POR TIM FILHO E ANA PAULA SILVESTRE
A semana foi pesada. Tudo por causa de um fato que muitos não queriam que tivesse acontecido. Mas aconteceu. Na segunda-feira (3/6), um avião bimotor decolou do Aeroporto de Governador Valadares com destino à bela Florianópolis, em Santa Catarina. A decolagem aconteceu por volta de 14h, com previsão de chegada 3 horas depois.
Mas o voo não chegou ao seu destino. Pousou na "outra margem do rio", com o piloto Geraldo Cláudio de Assis Lima e o empresário Antônio Augusto de Castro Santos, 52 anos de idade, engenheiro formado no MIT, de Governador Valadares, profissional bem-sucedido, que construiu carreira sólida na construção civil pesada em várias usinas hidrelétricas, e que agora, tinha a sua própria empresa, a Antônio Augusto Construtora.
O voo que não chegou ao seu destino foi noticiado aqui no Jornal da Cidade GV e pela imprensa nacional. Toda a saga deste voo pode ser lida na web, com uma busca simples. Mas nesta edição de domingo, o JC apresenta uma outra versão do fato, real e poética. O avião não caiu. Pousou na outra margem do rio. Essa margem, a terceira, é onde não podemos chegar. Ainda. Um dia chegaremos, quando atingirmos aquele estágio vital apontado pelo escritor João Guimarães Rosa como "encantamento". Ele escreveu, em 1967, que "as pessoas não morrem, elas ficam encantadas... a gente morre para provar que viveu".
Morador de Governador Valadares, com família constituída aqui, nesta cidade ensolarada, Antônio Augusto, o Guto, foi ali e deixou um legado que certamente será honrado pela sua família, esposa e filhos. Para todos, ele deixou as melhores lembranças.
Pra quê se entristecer se o legado que ele deixou é de alto astral, pra cima, de trabalho, de determinação? Todos sabem que é inevitável não se entristecer, mas é urgente e necessário que todos os seus familiares e amigos incorporem a alegria e a coragem dele, que está na outra margem do rio, em puro estado de encantamento.
A semana foi pesada, sim. Mas agora, vai ficar leve, com a leveza das lembranças dos amigos que Antônio Augusto conquistou por aqui.
Missa de sétimo dia
A Missa de sétimo dia, em intenção da alma de Antônio Augusto será celebrada nesta segunda-feira (10/6), às 17h30, na Capela do Imaculada.
As lembranças dos amigos
O Jornal da Cidade GV pediu a alguns amigos de Antônio Augusto para escrever sobre ele, sobre momentos que viveram durante todos esses anos. Cada depoimento é um retrato perfeito de quem ele era.
AA foi um grande líder
Antônio Augusto, conhecido por muitos como Guto e, para nós do Trecho, como AA. Ele foi um grande líder, um líder nato que inspirou e guiou seus liderados de diversos cantos do país na construção de um grande sonho: a CAA. Antônio Augusto nos deu o alicerce e construiu a base, mas hoje nos tirou o chão. O que foi sua luta, hoje é o nosso luto. Agradecemos por tudo que fez por nós. Descanse em paz, AA, não teremos o 1o Encontro de Líderes de Negócio nesse dia 6 aqui em Joinville, conforme combinado, mas seguiremos firmes, mantendo vivo o seu sonho. Por Graciela Donizeti, liderada.
Uma liderança inspiradora
Antônio Augusto, sua liderança inspiradora e dedicação inigualável deixarão uma marca indelével em nossos corações e na história. Que sua luz continue a brilhar através das muitas vidas que tocou e das realizações que alcançou. Que a força e o conforto estejam presentes em seus familiares, amigos e colegas nesse momento de profunda dor e que encontrem consolo na memória deste líder excepcional que deixou um legado de valor inestimável. Nossos pensamentos e orações estão com todos aqueles que foram impactados por essa perda irreparável. Por Anderson Cougo, um amigo de trabalho.

O sorriso do Guto
É extremamente triste, inacreditável perder uma pessoa tão incrível! O Guto, desde a época da faculdade, estava sempre sorrindo. Em 1995, a gente passava um perrengue, eu trabalhando pra uma empreiteira na Cenibra e ele estagiário em uma usina hidrelétrica.
Eu tinha que pegar o ônibus da Gontijo às 05h50 da manhã pra descer na porta da Cenibra e ir trabalhar. E lá estava o Guto na rodoviária! Passando pelo mesmo perrengue toda manhã, com o "mó" sorrisão no rosto. Eu não entendia o que se passava na cabeça daquele menino pra estar com aquele sorriso no rosto, numa hora daquela, de madrugada.
Eu tinha "mó" inveja de ele descer antes de mim, e ele, com disciplina, força de vontade e a personalidade gentil e inteligente, foi à frente, crescendo e crescendo, e humilde do mesmo jeito, com o mesmo sorrisão de sempre, mesmo estando na posição profissional topíssima, que qualquer estudante de engenharia da nossa época poderia sonhar. Eu tinha tanta admiração e orgulho de ter visto o crescimento dele.

É triste demais saber que ele não vai estar mais no mundo conquistando mais e sendo sempre o orgulho dos colegas. Por Patrícia Valentina Dutra, colega de faculdade, amizade sincera.
Os guerreiros de Itapebi
No fim do ano de 1999, a Construtora Odebrecht liderou um Consórcio para a construção de uma grande hidrelétrica, a UHE Itapebi, no sul da Bahia.
Na equipe para execução da obra, a Odebrecht levou vários jovens engenheiros, num programa chamado Jovens Parceiros, que estavam ali para trabalhar e aprender, para estarem preparados para futuros projetos em funções de maior responsabilidade.
Esse grupo de jovens engenheiros da Odebrecht, junto com outros de empresas partícipes da construção da hidrelétrica, rapidamente tornou-se uma irmandade.
Fazíamos praticamente tudo junto, num regime de 24x7, pois era trabalho, refeições, lazer e até na hora de dormir, pois cada dupla dividia o quarto no alojamento do acampamento.
Nós mesmos nos batizamos de Guerreiros. Começava ali uma amizade para a vida toda.

Guerreiros de Itapebi. Foto: Divulgação
O tempo foi passando, os jovens engenheiros se desenvolvendo profissionalmente, cada um indo para um canto do país (e alguns do mundo).
Em 2019, tivemos a oportunidade de nos reunir na Bahia com as famílias, para comemorar os 20 anos de amizade. Foi um momento que todos guardaremos para sempre.
O acidente de 03/06/2024 foi a primeira baixa dos Guerreiros. Tão cedo e de forma tão trágica. Sem palavras.
Guto, um amigo para todas as horas e um engenheiro de mão cheia. Seu sucesso profissional foi muito justo e merecido. E o grande homem que foi seguirá aqui entre nós, através de seus filhos, Valentina e Enrico.
Descanse em Paz, Guerreiro. Por Walfredo Filho, engenheiro, um dos Guerreiros de Itapebi, grupo do qual Antônio Augusto era integrante e fiel escudeiro.
O menino que se tornou líder
Esse menino aí se tornou um gigante, líder, competente encarou desafios e realizou obras de grande porte (Em Teles Pires, por exemplo, eram 7 mil funcionários sob seu comando), com maestria. Devo a ele a confiança que me deu e me fez crescer profissionalmente. Vá em paz AA (assim ele era chamado nos canteiros), você nos deixou um legado e um exemplo. Por Gustavo Peres, amigo do trabalho.





