Quem conta a história do território?: Circuito Vale Vivo leva formação e audiovisual a comunidades tradicionais do Leste mineiro

Iniciativa do Núcleo Cidade Futuro e Favela É Isso Aí combina debates sobre a Política Nacional de Cultura Viva e oficinas de registro comunitário entre 22 e 25 de setembro

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Pataxó

Quem conta a história do território? Para responder a essa provocação dando voz ao protagonismo local, os Pontos de Cultura Núcleo Cidade Futuro e Favela É Isso Aí realizam, entre os dias 22 e 25 de setembro, o Circuito Vale Vivo. A iniciativa percorre três comunidades do Vale do Rio Doce, o Quilombo Ilha Funda, a comunidade do Bumba meu Boi e Batucada de Felicina, e a Aldeia Indígena Geru Tucunã Pataxó.

Em cada território, a programação une formação em políticas públicas e produção audiovisual. O público participa da palestra Cultura Viva, ministrada pela antropóloga Clarice Libânio (idealizadora do Guia Cultural de Vilas e Favelas), e da oficina “Do Território à Tela”, conduzida por Emanuele Rocha. Nas oficinas, os próprios moradores constroem roteiros e gravam minidocumentários a partir de rodas de memória e cartografia narrativa.

A ação integra os projetos Beabá Audiovisual (do Ponto de Cultura Cidade Futuro) e Mostra da Diversidade Cultural (do Favela É Isso Aí).

Vivência ancestral e celebração comunitária

Na Aldeia Geru Tucunã Pataxó, no dia 24, a programação conta com o Ritual Cozinhado das Crianças, tradição Pataxó focada na transmissão intergeracional de saberes.

O encerramento do circuito ocorre no dia 25 de setembro, reunindo as três comunidades na Aldeia Geru Tucunã. A agenda de integração inclui roda de ervas com o Quilombo Ilha Funda, apresentações culturais da aldeia e do Bumba meu Boi e Batucada de Felicina, almoço partilhado e feira de artesanato.

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“Executar este Circuito reafirma a premissa de que a memória social é a principal ferramenta para que as comunidades reconheçam sua força e permaneçam vivas”, destaca Ângela Maria Alves, diretora de Projetos e Fomento do Núcleo Cidade Futuro. “Estar ao lado dos quilombolas, do povo Pataxó e das expressões tradicionais amplia nossa capacidade de escuta e garante que o Vale do Rio Doce ocupe seu lugar de direito nas políticas públicas estaduais”.

A cobertura completa do circuito será veiculada nos canais oficiais do Núcleo Cidade Futuro ao longo da semana.

Sobre o Núcleo Cidade Futuro

Associação civil sem fins lucrativos fundada em 2005, em Governador Valadares (MG), o Núcleo Cidade Futuro atua há mais de 20 anos no Vale do Rio Doce e no Leste de Minas com projetos de cultura, memória, educação e desenvolvimento territorial. Entre suas iniciativas está o Beabá Audiovisual, em sua 4ª edição, que já formou centenas de jovens em produção audiovisual e memória social. A organização tem como identidade institucional a ideia de território como propósito, urbanismo social como método, cultura como fundamento e memória como direito.

Sobre o Favela É Isso Aí

Organização não governamental criada a partir do Guia Cultural de Vilas e Favelas, idealizado pela antropóloga Clarice Libânio e publicado em agosto de 2004. O Guia mostrou que a arte nas vilas e favelas tem papel central na autoestima e na articulação social, econômica e de direitos de seus moradores. Reconhecido pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura desde 2011, o Favela É Isso Aí integra o Pontão de Cultura Minas é Muitas e atua para valorizar e divulgar a arte e a cultura das periferias brasileiras, gerar renda para artistas, ampliar o acesso ao mercado cultural e reduzir a discriminação contra moradores de vilas e favelas.

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