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quinta-feira, 9 abril, 2026

O isolamento de Washington e o novo incêndio no Oriente Médio

Com o Isolamento e o fim das coalizões, diferente de conflitos anteriores, os EUA enfrentam o Irã em uma solidão diplomática quase inédita, contando apenas com o apoio de Israel
Ilustração reproduzida da internet

O isolamento de Washington e o novo incêndio no Oriente Médio

Por Hermínio Fernandes

WASHINGTON – A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, deflagrada em 28 de fevereiro de 2026, atinge um ponto de inflexão. Embora a retórica inicial de Donald Trump sugerisse uma invasão terrestre — nos moldes da campanha no Iraque em 2003 —, o Pentágono parece recuar. Três pilares sustentam essa hesitação estratégica: o isolamento diplomático, a resistência militar iraniana e a asfixia econômica global.

Com o Isolamento e o fim das coalizões, diferente de conflitos anteriores, os EUA enfrentam o Irã em uma solidão diplomática quase inédita, contando apenas com o apoio de Israel. O desgaste da administração Trump com a OTAN, fruto de políticas protecionistas e tensões tarifárias com a Europa, desmantelou a frente ocidental. Sem o respaldo logístico e político dos aliados europeus, Washington perde o fôlego para uma ocupação de longo prazo.

O fator russo-chinês e a sucessão xiita

A resiliência de Teerã surpreendeu o comando americano. Com apoio tecnológico e militar direto de Moscou e Pequim, o Irã tem desferido contra-ataques precisos contra aliados regionais, como Arábia Saudita e Emirados Árabes.

Internamente, a morte do aiatolá Ali Khamenei em uma operação conjunta entre EUA e Israel não paralisou o regime. Pelo contrário, a ascensão de seu filho, Mojtaba Khamenei — que teria perdido a família direta nos mesmos bombardeios —, unificou o país sob uma retórica de "guerra total" e vingança, eliminando qualquer margem para diplomacia imediata.

O preço da bomba e o custo político

No front doméstico, o pragmatismo econômico fala mais alto. O barril de petróleo ultrapassou a marca dos US$ 120, implodindo a principal promessa de campanha de Trump: a energia barata. Com a inflação galopante nos postos de gasolina americanos e declarações presidenciais cada vez mais erráticas, a popularidade do republicano desmorona.

Enquanto tenta gerir uma guerra que prometeu não iniciar e conter o caos econômico, Trump ainda se vê acuado pelo sistema judiciário com o ressurgimento de investigações sobre o caso Jeffrey Epstein. Entre o fogo no Golfo e as chamas internas em Washington, o recuo estratégico pode ser a única saída para evitar um colapso total da administração.

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