Em meio à rotina de atendimentos, o acolhimento, o corre-corre com macas, soros, medicamentos, dentre outros cuidados e assistência oferecidos pelos profissionais de saúde aos pacientes do Hospital Municipal de Valadares, há um local pouco conhecido, que funciona no pavilhão da unidade hospitalar, ao lado da lavanderia.
Trata-se do Setor de Costuras – uma pequena sala, na qual Mariloma, Rosilda, Claudete, Ana Paula, Jane Marcy e Célia se revezam em uma escala de 12 por 36 para operar 4 máquinas industriais junto com a coordenadora, Joana D’arc Luiz de Almeida.
Elas são as responsáveis por realizar pequenos reparos e confeccionar camisolas, pijamas, uniformes, máscaras, compressas cirúrgicas, aventais, calças, toucas, vestimentas especiais para serem usadas nos centros cirúrgicos, lençóis dos leitos cirúrgicos e ambulatoriais, rolinhos, cueiros, colchões para macas, cortinas e todo o enxoval usado na Central de Material e Esterilização (CME); afim de garantir o conforto, proteção e segurança de todos.
E mais do que isso, através do brilhante trabalho, elas representam o coração da instituição hospitalar, tendo em vista que, sem o material que produzem, é impossível o HM funcionar.
“Cada servidor é uma peça desta grande engrenagem que é o Hospital Municipal. E o setor da costura é mesmo essencial. É com a confecção destas peças que ajudamos médicos e toda a enfermagem a prestar um serviço de qualidade para os nossos pacientes, que são nossas prioridades”, explicou Joana.
Jane Marcy conta que o combustível para estar há mais de 20 anos fazendo reparos e renovando o enxoval do HM é o amor, aliado à força de vontade e dedicação.
“Na época da Covid-19, fui liberada de vir trabalhar por morar com minha mãe, que tinha 90 anos, e do meu marido fazer hemodiálise. Pensando nas pessoas que estavam doentes e precisando das peças que costuro para ficarem internadas, serem tratadas, medicadas; fiquei em home office.
A Joana trazia os tecidos para eu cortar e depois buscava para que as peças fossem confeccionadas na sala de costuras. A demanda era grande, éramos menos funcionárias, mas trabalhamos sempre com muito amor, para fazer a diferença na vida de tantas pessoas. Graças a Deus, não fui infectada pelo Coronavírus e, ainda, contribui para salvar vidas”, desabafou ela.
Por conta da idade, Rosilda também foi liberada para permanecer trabalhando de casa durante a pandemia, mas preferiu manter a rotina de mais de 20 anos e ir para o HM. Lá, ela tomou os cuidados necessários para não pegar Covid e continuou oferecendo sua contribuição, através do dom e da arte da costura, para todos àqueles que necessitavam, com todo amor e dedicação.
A produção é feita de acordo com a demanda. Em fevereiro deste ano, por exemplo, foram confeccionadas 342 peças e outras 2.050 foram consertadas. Em março, os números foram ainda maiores: 752 peças foram confeccionadas e feito reparo em outras 1.725.
Mariloma de Souza lembra de ter aprendido o ofício sozinha, aos 13 anos e se orgulha por fazer parte do time que auxilia pacientes de Valadares e região, uma vez que o HM é referência e atende usuários de cerca de 86 municípios vizinhos.
"Amo o que faço e me sinto feliz por poder usar minhas habilidades para colaborar com tantas pessoas. Além disso, nossos superiores e colegas de trabalho entendem a nossa importância dentro do hospital; somos uma família aqui”, explicou.
Apesar de todo o empenho e esforço, o trabalho realizado por esse grupo não tem muita visibilidade. Dona Maria Rosalina Gonçalves Correia, de 59 anos, é apenas uma das várias pacientes internadas na unidade hospitalar que não sabia que este setor existe no HM há aproximadamente 40 anos e que as cortinas do quarto em que estava foram confeccionadas por essas mulheres.
“Também sou costureira lá em Itanhomi. Quem sabe não querem me contratar para ajudar nesse trabalho quando eu receber alta!”, propôs ela. E continuou. “Amo o que faço e várias pessoas procuram pelo meu serviço lá na minha cidade. A distância não é um problema; alugo uma casinha aqui e me mudo para Valadares”, completou.
por Secretaria de Comunicação e Mobilização Social da Prefeitura de Governador Valadares




