por Tohru Valadares
Caríssimo ledor(a), no dia 14 de dezembro, o Brasil celebra uma data dupla, que une dois mundos aparentemente diferentes, mas profundamente complementares: o Dia do Ministério Público e o Dia de São João da Cruz. De um lado, uma instituição constitucional que trabalha pela defesa da lei, da sociedade e da justiça; de outro, um santo místico cuja vida revelou a busca da verdade interior, da reforma espiritual e da profunda comunhão com Deus.
Este encontro de significados oferece uma oportunidade única para refletir sobre o papel da justiça seja ela jurídica ou espiritual na construção de uma sociedade mais ética, humana e luminosa.
O 14 de dezembro foi escolhido em razão da promulgação da primeira lei orgânica do Ministério Público, de abrangência nacional, publicada nessa data em 1993. O Ministério Público já presente desde o período imperial teve sua missão consolidada na Constituição de 1988: defensor da ordem jurídica, dos direitos sociais, do regime democrático e do interesse público.
Celebrar esta data é reconhecer o trabalho de promotores, procuradores e servidores que atuam como “advogados da sociedade”, garantindo que a lei não seja instrumento de opressão, mas caminho de igualdade.
Há um eco bíblico nesta missão. A Escritura afirma: “Praticai o direito e a justiça” (Isaías 56:1).
A atuação do MP, quando exercida com retidão, aproxima-se dessa vocação profética: defender o fraco, corrigir o injusto e zelar pela verdade.
Também em 14 de dezembro, a Igreja celebra São João da Cruz (1542–1591), sacerdote carmelita, poeta místico e doutor da Igreja. Ele é lembrado como um dos maiores expoentes da espiritualidade cristã, autor de obras profundas como A Subida do Monte Carmelo e Noite Escura da Alma.
A data marca o dia de sua morte, entendida pela fé como o “dies natalis”, o nascimento para a eternidade. João da Cruz dedicou sua vida à reforma do Carmelo e à busca da união plena com Deus, mesmo enfrentando perseguições, prisões e longos períodos de sofrimento.
Sua espiritualidade nos recorda que a justiça externa exercida por instituições deve caminhar junto com a justiça interior, que nasce do coração purificado.
Como ele escreveu: “Ao entardecer da vida, seremos julgados pelo amor.”
O Ponto de Encontro: Justiça, Verdade e Misericórdia
A junção destas duas celebrações aponta para uma verdade maior: toda sociedade precisa de justiça, e toda justiça precisa de alma.
O Ministério Público tem a missão constitucional de proteger os vulneráveis e zelar pelo cumprimento da lei. O cristianismo, por sua vez, ensina que a verdadeira justiça nasce do amor, da ética e da retidão interior exatamente aquilo que São João da Cruz buscou durante toda sua vida.
Jesus Cristo expressa essa convergência na Parábola do Juiz Iníquo (Lucas 18:1–8). Nela, a viúva injustiçada insiste até que o juiz, mesmo sendo insensível, decide fazer justiça. Jesus conclui: “Por acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a Ele dia e noite?”
A parábola ressalta dois ensinamentos fundamentais:
A necessidade de instituições justas, que respondam aos clamores da sociedade.
A importância da perseverança e da verdade interior, que sustentam toda busca por justiça.
Assim como a viúva não desiste e encontra amparo, espera-se que cada cidadão encontre no Ministério Público um guardião da lei, e na espiritualidade de São João da Cruz uma luz de esperança.
A justiça protege, A espiritualidade ilumina, E ambas, juntas, humanizam a vida social.
Que esta data honre todos os membros do Ministério Público que trabalham para que o direito seja instrumento de dignidade. E que a memória de São João da Cruz inspire cada pessoa a buscar a verdade interior, a coerência de vida e a paz que nasce de um coração justo.
Como diz a Escritura:
“O fruto da justiça semeia-se na paz” (Tiago 3:18). Que a justiça da terra e a justiça do céu continuem caminhando juntas, para o bem de toda a sociedade. Paz&Bem.
TOHRU VALADARES bacharel em Teologia, Filosofia, Licenciado em Ciências da Religião, Psicólogo, Pós-graduado em conselhamento Cristão e Capelania, mediação de conflitos, filosofia Religiosa e ecopedagogia.





