por Marcius Túlio
Sim, somos culpados:
Por acreditarmos que somos uma República com um mínimo de credibilidade;
Por acreditarmos incondicionalmente, por anos a fio, numa mídia tendenciosa que sempre buscou o controle dos pensamentos e sentimentos de toda uma nação, em troca de enxurradas de dinheiro desviado do erário;
Por reverenciarmos políticos “useiros e vezeiros” em ludibriar a boa fé da população, perpetuando-se no poder e apropriando-se da nossa dignidade, elegendo-os reincidentemente;
Por acreditarmos que a chamada redemocratização, batizada de Nova República e sua decantada Constituição, cheia de incertezas e profundamente analítica, trariam um recomeço triunfal de desenvolvimento, de liberdade, de justiça e de segurança;
Por exaltarmos como celebridades pessoas de baixo valor moral dotadas de discursos utópicos e ilusórios, enquanto se esbaldam com nossos precários recursos e escarneiam de nossas esperanças;
Por não nos conscientizarmos de que um país gigantescamente rico em recursos naturais e intelectuais ainda navegue abaixo da linha da pobreza;
Por assimilarmos com estranha destreza as avalanches de corrupção exponencialmente distribuídas de norte a sul e de leste a oeste;
Por admitirmos com tamanha naturalidade as insistentes “cortinas de fumaça” criadas com extrema desenvoltura para desviar o nosso foco;
Por fingir que sabemos o que é uma democracia;
Por convivermos passivamente com dificuldades criadas exatamente por aqueles que, de ofício, devem atuar como facilitadores e defensores de direitos;
Por não entendermos que funcionários públicos são apenas servidores e, independentemente dos cargos que ocupem, estão a serviço da população;
Por nos apaixonarmos por ideologias em detrimento dos interesses da nação e do futuro das nossas gerações;
Por buscarmos benesses pessoais transitórias e imediatas nas migalhas do poder;
Por nos sujeitarmos ao servilismo institucional de um sistema escravocrata que sufoca o empreendedorismo em busca de vassalos leais, eternos e hereditários;
Por permitirmos os apadrinhamentos, os favorecimentos pessoais e o nepotismo, pavimentando uma continuidade insana que corrói as entranhas do poder e consagra a hereditariedade mórbida;
Por trocarmos os livros por telenovelas;
Por confundirmos nossa História com narrativas, permitindo que os mesmos erros sejam cometidos várias vezes, com as mesmas consequências;
Por desprezarmos a razão em nome da ilusão;
Por acreditarmos que governos garantem gratuidade em saúde, educação, segurança e lazer;
Por acreditarmos que programas sociais se medem pela sua maior abrangência;
Por odiarmos os mais ricos, embora busquemos a riqueza o tempo todo;
Por glorificarmos milionários que pregam a igualdade;
Por legitimarmos, na política, as mesmas “caras”, os mesmos partidos, os mesmos discursos, as mesmas ilusões, as mesmas “picaretagens”, anos após anos;
Por não nos indignarmos com a hipocrisia se impondo à verdade.
Somos culpados de tudo isso e de muito mais, resta-nos, entretanto, o dever de não os legarmos aos nossos filhos.
Paz e Luz.
Marcius Túlio é Coronel da Polícia Militar de Minas Gerais e analista político





