Quando a insegurança passa acomandar a sexualidade a masculina

Deixar com que um medicamento se transforme numa espécie de “segurança psicológica” contra o medo de falhar sexualmente, já demonstra o aumento desta insegurança

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tadalafila

POR LEONARDO VIEIRA

Tenho observado um aumento na procura, por parte de homens jovens e até adolescentes, por medicamentos cujo princípio ativo é a tadalafila — popularmente associada ao “Cialis” — com o objetivo de melhorar o desempenho sexual. Mas essa melhora realmente acontece? E quais são os impactos dessa prática na vida desses jovens e adolescentes?
Inicialmente precisamos apresentar fatores que não sustentam a melhor performance sexual que muitos homens em plena forca da juventude não faz sentido pois, os corpos cavernosos do pênis durante a adolescência e juventude já possui uma ótima vascularização não precisando de mais “potência” a não ser, em raras exceções que devem ser acompanhadas por profissionais médicos, sem contar que a automedicação é algo extremamente danoso sem a devida orientação médica especializada.

Outro cuidado extremamente necessário a ser colocado é o aumento da pornografia que traz um impacto forte na mente dos que possuem esse vício, pois a idealização do sexo visto no filme, não traduz a realidade da sexualidade, e ai que muitos homens, jovens e adolescentes se baseiam no “sexo ideal” do filme pornô do que na realidade da vivência sexual e isso destrói e mente em vários aspectos de quem pratica e não podemos deixar de evidenciar a o senso de desvalor que produz em sua parceira ao perceber que o seu parceiro precisa de um “estimulante sexual” para ter relação com ela, será que isso ela se sentir realmente atraente e desejada para seu parceiro?

Deixar com que um medicamento se transforme numa espécie de “segurança psicológica” contra o medo de falhar sexualmente, já demonstra o aumento desta insegurança. O jovem pode começar a acreditar que precisa do comprimido para conseguir uma ereção, satisfazer a parceira ou corresponder às expectativas que criou sobre o que significa ser um “homem de verdade” ou porque quer ter um “sexo brutal”, também já ouvi isso várias vezes.

Essa percepção pode alimentar a ansiedade de desempenho sexual. Antes mesmo da relação, surgem pensamentos como: “E se eu não conseguir?”, “E se minha parceira se decepcionar?”, “Será que vou dar conta?”. A atenção não está focada para o prazer, a intimidade e a conexão e sim no seu desempenho da forma devo funcionar isso faz com que;
O estado de vigilância seja maior, aumentando a ansiedade.

Autoestima e imagem de masculinidade fique distorcida e disfuncional

Na adolescência e no início da vida adulta, a autoestima e a identidade ainda estão em processo de construção, e o modo como vê sexualidade ocupa um espaço importante nessa formação, sem contar que a adolescência não é o momento ideal para o início da sexualidade, pois o adolescente ainda não maturidade para lidar com tal conexão que demanda grande intimidade e possui uma grande intensidade e densidade que vai além sexo e assim, envolve vários outros aspectos que não devem ser ignorados, pois as consequências futuras podem ser muito prejudiciais reverberando à vida adulta.

De acordo com vários autores da área, este é o momento de compreender o papel da sexualidade na vida, como ela afeta nossas emoções, crenças e comportamentos e a vida como um todo, e isso a maioria dos pais não sabem fazer, desta forma, não abordam como se deve e a tendência é ou se calam ou partem ao liberalismo ou trazem a imagem do sexo de ser algo sempre recriminado, errado, vulgar e até mesmo sujo, agora como um adolescente irá se sentir seguro e confiante em se abrir? Pois pela percepção dos pais a sexualidade não deve ser nada boa ou boa demais que merece ser tratado como um tesouro escondido, onde eu adolescente construirei meus próprios caminhos para buscar pois meus pais escondem de mim não me orientando,, isso é um papel parental e não deve ser delegados a sociedade, Os pais precisam de apoio também para desenvolver habilidades orientação aos seus filhos quanto a sexualidade, pois muitos não sabem abordar e conectar-se com os filhos para orienta-los modo que o adolescente se sinta também seguro para ser compreendido dentro da própria casa.

E diante de tal desorientação o jovem acaba associando masculinidade à potência sexual, tamanho do pênis, duração da ereção ou capacidade de satisfazer o parceiro, uma dificuldade sexual eventual pode ser interpretada de maneira exagerada: não como uma situação normal, mas como uma prova de inadequação.

Desta forma, com o tempo pode surgir o medo de experimentar uma relação sexual sem o comprimido. Esse medo aumenta a ansiedade, e a ansiedade, por sua vez, pode interferir na resposta sexual.

Esse processo inicialmente não deve ser confundido automaticamente com dependência química. O problema pode ser principalmente psicológico e comportamental, relacionado à crença de incapacidade e à perda progressiva de confiança no próprio funcionamento sexual.

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E a pornografia onde está nisto tudo?
Também é necessário considerar o ambiente cultural no qual esses jovens estão construindo suas expectativas.

A pornografia e as redes sociais podem apresentar modelos irreais de corpo, masculinidade e desempenho sexual. Para alguns jovens, isso cria a sensação de que uma relação sexual precisa ser uma espécie de apresentação ou teste de performance.

Medicamentos como tadalafila pode então aparece como uma ferramenta para tentar alcançar esse padrão imaginário. O trabalho psicológico precisa ajudar o jovem a diferenciar expectativa, fantasia e realidade.

Uma relação sexual não é uma competição. Ereções podem oscilar. Ansiedade pode acontecer. O desejo pode variar. Nem toda relação sexual precisa terminar da mesma maneira. E uma experiência sexual satisfatória envolve comunicação, intimidade, consentimento, prazer e segurança — não apenas desempenho erétil.
Como lidar emocionalmente com esta disfuncionalidade mental e emocional?

O tratamento não deve se limitar à orientação para interromper o uso. É necessário compreender qual necessidade emocional o medicamento está tentando compensar.
nós psicoterapeutas precisamos investigar clinicamente a ansiedade de desempenho, autoestima, insegurança corporal, medo de rejeição, expectativas sobre masculinidade, experiências sexuais anteriores e possíveis influências sociais.

Também é importante trabalhar a ideia de que uma eventual dificuldade de ereção não define a masculinidade, o valor pessoal ou a capacidade de estabelecer relações afetivas.
Mais do que retirar o comprimido, é preciso tratar o medo, o principal desafio é compreender que, muitas vezes, o problema não está apenas na substância, por trás do comprimido existe um jovem com medo de decepcionar, de ser rejeitado, de não corresponder às expectativas ou de descobrir que não é tão seguro sexualmente quanto acredita que deveria ser.

Por isso, cuidar desse fenômeno significa ir além da pergunta “por que ele está tomando esse tipo de medicamento?” e sim também “Do que ele está tentando se proteger quando busca esse recurso? Essa pergunta pode abrir caminho para uma intervenção mais humana e eficaz.

A prevenção passa por educação sexual baseada em evidências, diálogo aberto, redução da pressão por desempenho e acesso a profissionais capacitados. Afinal, ensinar adolescentes e jovens a cuidar da saúde sexual também significa ensiná-los que não precisam provar seu valor através do desempenho sexual.

Sobre o autor

Leonardo Sandro Vieira é Mestre, especialista em Terapia Cognitivo de Esquemas, em Neurologia e Neurociências. Psicólogo CRP: CRP: 4329/04 – Contatos: 33-988186858

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