente o povo pode alterar o curso da história que se desenha no porvir, silenciosa e perigosamente.
Embora a maior arma da democracia, o voto, esteja um tanto quanto desacreditada no país, ele ainda faz a diferença. Quando consciente e racional, afastada toda e qualquer ideologia vinculante, somente ele, o voto, é capaz de aniquilar o oportunismo que fez
desse país um paraíso emergente para os facínoras que usam terno e destilam ódio por meio de doces palavras.
Ainda mais uma vez a nação está diante de duas portas: uma mais ampla, que conduz ao ócio, ao ostracismo e à dependência do assistencialismo viciante, a outra porta, bem mais estreita, leva ao trabalho dignificante, à independência que solidifica a liberdade, a escolha determinará o caráter de uma nação.
Andar ao sabor da maré ou simplesmente se isentar, “pra ver no que dá”, ocultando-se nas multidões pode trazer efeito reverso e consequências nebulosas, condenando todos a um futuro sombrio.
As decisões são pessoais, mas não devem ser adstritas a interesses próprios e imediatistas, devem necessariamente, ser pautadas pelo altruísmo em construir um ambiente salutar e promissor para as próximas gerações.
A passagem terrena, embora tendente à felicidade, não foi celebrada para a facilidade, somente o trabalho na bondade e na caridade sentimental trará a evolução e o progresso, objetivo primário da Criação.
Com otimismo pujante, mas com pessimismo ululante, em face dos acontecimentos pretéritos e vindouros, externo a todos os pacientes leitores os meus mais efusivos votos de Feliz Natal e que tenham, apesar de tudo, um Ano Novo repleto de realizações.
Paz e Luz.
Marcius Túlio é Coronel da Polícia Militar de Minas Gerais e colunista do Jornal da Cidade GV





