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Em visita ao Hospital Infantil João Paulo II, deputados constatam redução de leitos de terapia intensiva

Crianças que estavam em UTI do hospital foram transferidas para o João XXIII, que perdeu seis vagas para acomodar os pacientes.
Os parlamentares percorreram as dependências do João Paulo II e conheceram a área para onde foram levadas as crianças. Foto: Henrique Chendes ALMG
sábado, 30 agosto, 2025

Redução de seis leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), macas dispostas no corredor para acompanhantes das crianças. Esse é o resultado verificado pela Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em visita, nesta sexta-feira (29/8/25), ao Hospital Infantil João Paulo II, em Belo Horizonte, após transferência de 12 pacientes para uma ala no Hospital de Pronto Socorro (HPS) João XXIII.

A justificativa apresentada pelo governo foi a necessidade de reforma na UTI da unidade infantil. As obras são de troca de cabos e fios elétricos, expansão de pontos de energia, instalação de rede para implantação do prontuário eletrônico e remodelação da farmácia, de acordo com Lindalva Maria de Souza Santos, assessora do diretor-geral do Complexo Hospitalar de Urgência, composto pelos dois hospitais e o Maria Amélia Lins (Hmal). A previsão é que os trabalhos sejam concluídos até 22 de outubro – dois meses após a remoção dos pacientes.

As crianças foram levadas para uma ala onde funcionava a UTI pediátrica de trauma do João XXIII, então com dez leitos, que foi transferida para o segundo andar do hospital, mas com quatro leitos a menos. De quatro leitos do hospital destinados a pacientes com necessidade de isolamento, dois foram desativados para receber os pacientes do hospital vizinho, totalizando a perda de seis vagas.

Também estão sendo utilizados 16 leitos de retaguarda, que ficam normalmente reservados para atendimentos de emergência ou em demandas elevadas. No local, a deputada Beatriz Cerqueira (PT) e o deputado Lucas Lasmar constataram macas e poltronas no corredor usadas por acompanhantes das crianças para descansar ou dormir.

“O que não era a realidade onde as crianças e os seus familiares estavam”, reclamou a deputada.

Maria Lúcia Barcelos, do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais, denunciou que a transferência das crianças foi feito no horário do almoço, sem o conhecimento de muitos servidores e em condições frágeis. Dois elevadores estavam estragados e foi visto um dos pacientes sendo transportado, intubado, numa maca que não cabia no equipamento.

Diretora executiva do Sind-Saúde, Neusa Freitas, completou que não foram seguidos os protocolos para transporte seguro de crianças, principalmente os pacientes de UTI que apresentam quadro mais delicado de saúde. Lindalva Santos retrucou, afirmando que os servidores da unidade intensiva sabiam de toda a movimentação e as crianças foram transferidas com toda segurança.

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Acompanhantes das crianças precisam descansar em macas improvisadas nos corredores. Foto: Henrique Chendes ALMG

Deputados desconfiam de movimentação

Tanto Beatriz Cerqueira quanto Lucas Lasmar temem que o fechamento da UTI do João Paulo II possa repetir o que aconteceu com o Maria Amélia Lins. O governo desativou 60 leitos, segundo o deputado, com a justificativa da necessidade também de obras e passados oito meses a unidade não foi reaberta. Além disso, o governo contratou um consórcio para gerir o hospital.

“Estamos num esforço para impedir o desmonte da rede Fhemig (Fundação Hospitalar de Minas Gerais)”, reforçou Beatriz Cerqueira.

Os dois parlamentares também questionaram o porquê de o governo não finalizar uma obra de expansão do hospital, que se desenrola desde 2012, em vez de fazer o fechamento da unidade de atendimento. A assessora da diretoria afirmou que é necessário fazer um sistema elétrico para suportar a necessidade de energia das novas instalações.

O diretor do Conselho Estadual de Saúde, Renato Barros além de outros representantes de servidores que acompanharam a visita, também temem que o governo pleneje terceirizar o serviço e acabar ainda com os ambulatórios de doenças raras, que funcionam ao lado da UTI desativada.

A deputada Beatriz Cerqueira criticou o governo que tenta minimizar a movimentação, dizendo que não gerou impacto no atendimento infantil.

“Toda transferência, todo fechamento que depois culmina em uma transferência tem impacto. O João XXIII tem sido sempre aquele que recebe pacientes depois do fechamento de uma ala, de uma área ou de um hospital”, advertiu a deputada para a sobrecarga do HPS.

“A gente vê que as prioridades do governo não são em referência à defesa da saúde e, sim, a temas que são afetos a privatizações, ao desmanche da Fhemig”, criticou Lucas Lasmar que reafirmou que o caso será acompanhado. Beatriz Cerqueira avisou que fará uma visita ao hospital no dia seguinte ao prazo estipulado para reabertura da UTI.

Com informações do site oficial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

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