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quinta-feira, 11 dezembro, 2025

Reforma Administrativa: votações noturnas preocupam oposição

Deputados contrários à Reforma Administrativa temem que proposta seja incluída nas votações noturnas. Confira!
Parlamentares temem que Reforma Administrativa seja pautada ainda em 2025. Foto: Qconcursos Folha Dirigida

Com informações do site oficial QConcursos Folha Dirigida

Nos últimos dias, a Câmara dos Deputados realizou votações noturnas para aprovação de projetos polêmicos. Na madrugada de quarta-feira, 10, foi aprovado o "PL da Dosimetria", projeto de lei que reduz as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Deputados contrários à Reforma Administrativa temem que a Proposta de Emenda Constitucional 38/2025 seja incluída nesse pacote de votações noturnas.

"Estão articulando, na calada da noite, para pautar a PEC 38, ainda pior que a famigerada PEC 32. Eu não vou aceitar que, nas últimas sessões, silenciosamente, retirem direitos conquistados com tanta luta. É assim que sempre tentam passar os ataques mais graves ao serviço público e ao povo", disse a deputada federal Professora Luciene Cavalcante (PSOL SP).

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos PB), já afirmou que queria abreviar o rito de tramitação da Reforma Administrativa e levá-la direto ao Plenário.

Porém, não há maioria formada para aprovação da proposta. Por ser uma PEC, o texto precisa ter 308 votos para ser aprovado, em dois turnos.

Levantamento mostra que maioria é contra ou não quer se posicionar sobre a Reforma

Levantamento feito pelo Estadão até o dia 10 de dezembro mostra que somente 78 deputados (15,2%) se dizem a favor do texto.

Outros 134 (26,1%) se colocam contra a reforma e 150 (29,2%) não quiseram responder se apoiam ou não a proposta. Além disso, 151 (29,4%) não deram retorno à pesquisa.

O levantamento indica que 284 deputados (55,4%), mais da metade da Câmara dos Deputados, são contra a Reforma Administrativa ou não querem se posicionar sobre a proposta.

Outro fator relevante é que desde que foi protocolada na Câmara, 29 deputados federais já pediram a retirada de suas assinaturas da proposta.

Apesar de não derrubarem automaticamente a PEC, os pedidos de retirada mostram o cenário de enfraquecimento da Reforma Administrativa no fim deste ano.

A ausência de uma maioria absoluta sobre a reforma pode adiar sua votação. Para 2026, a tramitação também ficará difícil pois parlamentares costumam evitar temas controversos em ano eleitoral.

Governo não concorda integralmente com a Reforma Administrativa

Em novembro, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou que o Governo Federal não concorda integralmente com as propostas da Reforma Administrativa.

Ela também frisou que a PEC 38/2025 não representa a posição do Executivo Federal.

“A PEC que está aí é uma proposta do Legislativo. O Executivo não concorda com o texto do jeito que ele está”, afirmou.

A ministra reconheceu que há pontos relevantes na PEC, como também dispositivos que o governo considera inadequados.

Esther Dweck voltou a defender a estabilidade no serviço público por ser um mecanismo de proteção do Estado e para a continuidade das políticas públicas. Ela fez um alerta de que parte da PEC 38/2025 pode fragilizar a estabilidade.

"Se um projeto se diz a favor da estabilidade, mas traz dispositivos que a enfraquecem, esses pontos precisam sair. E a proposta tem pontos que podem, de alguma forma, comprometer a estabilidade na nossa avaliação", disse ela. 

Reforma Administrativa traz 70 propostas para o serviço público

No mês de outubro, o grupo de trabalho da Reforma Administrativa na Câmara dos Deputados apresentou publicamente os textos das propostas.

O relatório final reúne 70 propostas divididas em quatro grandes eixos:

  • Eixo 1: Estratégia, Governança e Gestão - com foco no planejamento estratégico, no acordo de resultados e na criação de um bônus por desempenho - opcional para entes com saúde fiscal -, mantendo a diligência com as contas públicas por meio da revisão de gastos;
  • Eixo 2: Transformação Digital - voltada à modernização da máquina pública e à digitalização plena de processos e serviços, incentivando a criação de novos GovBRs e Pix;
  • Eixo 3: Profissionalização do Serviço Público - focada no planejamento da força de trabalho, na ampliação dos níveis de progressão da carreira, no remodelamento do estágio probatório, na adesão de municípios e estados ao concurso nacional unificado e na implantação de uma tabela remuneratória única; e
  • Eixo 4: Extinção de privilégios no Serviço Público - o eixo central do enfrentamento às desigualdades e excessos no serviço público. 

As mudanças estão previstas em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 38/2025), um Projeto de Lei Complementar (PLC) e outro de lei ordinária.

PEC foi protocolada oficialmente no dia 24 de outubro na Câmara dos Deputados, após conseguir o número de assinaturas suficiente dos deputados.

Os textos apresentados mantêm a estabilidade dos servidores públicos.

Para os servidores que já passaram pelo estágio probatório, a proposta estabelece que a progressão funcional nas carreiras e o pagamento de bônus sejam condicionados à avaliação por desempenho e aos instrumentos de Governança e Gestão.

Entenda quais são os impactos da reforma para concursos

Caso seja aprovada, a Reforma Administrativa trará impactos para concursos públicos. Para publicar novos editais, por exemplo, o governo terá que fazer um "dimensionamento da força de trabalho" para identificar onde existe uma real necessidade de servidores.

Os concursos também deverão priorizar carreiras transversaisem que os profissionais ficam à disposição para atuarem em mais de um órgão, como analista de infraestrutura e especialista em políticas públicas (EPPGG).

Os textos indicam ainda que cada carreira pública tenha, pelo menos, 20 níveis de progressão. A reforma possibilita a abertura de concursos para níveis maiores de experiência.

Conforme o texto, nem todo servidor precisará começar do nível inicial. Com o planejamento de pessoal traçado, o gestor poderá propor um concurso para níveis mais elevados, em busca de profissionais que já tenham a qualificação e/ou expertise necessárias para a função.

Para evitar que esse modelo vire regra, a proposta é fixar uma trava de 5% do quadro para essas excepcionalidades.

Ainda sobre os concursos, a Reforma Administrativa pretende ampliar a atuação do Concurso Nacional Unificado (CNU).

A ideia é assegurar que esse modelo não se perca nas próximas gestões e alcance um caráter ainda mais nacional ao viabilizar a participação dos estados e municípios a este tipo de instrumento de seleção.

→ Veja todos os pontos da Reforma Administrativa aqui!

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