Os prefeitos das cidades afetadas pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, se reuniram, nesta quarta-feira (21), em Belo Horizonte, para uma entrevista coletiva com o objetivo de cobrar maior rigor por parte da justiça brasileira quanto ao destravamento das renegociações.
A coletiva aconteceu no auditório da Associação Mineira de Municípios (AMM). As palavras indignação e frustação pautaram os discursos.
Desde o rompimento da barragem, há oito anos, os municípios envolvidos têm trabalhado incansavelmente para mitigar os danos e restaurar a normalidade em suas comunidades. Para fortalecer essa luta, foi criado o Fórum Permanente dos Prefeitos da Bacia do Rio Doce.
No entanto, os esforços realizados até o momento não alcançaram os resultados esperados, gerando indignação. Durante a reunião, os prefeitos puderam compartilhar suas experiências, frustrações e preocupações quanto à repactuação das ações de recuperação do Rio Doce.
O prefeito de Governador Valadares, a maior cidade atingida pelos rejeitos da barragem, André Merlo, demostrou sua insatisfação com o acordo e explicou os problemas que têm enfrentado desde a tragédia ambiental.
“Até hoje a população continua sofrendo, desrespeitada, com poucas reparações e compensações. As empresas anunciam que querem a repactuação, mas elas estão empurrando para frente o acordo. E depois, queriam dividir o pagamento em 15 anos. Um absurdo. E agora estão reduzindo para oito anos. O nosso desejo é que seja em cinco anos.
Em Valadares, temos a construção de uma nova captação de água, porque ainda captamos 100% da água do Rio Doce. Segundo a Fundação Renova, a nova adutora está pronta, mas não foi entregue com funcionalidade.
A água do SAAE tem ISO 9001, nós temos segurança hídrica, mas a tragédia em si criou uma questão cultural de tal forma que as pessoas não quererem consumir a água oriunda do rio. Além disso, o Hospital Regional que está para ser concluído com o recurso destinado da tragédia, está parado também”, destacou.
Além disso, o prefeito André Merlo se lembrou das últimas enchentes de Valadares, da lama de rejeitos que invade as ruas dos bairros ribeirinhos.
“Em sete anos, tivemos cinco enchentes. O rio está assoreado pela lama. As empresas não aceitam isso. Temos ações do Município contra as empresas mostrando que a lama do rejeito está lá. Hoje, quando tem enchente e precisamos limpar a cidade, temos que usar caminhões e máquinas pesadas para limpar essa lama.
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Isso impacta na vida das pessoas, além das consequências para as empresas que dependem do Rio Doce. Temos pescadores, pessoas ribeirinhas que vivem do Rio Doce e têm suas vidas atingidas que não foram reparadas até o momento”.
O presidente do Consórcio Público de Defesa e Revitalização do Rio Doce (CORIDOCE), prefeito José Roberto Gariff Guimarães (Beto), de São José do Goiabal, de Minas Gerais, convocou o poder do Estado e da União para se envolverem diretamente no processo.
“É necessário que o presidente da República Lula, o governador Romeu Zema, o governador do Espírito Santo, Renato Casa Grande, e o ministro do STF, Luiz Roberto Barroso, chamem para a mesa de negociação da Repactuação os CEOs das empresas Vale, Sarmarco e BHP. R$ 590 bilhões foi o faturamento dessas empresas pós-acidente.
E depois de três anos, foi demonstrado que o acordo não pode ser menos do que R$ 126 bilhões, não deduzindo o que já foi gasto. E as empresas vêm com uma proposta absurda e desrespeitosa de R$ 42 milhões.
Mineiros e capixabas atingidos, população afetada, pessoas que perderam suas casas e famílias que perderam seus entes queridos”.
A entrevista coletiva é um dos desdobramentos da última reunião entre representantes do Fórum Permanente de Prefeitos, realizada no final de janeiro deste ano, quando foram compartilhadas as preocupações dos municípios quanto à repactuação do acordo de Mariana (MG).
No final da reunião, foi divulgada uma carta aberta em caráter mundial, com o objetivo de externar todas as preocupações e anseios dos municípios impactados e criar uma verdadeira mobilização que garanta ações compensatórias e reparatórias na recuperação de todo prejuízo decorrente do rompimento.
Participaram da coletiva os prefeitos Mauro Pereira (Rio Doce – MG), Marleyde de Paula Mucida Miranda (Rio Casca – MG), Bruno Margotto Marianelli (Linhares – ES); Sérgio Meneguelli – (Colatina – ES) e Eder Eloi Alves (Sem-peixe MG); além do deputado estadual Enes Cândido, vereadores e outras autoridades.
Leia a carta na integra! (em anexo).
por Secretaria de Comunicação e Mobilização Social da Prefeitura de Governador Valadares
