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domingo, 27 julho, 2025

R$2,38 trilhões em um mês: O sistema brasileiro que virou orgulho nacional e agora preocupa potências globais

Leia a coluna desta semana por Simone Claudino
PIX. Foto: © Bruno Peres/Agência Brasil

Por Simone Maria Claudino de Oliveira – Coluna Conexão Empresarial | Jornal da Cidade

Imagine um sistema criado no Brasil, gratuito para o consumidor, que movimenta trilhões por mês, funciona 24 horas por dia e já é referência mundial em eficiência. Parece exagero? Pois só no mês de junho de 2025, ele registrou R$ 2,38 trilhões em transações — mais de 5,3 bilhões de operações realizadas por milhões de brasileiros.

Estamos falando do PIX, sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central em 2020, que mudou radicalmente a forma como nos relacionamos com o dinheiro.

Simples, acessível e seguro, o PIX facilitou a vida das pessoas, reduziu custos para empresas e impulsionou e revolucionou as práticas comerciais tradicionais e digitais. Mais que isso: tornou-se uma infraestrutura financeira democrática e inclusiva, com enorme impacto na economia real.

Mas tamanha eficiência começou a incomodar. Nas últimas semanas, o sistema passou a ser citado em discursos internacionais, apontado como possível causador de desequilíbrio comercial em mercados mais tradicionais. De exemplo de inovação, passou a alvo de questionamentos políticos e econômicos.

O que está em jogo?

Para entender o incômodo, basta observar os números. Os R$ 2,38 trilhões movimentados em junho equivalem a mais de 22 vezes o valor que o Brasil investe mensalmente em saúde pública.

E o mais relevante: mais da metade dessas transações foi feita entre pessoas físicas. Ou seja, o sistema não se limita as grandes empresas — ele está no cotidiano das famílias, dos microempreendedores, dos pequenos negócios.

Se esse volume tivesse sido processado por Cartões, o custo considerando tarifas medias seria altíssimo:

• No crédito (2,5%), cerca de R$ 59,5 bilhões em taxas

• No débito (1,3%), aproximadamente R$ 30,9 bilhões

Com o sistema brasileiro? Quase nada. A economia gerada é bilionária — e explica parte do desconforto que começa a surgir no exterior.

Quando a inovação desafia o sistema

A tecnologia brasileira vem sendo estudada por diversos países como um modelo eficiente de inovação pública. Ao mesmo tempo, desafia estruturas de intermediação consolidadas em economias onde bancos e operadoras dominam os meios de pagamento.

Não se trata apenas de concorrência. Está em jogo o controle sobre dados, taxas e fluxos financeiros. Um sistema gratuito, seguro, com ampla adesão popular e desenvolvido por um banco central de país emergente — como é o caso do Brasil — rompe paradigmas. E isso, para alguns, soa como ameaça.

E como isso afeta você?

Talvez você nunca tenha parado para pensar, mas cada vez que paga uma conta, transfere um valor ou recebe por um serviço usando o PIX, participa de uma transformação silenciosa, que conecta o seu dia a dia às mudanças no cenário global.

Para quem empreende, os ganhos são ainda mais evidentes: menos taxas, mais agilidade no fluxo de caixa, facilidade de integração com canais digitais e mais autonomia na gestão financeira.

O PIX já não é apenas um meio de pagamento. É um símbolo de avanço, liberdade econômica e inclusão digital — e um exemplo de como a tecnologia pode beneficiar a sociedade quando bem planejada e implementada com foco público.

Já parou para pensar quanto você economizou desde que começou a usá-lo?

Se quiser entender como aplicar essa ferramenta de forma ainda mais estratégica, no seu negócio ou na sua vida financeira, estou no Instagram: @simoneclaudionoficial. Vai ser um prazer conversar com você

Simone Maria Claudino de Oliveira

@simoneclaudionoficial é valadarense, graduada em Ciências Contábeis e Direito, com especializações em Estratégia Empresarial, Controladoria, Auditoria e Gestão da Informação. Possui MBA em Gestão Cooperativa e Projetos de Inovação, além de certificações em Corporate Venture Capital (CVC), Corporate Venture Builder (CVB) e Inovação. Atua como Controller no Grupo AgroRemac, Diretora Executiva da NTW Contabilidade e Gestão Empresarial, Co-Founder da Cliex&CO e Founder da Insights I.A Tech. É presidente da ANGAR, do Sindcont GV, da Garantia dos Vales e da Adeleste, promovendo o desenvolvimento econômico e empresarial da região.

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