Logo Jornal da Cidade - Governador Valadares
Banner
domingo, 7 dezembro, 2025

Sindicalistas criticam reforma administrativa

Lideranças alertam que proposta em tramitação no Congresso Nacional representa uma ameaça ao serviço público.
A Comissão do Trabalho debateu as ameaças ao serviço público com a possível aprovação da reforma administrativa no Congresso Nacional. Foto: Willian Dias ALMG

reforma administrativa apresentada no Congresso Nacional foi criticada por sindicalistas em reunião da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta sexta-feira (5/12/25). As lideranças sindicais alertaram que a proposta pode representar ameaças para o serviço público, prejudicando o atendimento da população mais vulnerável.

Tendo como primeiro signatário o deputado federal Zé Trovão (PL-SC), a Proposta de Emenda à Constituição Federal (PEC) 38/25 foi protocolada no dia 24 de outubro na Câmara dos Deputados. A reforma, que inclui também um projeto de lei e um projeto de lei complementar, foi elaborada por um grupo de trabalho liderado pelo deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ).

Ela se estrutura em quatro eixos centrais: modernização da gestão pública, profissionalização do funcionalismo, transformação digital do Estado e eliminação de privilégios. Entre os pontos principais da PEC 38/25, estão a proibição da progressão automática apenas por tempo de serviço; a pactuação de metas estratégicas entre gestores e servidores; e a criação de um teto de gastos para limitar o crescimento das despesas com pessoal de todos os Poderes.

Para a diretora de Comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Municipal de Belo Horizonte, Vanessa Portugal, a reforma administrativa vai comprometer a qualidade do serviço público. Na sua avaliação, a proposta abre espaço para reduzir o número de servidores efetivos e ampliar a terceirização e os vínculos precários de trabalho.

A sindicalista também chamou atenção para o risco de redução dos serviços prestados à população. Segundo ela, se a reforma for aprovada, antes de abrir um concurso público o gestor deverá avaliar as possibilidades de terceirização, contratação temporária e até mesmo automatização do serviço. 

Vanessa Portugal alertou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), já teria manifestado o interesse em apressar a tramitação da PEC 38/25. Se for apensada a outra PEC já analisada pelas comissões, a proposição poderia ir direto para o Plenário da Câmara, para votação em 1º turno. Ela ainda cobrou do governo federal um posicionamento claro contra a proposta.

Os demais sindicalistas também foram enfáticos em suas críticas à reforma administrativa. Para o representante do Sindicato dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes), Cássio Hideo Dinis Hiro, a aprovação da PEC 38/25 pode ameaçar os direitos conquistados com a Constituição de 1988. Na sua avaliação, a reforma pode comprometer o trabalho dos servidores públicos e favorecer a corrupção e o patrimonialismo.

O diretor estadual do Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação (Sind-UTE), Luiz Fernando Miranda, alertou que a precarização do serviço público já se faz sentir em Betim (Região Metropolitana de Belo Horizonte). Segundo ele, com a contratação de uma organização social (OS) para atuar nas escolas municipais, turmas em fase de alfabetização chegam a ter sete professores em um ano.

Chances de aprovação são reduzidas, avalia Rogério Correia

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) deu um panorama da situação da PEC 38/25 no Congresso Nacional. Ele admitiu que a proposta tem uma concepção neoliberal, mas avaliou que as chances de aprovação são pequenas. 

Segundo o parlamentar, a complexidade da matéria, que trata de questões envolvendo todas as categorias de servidores em todas as esferas de governo (municipal, estadual e federal), dificulta as negociações para o avanço da sua tramitação.

“Não tem clima para a votação da reforma administrativa neste ano. E duvido que vão colocar isso para andar em 2026, que é ano eleitoral. Às vésperas das eleições, ninguém quer mexer com servidor público. Sem chance disso prosperar”, afirmou.

Ainda de acordo com Rogério Correia, depois que a PEC 38/25 foi protocolada, vários deputados já retiraram suas assinaturas da proposta, o que seria mais um sinal da dificuldade para sua aprovação. Para a apresentação de uma PEC, são necessárias 171 assinaturas. Para que ela seja aprovada, são necessários 308 votos.

Parlamentares querem mobilização contra a PEC 38/25

A deputada Beatriz Cerqueira (PT) destacou a importância do que chamou de “vigilância cidadã” para evitar a aprovação da PEC 38/25. Ela se posicionou contrária à reforma administrativa por considerar que ela pode levar à destruição do serviço público.

Ao final da reunião, o presidente da Comissão do Trabalho, deputado Betão (PT), ressaltou a necessidade de que as informações sobre a reforma administrativa sejam repassadas a todos os sindicatos do Estado. “Todo tipo de reforma que vai auferir mais lucro eles vão procurar fazer”, afirmou, referindo-se aos defensores da redução do setor público. 

Betão disse ainda que irá propor dois requerimentos para serem aprovados na próxima reunião da comissão: uma manifestação de repúdio à reforma administrativa pretendida pela PEC 38/25 e um pedido de providências para que não se dê início ao processo de tramitação da proposta no Congresso.

Com informações do site oficial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Gostou? Compartilhe...

Leia as materias relacionadas

magnifiercrossmenu