por Marcius Túlio
Não sou um especialista em Segurança Pública, não mais. Não tenho ao meu dispor um aparato de inteligência que sustente o meu ponto de vista ou me forneça informações que tragam subsídios tangíveis para posicionar-me sobre a situação atual em qualquer lugar do país ou do mundo.
Embora já tenha enfrentado situações policiais de alta complexidade, isso se deu há mais de 15 anos, enquanto ainda estava na ativa, o cenário atual é diferente sob vários aspectos, dentre os quais destaco a inoperância do sistema legal que hoje tomou um aspecto estranhamente desfavorável aos valores que aprendi a respeitar e defender, mesmo com o sacrifício da própria vida.
Os conceitos defendidos pela pretendida Nova Ordem Mundial trazem um ambiente pontualmente hostil aos Encarregados de fazer cumprir a Lei, submetendo-os a uma linha extremamente tênue, uma verdadeira “corda bamba”, onde se prostram entre dois fogos, de um lado a criminalidade em suas várias modalidades e de outro um sistema político que se acotovela em busca de visibilidade e de protagonismo traduzidos em votos.
Embora não me considere mais um “especialista”, arrisco afirmar que os lamentáveis episódios que testemunhamos no Brasil, culminados, até agora, nos lamentáveis fatos ocorridos na cidade do Rio de Janeiro, que tiraram a vida de 4 Heróis da Sociedade, já ultrapassaram o patamar de Segurança Pública.
Não se trata mais de combate ao crime ou à criminalidade, trata-se de um conflito de proporções muito maiores, objetivando controle de territórios e de populações dentro no próprio Estado, em desacordo com a ordem social ainda vigente.
É estarrecedor, para não dizer asqueroso, deparar com formadores de opinião, leia-se, grande mídia e alguns políticos, eleitos pela ordem social que os elegeu, fincarem seus posicionamentos em pareceres de “especialistas” de gabinete para demonizar as polícias, desprezando o fato de que estas são o último bastião que salvaguarda a sociedade do caos definitivo.
A rotina vivenciada hoje no país, onde conflitos entre forças regulares e grupos armados, a ponto de ocorrerem cotidianamente as chamadas tocaias para exterminar agentes de segurança e os tenebrosos “justiçamentos” a inimigos ou dissidentes se aproximam aos Conflitos Armados Não Internacionais (Cani), definidos nas Convenções de Genebra de 1949.
Os especialistas, que devoram livros e mais livros de Sociologia, de Psicologia e de Antropologia, mas que nunca subiram ou desceram os morros com um alvo pintado na testa resta condenar as ações legais impostas pela própria sociedade que dizem defender, se colocando como pacificadores de gabinete, usando champanhe e caviar em suas intermináveis turnês como solução.
Ao se adaptar ao capitalismo, o proletariado perdeu status na Revolução de Marx, seus discípulos ou ideólogos, ávidos pelo controle total, mas deixados à deriva pelos seus soldados revolucionários, encontraram nos desajustados sociais seu no exército, de fácil acesso e perfeito manuseio, e a Revolução sobreviveu.
Entretanto, sem dinheiro não se faz Revolução, especialmente quando se pretende concebê-la culturalmente para o controle de toda uma geração, o escudo ideológico esconde a corrupção e o narcotráfico financia toda a operação de forma terceirizada, com tutelas estatais, interferindo e interagindo com a geopolítica.
Os especialistas teóricos, em sua sanha tresloucada, procuram dados estatísticos que justifiquem ações humanas, como se os humanos fossem apenas números, Treblinka deixou adeptos, elegem como culpados os que anseiam cumprir e ver cumprir a lei, ganhando notoriedade e excelência.
Ensandecidos pela sensação de poder, os revolucionários da nova ordem se deliciam na violência almofadada pelos discursos e pelo dinheiro sujo de sangue cuja fonte parece ser inesgotável a ponto de macular e deturpar a natureza humana.
Paz e Luz.
Marcius Túlio é Coronel da Polícia Militar de Minas Gerais e analista político





