Nesta sexta-feira (27/2), a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou a segunda fase da operação Firewall, que apura acessos indevidos ao sistema de Justiça, e cumpriu mandados de prisão preventiva contra uma mulher, de 45 anos, e um homem, de 19, além de uma medida de internação provisória contra um adolescente de 16 anos.
A investigação é conduzida pela Delegacia de Polícia Civil em Peçanha, na região do Rio Doce, e as ações foram executadas no Distrito Federal e no estado de Goiás, com apoio das polícias civis locais.
Durante a operação, também foram executados dois mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário de Minas Gerais após representação da PCMG e manifestação favorável do Ministério Público.
Foram apreendidos telefones celulares e outros dispositivos eletrônicos, que serão submetidos à análise técnica para aprofundar a apuração e identificar possíveis outros envolvidos.
Ataques a autoridades
Nesta fase, os levantamentos indicaram tentativa de acesso indevido às credenciais institucionais do magistrado responsável pelo controle judicial do caso, além de bloqueios de valores realizados por meio do sistema Sisbajud em contas vinculadas ao juiz e ao delegado à frente da investigação.
Os atos teriam sido viabilizados após a invasão das credenciais funcionais de uma servidora pública do estado de Sergipe, utilizadas de forma ilícita para promover constrangimento institucional. A conduta é apurada como tentativa de intimidação e interferência no regular funcionamento das instituições de Justiça.
O delegado Marceleandro Silva, responsável pelo inquérito, afirmou que ataques dessa natureza não serão tolerados e que a Polícia Civil atuará com rigor técnico diante de qualquer tentativa de violação de sistemas oficiais ou constrangimento de autoridades. “A operação segue em andamento, e a análise do material apreendido poderá gerar novos desdobramentos”, adiantou.
Primeira fase
Deflagrada no início de fevereiro, a primeira etapa da operação Firewall cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em Goiás e no Distrito Federal. As investigações apontaram esquema de acesso indevido a sistemas do Judiciário, com indícios de manipulação de informações, como consultas processuais e registros relacionados ao cumprimento de mandados, mediante uso de técnicas de engenharia social para obtenção de credenciais de servidores.
Integração
A ação foi realizada em conjunto com o Gabinete de Segurança Institucional do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (GSI/TJMG), com apoio dos Núcleos de Inteligência e Segurança Institucional dos Tribunais de Justiça de Santa Catarina e de Goiás, da Polícia Civil de Santa Catarina e do Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), reforçando a atuação integrada no enfrentamento de crimes cibernéticos que atentam contra o sistema de Justiça.





