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domingo, 19 outubro, 2025

Mea Culpa

Leia a coluna desta semana de Marcius Túlio
Congresso Nacional, Brasília. Foto: iStock

por Marcius Túlio

Sim, somos culpados:

Por acreditarmos que somos uma República com um mínimo de credibilidade;

Por acreditarmos incondicionalmente, por anos a fio, numa mídia tendenciosa que sempre buscou o controle dos pensamentos e sentimentos de toda uma nação, em troca de enxurradas de dinheiro desviado do erário;

Por reverenciarmos políticos “useiros e vezeiros” em ludibriar a boa fé da população, perpetuando-se no poder e apropriando-se da nossa dignidade, elegendo-os reincidentemente;

Por acreditarmos que a chamada redemocratização, batizada de Nova República e sua decantada Constituição, cheia de incertezas e profundamente analítica, trariam um recomeço triunfal de desenvolvimento, de liberdade, de justiça e de segurança;

Por exaltarmos como celebridades pessoas de baixo valor moral dotadas de discursos utópicos e ilusórios, enquanto se esbaldam com nossos precários recursos e escarneiam de nossas esperanças;

Por não nos conscientizarmos de que um país gigantescamente rico em recursos naturais e intelectuais ainda navegue abaixo da linha da pobreza;

Por assimilarmos com estranha destreza as avalanches de corrupção exponencialmente distribuídas de norte a sul e de leste a oeste;

Por admitirmos com tamanha naturalidade as insistentes “cortinas de fumaça” criadas com extrema desenvoltura para desviar o nosso foco;

Por fingir que sabemos o que é uma democracia;

Por convivermos passivamente com dificuldades criadas exatamente por aqueles que, de ofício, devem atuar como facilitadores e defensores de direitos;

Por não entendermos que funcionários públicos são apenas servidores e, independentemente dos cargos que ocupem, estão a serviço da população;

Por nos apaixonarmos por ideologias em detrimento dos interesses da nação e do futuro das nossas gerações;

Por buscarmos benesses pessoais transitórias e imediatas nas migalhas do poder;

Por nos sujeitarmos ao servilismo institucional de um sistema escravocrata que sufoca o empreendedorismo em busca de vassalos leais, eternos e hereditários;

Por permitirmos os apadrinhamentos, os favorecimentos pessoais e o nepotismo, pavimentando uma continuidade insana que corrói as entranhas do poder e consagra a hereditariedade mórbida;

Por trocarmos os livros por telenovelas;

Por confundirmos nossa História com narrativas, permitindo que os mesmos erros sejam cometidos várias vezes, com as mesmas consequências;

Por desprezarmos a razão em nome da ilusão;

Por acreditarmos que governos garantem gratuidade em saúde, educação, segurança e lazer;

Por acreditarmos que programas sociais se medem pela sua maior abrangência;

Por odiarmos os mais ricos, embora busquemos a riqueza o tempo todo;

Por glorificarmos milionários que pregam a igualdade;

Por legitimarmos, na política, as mesmas “caras”, os mesmos partidos, os mesmos discursos, as mesmas ilusões, as mesmas “picaretagens”, anos após anos;

Por não nos indignarmos com a hipocrisia se impondo à verdade.

Somos culpados de tudo isso e de muito mais, resta-nos, entretanto, o dever de não os legarmos aos nossos filhos.

Paz e Luz.

Marcius Túlio é Coronel da Polícia Militar de Minas Gerais e analista político

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