Em coletiva de imprensa na noite da última sexta-feira (7), o prefeito Coronel Sandro anunciou medidas para enfrentar a atual situação financeira do município e reorganizar os serviços públicos. Três frente críticas foram identificadas pela atual gestão ao retomar o comando do município, dentre elas estão: irregularidades em contratações, o descumprimento dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal e a superlotação do Hospital Municipal de Governador Valadares (HMGV).
Segundo o secretário municipal de Fazenda, Thiago Henrique Ferreira, a Prefeitura encontrou, no mês de julho, uma situação financeira considerada ainda mais difícil do que a que se encontrava anteriormente. Ele citou a ausência de alguns repasses constitucionais e a necessidade de recursos para cumprir compromissos legais, como os investimentos em saúde e educação, o repasse à Câmara Municipal e o pagamento dos servidores.
Para honrar os pagamentos do mês, a Prefeitura teve de utilizar recursos que estavam reservados para servidores, comprometendo o planejamento do fim do ano. “Desde o início do ano, a gente já havia programado e estava separando um recurso para que fosse feito o pagamento do 13º salário do servidor. É natural que a gente faça um planejamento durante todo o ano para que a gente não seja surpreendido no final do ano”, explicou Thiago.
O secretário informou ainda que, no primeiro semestre de 2026, as despesas cresceram em ritmo superior ao das receitas. Diante desse cenário, a Prefeitura deverá revisar contratos e cortar gastos considerados não essenciais, priorizando áreas como saúde, educação, assistência social e o pagamento dos servidores.
Contratações serão revistas
A administração identificou 278 pessoas autorizadas a trabalhar em secretarias municipais sem que os atos de contratação tivessem sido devidamente publicados no Diário Oficial. “A publicidade é um requisito essencial a todo ato público. Nós estamos instaurando uma sindicância para investigar por qual razão essas pessoas foram determinadas a iniciar um trabalho sem que todo o processo estivesse concluído”, afirmou o prefeito Coronel Sandro.
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A prefeitura garantiu que os trabalhadores não serão prejudicados pelo período já trabalhado, mas o pagamento dos valores devidos fica condicionado à conclusão do levantamento sobre a efetiva prestação dos serviços.
Das 278 pessoas, 178 atuavam na área da Saúde. O secretário municipal da pasta avaliou que parte delas precisa continuar – especialmente no hospital e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) – mas uma parcela não poderá ser mantida, justamente pela situação fiscal que impede novas contratações.
Hospital Nossa Senhora das Graças
será requisitado para aliviar superlotacão
Para ampliar a capacidade de atendimento, diminuindo a superlotação, a prefeitura assinou um decreto de requisição administrativa do Hospital Nossa Senhora das Graças, unidade particular que conta com 45 leitos ociosos, dos quais 35 estão em condições imediatas de uso, além de quatro salas cirúrgicas, sendo duas já aptas para funcionamento. O prefeito ressaltou que a requisição não é gratuita. “O município vai pagar o que é justo pelo uso das instalações, avaliado de acordo com o mercado, para que não haja prejuízo aos proprietários”, afirmou.
O fluxo de atendimento seguirá uma lógica de regulação: os pacientes darão entrada no HMGV ou na UPA e, a partir daí, serão encaminhados ao Hospital Nossa Senhora das Graças conforme necessidade, evitando nova superlotação..
A prioridade agora são os serviços essenciais
Essas medidas, segundo o prefeito Coronel Sandro, fazem parte de um plano de reorganização das contas públicas, uma vez que o município possui potencial de crescimento. Mas para que haja o controle das despesas é necessário garantir que os recursos públicos sejam direcionados prioritariamente às áreas essenciais.
O empenho nos próximos meses será voltado para reduzir despesas, recuperar o equilíbrio fiscal e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade de atendimento à população, especialmente na área da saúde.
