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domingo, 14 dezembro, 2025

Quero ser lembrado como o governador que recolocou o futuro sobre trilhos

Entrevista com Gabriel Azevedo, que esteve em Governador Valadares na última segunda-feira (8/12) e fez diversas reuniões acompanhado do Vereador Jamir Calili, seu aliado local
Gabriel Azevedo. Pré-candidato ao governo do Estado de Minas Gerais. Foto: Divulgação GA

Tem 38 anos, nasceu em Belo Horizonte e é professor, advogado, jornalista e publicitário. Pré-candidato ao governo do Estado de Minas Gerais. Gabriel foi presidente da câmara municipal de Belo Horizonte no biênio 2023-2024 e vereador por dois mandatos. Foi subsecretario da Juventude no Governo Anastasia. Na última eleição ficou em 4º lugar na disputa pela prefeitura da capital mineira. Atualmente é presidente do diretório do MDB de Belo Horizonte. Gabriel Azevedo esteve em Gov. Valadares na última segunda-feira, dia 08 de dezembro e fez diversas reuniões acompanhado do Vereador Jamir Calili, seu aliado local.

Entrevista concedida à Cauã Salviano, publicitário formado pela UNIVALE e sócio da Conquista Agência de Publicidade.

1. Conte um pouco da sua vida e de sua trajetória política para quem não conhece Gabriel Azevedo em Governador Valadares e Região.

Eu sou advogado, professor universitário e hoje curso doutorado em Direito Ambiental. Minha trajetória sempre combinou estudo e prática de governo. Fui subsecretário de Estado de Juventude entre 2011 e 2014, responsável por ações para reduzir mortalidade entre jovens, ampliar inclusão no mercado de trabalho e fortalecer a permanência no ensino médio. Depois disso fui eleito vereador em Belo Horizonte por dois mandatos e presidi a Câmara Municipal no biênio 2023–2024, priorizando fiscalização, devolução de recursos para políticas públicas e criação de mecanismos de integridade. Ao mesmo tempo, leciono em faculdades de Direito e Arquitetura e Urbanismo porque acredito que política precisa de base técnica e escuta qualificada. Também sou empreendedor, dono de uma empresa e de um bar no centro de Belo Horizonte, o que me permite entender as dificuldades reais de quem gera emprego. Hoje presido o MDB em Belo Horizonte, a Fundação Ulysses Guimarães em Minas Gerais e o Instituto Cidade e Sustentabilidade. Minha vida pública busca unir teoria e prática para construir soluções concretas para as cidades e para o Estado.

2. Em sua visita à cidade de Governador Valadares, você conversou com moradores, com o vereador Jamir Calili e outras lideranças locais. Quais projetos você pode pontuar como essenciais para a cidade e que o Governo do Estado não resolve?

Conversar com as pessoas em Governador Valadares deixou muito claro que o Estado tem falhado em enxergar a importância estratégica da cidade. Valadares é polo regional, porta de entrada do Vale do Rio Doce, tem ferrovia, rodovias, aeroporto, o Pico da Ibituruna e uma população empreendedora. Falta presença real do governo estadual e falta projeto para transformar essa geografia em oportunidade.

O que ouvi do vereador Jamir Calili, das lideranças e dos moradores converge em quatro pontos. Primeiro, segurança pública baseada em inteligência. Não adianta operação pontual. É preciso enfrentamento contínuo do crime organizado, integração das forças policiais e investigação territorial real. Segundo, desenvolvimento econômico. Valadares pode ser polo logístico e de serviços, com turismo ligado ao Ibituruna, cadeias produtivas regionais fortalecidas e apoio ao empreendedor local. Terceiro, saúde regional fortalecida. A cidade enfrenta mortalidade infantil e geral acima da média e precisa de metas claras, capacidade hospitalar regulada e prevenção inteligente. Quarto, educação conectada ao futuro, com ensino técnico, ensino médio em tempo integral e parceria forte com universidades como UFJF e Univale.

Valadares tem vocação. O que falta é Estado presente, projeto estruturado e investimento certeiro.

3. Muito se fala da dívida do Estado. Como conciliar todos esses projetos com um caixa apertado?

Minas Gerais não vive uma crise passageira. Vive uma crise estrutural que começou quando o Plano Mineiro de Desenvolvimento Industrial se esgotou, nos anos 1970. Desde então, nossa indústria encolhe ano após ano, e a base tributária que sustentava o Estado se perdeu. No lugar dela cresceu uma dependência enorme de commodities como minério e café. Isso transforma o Estado em exportador de riqueza e importador de prejuízo fiscal.

