A Câmara Municipal de Manhuaçu realizou na noite desta segunda-feira (04/08) audiência pública sobre o serviço de saúde do município. Mais especificamente, a sessão enfocou o atendimento prestado pelo Hospital César Leite (HCL), a situação das obras na instituição e a origem e o destino dos recursos públicos enviados ao estabelecimento de saúde.
Durante a reunião, representantes dos poderes executivo e legislativo, de entidades, da sociedade e do HCL debateram propostas para a melhoria dos serviços prestados. A audiência partiu de uma solicitação do vereador Misrael da Matinha feita à Comissão de Saúde e Assistência Social da câmara.
A sessão foi conduzida pelo presidente da comissão, Allan do Alaor, pelo suplente Zé Eugênio, e pelo vereador Misrael da Matinha. Após abrir a reunião, Alaor passou a palavra para Eugênio, que leu o edital de convocação da audiência. Em seguida, iniciaram-se as exposições técnicas sobre o tema.
O primeiro a se manifestar foi o provedor do HCL, Milton Martins. Ele fez um breve relato sobre a estrutura, os funcionários e os serviços prestados pelo hospital. Martins ressaltou o compromisso dos 50 conselheiros voluntários do HCL e pediu responsabilidade no trato das informações sobre a instituição, frisando a necessidade de se ouvir todos os lados envolvidos.
Serviços prestados
Chardson Roberto da Paixão, gerente de Planejamento e Projetos do HCL, exibiu um vídeo institucional sobre o hospital e passou a apresentar dados sobre os serviços prestados. De acordo com ele, 77% das internações na instituição são feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o HCL está entre os 26 hospitais que mais operam pelo SUS em Minas Gerais e é o décimo terceiro que mais realiza partos pelo SUS no estado.
O gerente de Planejamento disse ainda que o César Leite conta com 948 funcionários e 275 médicos com contratos ativos. Com base nos números apresentados, Paixão enfatizou a importância de os 23 municípios da região que são atendidos pelo hospital contribuírem para que o serviço seja mantido.
Ele lembrou que há uma comissão de acompanhamento responsável por supervisionar os recursos próprios e públicos empregados no HCL. Paixão apresentou o endereço www.transparenciahcl.com.br da instituição como fonte em que se pode acompanhar os investimentos realizados em obras, documentos e a prestação de contas do hospital.
Atendendo a uma solicitação dos vereadores, a coordenadora de enfermagem da Urgência e Emergência do HCL, Adriene Dorneles, explicou o Protocolo de Manchester, usado para a classificação de pacientes. Por meio dele, é possível avaliar a situação e o risco no serviço de emergência para a priorização de atendimentos.
Sobre a dúvida dos parlamentares em relação aos novos contratos médicos, Chardson Roberto da Paixão explicou que, de 2022 até julho deste ano, 122 novos contratos foram celebrados.
Em sua fala, o vereador Kilder Perígolo voltou a destacar a importância de os municípios vizinhos atendidos darem sua contribuição ao HCL. O médico Gullivert Hudson informou aos vereadores o funcionamento do serviço de ortopedia. O presidente do Conselho Superior HCL, Ednilson Lacerda, afirmou que o hospital sempre busca oferecer para a população um serviço de qualidade.
Polo macrorregional
O secretário municipal e Saúde, Juliano Estanislau, destacou que a área de atendimento do HCL acaba abrangendo o Brasil. Isto porque, explicou, além das 23 cidades usuárias da instituição, pacientes de municípios do país inteiro são atendidos na Urgência e Emergência, já que Manhuaçu é cortada por duas rodovias nacionais (BR-262 e BR-116). Ele lembrou que isso coloca o município como um polo macrorregional na área de saúde.
No momento das manifestações do público, o advogado Vinícius de Resende chamou atenção para a necessidade de maior atenção aos dependentes químicos e moradores de rua. Em sua opinião, esta parcela da população precisa de ajuda.
Também advogado, Alex Barbosa considerou que há investimentos sendo feitos no HCL e que Manhuaçu tem recebido recursos do governo federal. Andrea Alves, presidente da Associação La Vigna Italo-Brasileira, cobrou gestão na saúde.
No entanto, Juliano Estanislau enfatizou que Manhuaçu está gerando dados para um planejamento adequado na saúde. Segundo ele, ter dados e números irá proporcionar uma gestão mais adequada para o setor.
A cidadã Sandra Cândida da Costa também se manifestou durante a audiência. O comerciante Rúdinei Hott pediu maior fiscalização na saúde e sugeriu cobrar judicialmente o auxílio dos 23 municípios atendidos pelo HCL. Gedival Breder também considerou a possibilidade de se acionar as cidades usuárias do hospital na justiça para solicitar ajuda financeira.
Auditorias
O vereador Cléber Benfica quis saber se são realizadas auditorias no hospital e como é feito o controle de receitas indiretas. Chardson Roberto da Paixão disse que, desde 2013, são feitas auditorias no HCL. Ele argumentou que o sistema informatizado do hospital permite saber e acompanhar as receitas particulares, como a dos planos de saúde.
Administrador Rodrigo solicitou informações sobre a fila de atendimento na saúde. Juliano Estanislau informou que há um sistema de agendamento das consultas e que inclusive os postos de saúde têm acesso às informações sobre a fila.
O vereador Marcelino de Jesus perguntou se seria possível colocar em funcionamento alguns andares do anexo 2 do HCL. Milton Martins esclareceu ser necessário fazer antes o plano de prevenção de incêndio de todos os pavimentos da edificação.
Após os esclarecimentos prestados, Alla do Alaor declarou encerrada a audiência.
por Câmara Municipal de Manhuaçu