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terça-feira, 18 novembro, 2025

Parlamentares da oposição e sindicalistas criticam privatização da Copasa

Risco de aumento de tarifas e de piora da qualidade dos serviços de saneamento básico são motivos de preocupação.
Parlamentares oposicionistas reclamam da falta de informações técnicas para fundamentar a decisão de desestatização da Copasa. Foto: Willian Dias ALMG

A proposta de privatização da Copasa foi criticada por sindicalistas e parlamentares da oposição na tarde desta terça-feira (18/11/25), durante audiência realizada pela Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Eles chamaram a atenção para o risco de aumento de tarifas e de comprometimento da qualidade dos serviços de abastecimento de água e de coleta e tratamento de esgoto.

A venda da Copasa está prevista no Projeto de Lei (PL) 4.380/25, do governador Romeu Zema, que aguarda parecer de 1º turno da Comissão de Administração Pública. A operação integra o pacote de medidas do Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag), por meio do qual o Governo do Estado pretende amortizar a dívida de Minas Gerais com a União.

Os parlamentares oposicionistas, que solicitaram a realização da audiência pública, reclamam da falta de informações técnicas para fundamentar a decisão de desestatização da Copasa. Foi o que argumentou a deputada Beatriz Cerqueira (PT), que considerou o PL 4.380/25 desnecessário e criticou o Governo do Estado. 

Já a deputada Bella Gonçalves (Psol) manifestou preocupação com a continuidade dos contratos firmados pela Copasa com os municípios. A parlamentar lembrou que, no contrato com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a manutenção do controle acionário pelo Estado é condição para a continuidade da prestação de serviços pela empresa. Segundo ela, a PBH não foi consultada sobre a proposta de privatização.

Por sua vez, lideranças sindicais alegaram que não há necessidade de privatizar a Copasa.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água (Sindágua), Eduardo Pereira de Oliveira, disse que a falta de coleta e tratamento de esgoto se dá nos municípios que não contrataram a prestação do serviço pela empresa. No seu entendimento, a Copasa poderia ser utilizada pelo Governo do Estado para atingir as metas do Marco Legal do Saneamento Básico.

O coordenador do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento, Amauri Pollachi, alertou para o risco de oligopolização dos serviços de saneamento básico em todo o Brasil. Segundo ele, as privatizações levaram ao domínio do setor por cinco grupos econômicos, que pertencem a fundos de investimento sediados no exterior.

“Os serviços de água e esgoto estão saindo das mãos de empresas públicas responsáveis e qualificadas e estão sendo repassados para conglomerados financeiros cujos únicos objetivos são o lucro e a divisão de dividendos entre seus acionistas.”

Amauri Pollachi - Coordenador do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento

Segundo Amauri Pollachi, os efeitos negativos da privatização já podem ser observados em São Paulo, onde a Sabesp passou a ter como principal acionista a Equatorial Participações e Investimentos. O especialista disse que os volumes elevados de investimentos provocaram alta de custos e aumento de tarifas. Ele ainda informou que os programas de demissão voluntária adotados pela empresa resultaram no enxugamento de metade do seu quadro de pessoal.

Um dos temores com uma eventual privatização da Copasa é a demissão de funcionários da companhia. Foto: Willian Dias ALMG

Governo alega que privatização vai viabilizar universalização do saneamento

O diretor-presidente da Copasa, Fernando Passalio, reafirmou o compromisso da empresa com a qualidade dos serviços prestados à população mineira e reforçou que o Marco Legal do Saneamento vai exigir investimentos robustos para universalizar o acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto.

Entre 2011 e 2025, a média anual de investimentos da Copasa foi de R$ 1,1 bilhão. Para garantir a universalização de serviços prevista no Marco Legal do Saneamento, será necessário aumentar essa média para R$ 3,4 bilhões por ano. “É um valor extremamente alto para a atual realidade da empresa”, afirmou.

Fernando Passalio ainda afastou a possibilidade de aumento de tarifas e de demissão de funcionários da Copasa, após a privatização. Ele reforçou que a tarifa social será mantida e argumentou que os investimentos necessários para ampliar o acesso à água e esgoto tratados vão exigir a contratação de 1,5 milhão de trabalhadores até 2033.

O secretário de Estado adjunto de Desenvolvimento Econômico, Frederico Amaral e Silva, reforçou que a privatização é necessária para levar acesso à água a 3,7 milhões de pessoas e coleta e tratamento de esgoto a 5,7 milhões de pessoas. Segundo ele, 327 municípios mineiros não contam com tratamento de esgoto atualmente.

De acordo com o secretário adjunto, a Copasa, por ser uma empresa estatal, tem excesso de burocracia e interferências políticas, o que compromete o seu desempenho. A privatização, no seu entendimento, vai fortalecer a empresa e reduzir os entraves burocráticos à sua atuação, além de reduzir a insatisfação dos municípios com a qualidade dos serviços prestados.

Com informações do site oficial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais


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