O caso do minério é simbólico. Minas Gerais concentra a produção, mas a exportação não paga ICMS por causa da Lei Kandir. O ICMS representa cerca de noventa por cento da arrecadação estadual. Além disso, o Estado ainda devolve créditos tributários para a própria mineração na compra interestadual de insumos. É um sistema que drena os cofres mineiros e cria uma distorção federativa profunda. A União trata a dívida mineira como inadimplência. Só que a realidade é outra: o mineiro paga tributos, a União arrecada e o Estado perde base econômica.

A isso se soma a dificuldade de reindustrializar. Sem porto e com custo logístico alto, Minas Gerais não compete em igualdade com estados litorâneos. O polo de Extrema é volátil, dependente de incentivos e sem efeito multiplicador duradouro. Menos indústria gera menos ICMS. Menos ICMS gera menos investimento. Menos investimento reforça a dependência de commodities. É uma espiral que ameaça a solvência futura do Estado.

Conciliar projetos com caixa apertado exige coragem para romper essa espiral. A saída passa por quatro eixos. Reindustrialização de verdade, com foco em minerais estratégicos, transição energética, agronegócio de valor agregado e tecnologia. Infraestrutura estruturante com ferrovias e integração logística moderna para reduzir custos e atrair indústrias. Um novo pacto federativo sobre exportações, com compensações reais e estáveis para estados interiorizados. E uma política de incentivo baseada em clusters produtivos, inovação, qualificação profissional e energia competitiva, não apenas em guerra fiscal.

Responsabilidade fiscal não é paralisar o Estado. É escolher bem. É gastar onde transforma. É negociar um novo modelo federativo. Minas Gerais não precisa de paliativo. Precisa de projeto.

4. Em uma eventual vitória nas urnas, Gabriel poderá se tornar Governador do Estado de Minas Gerais. Qual legado você quer deixar para o Estado no fim de seu mandato?

Eu quero construir um legado baseado em três pilares: ferrovia, escola e segurança. A trinca que pode recolocar Minas Gerais nos trilhos do desenvolvimento.

Quero ser lembrado como o governador que recolocou o futuro sobre trilhos. Minas Gerais tem trinta e seis por cento da malha ferroviária do Brasil, mas só oito por cento das cargas seguem por trem. Décadas de outorgas ferroviárias foram para a União e quase nada voltou para o Estado. A Lei 14.273 determina que metade dessas outorgas seja investida na malha de origem. Minas Gerais tem direito a cerca de dezessete bilhões de reais. Quero garantir que esse dinheiro financie novos ramais, contornos ferroviários, integração com a FIOL, modernização de bitolas, reconstrução da Bahia–Minas e terminais intermodais. Quero que Minas Gerais volte a produzir trilhos e locomotivas e que nossas duas fábricas — em Sete Lagoas e Contagem — sejam motores de desenvolvimento. O ferro pode acabar. O trilho, não. O futuro de Minas Gerais depende de logística moderna.

O segundo legado é recolocar a escola no centro da vida mineira. Oito em cada dez professores são temporários. A violência escolar cresce. A atenção dos alunos se perde. Quero transformar cada escola pública em centro comunitário aberto à noite e aos fins de semana, integrando educação, assistência social e segurança. Quero valorizar quem ensina com estabilidade, formação e respeito. Quero ambientes acolhedores que diminuam a violência, aumentem matrículas e melhorem o desempenho. Minas Gerais só avança quando o professor consegue ensinar e o aluno consegue aprender.

O terceiro legado é reconstruir a confiança que sustenta a segurança pública. Houve uma ruptura entre governo e polícias. Sem confiança, não há comando. Sem comando, não há inteligência. Sem inteligência, o crime organizado avança. Quero política salarial pactuada e previsível, Centro Integrado de Inteligência Criminal, controle real dos presídios, combate à receptação, resposta moderna ao crime digital e proteção efetiva das mulheres. Segurança não se faz com improviso. Se faz com estrutura, método e palavra cumprida.

Se ao fim de um mandato Minas Gerais estiver sobre novos trilhos, com escolas vivas e segurança respeitada, eu saberei que cumpri meu papel. Quero deixar um Estado que voltou a acreditar em si mesmo. Um governo que pensa longe, executa perto e devolve ao mineiro a esperança de um futuro possível.

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