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domingo, 8 fevereiro, 2026

Síndrome de Estocolmo

Infrutífera uma geração que se apraz na ostentação de uma elite que vive às expensas dos esforços da população ordeira, fazendo-a delirar de inveja do luxo fugaz e da riqueza espúria
A Bandeira do Brasil, em reprodução da Internet

Pobre de uma nação cujos agentes políticos adotam políticas de governo em detrimento das políticas de Estado, que definem destinos divergentes de sua natureza e antagônicos de seus costumes para satisfazerem egos megalomaníacos.
Triste e desorientado um povo que tem na mentira seus argumentos e no engodo seu modo de vida.

Infrutífera uma geração que se apraz na ostentação de uma elite que vive às expensas dos esforços da população ordeira, fazendo-a delirar de inveja do luxo fugaz e da riqueza espúria.

Todos os sonhos se perdem quando as expectativas são frustradas a partir de promessas vãs engolidas pela corrupção e pelos rompantes de arbitrariedades construídos a partir do poder carcomido pela ambição e pelos delírios ideológicos conhecidamente fracassados.

A população brasileira, já acostumada aos dilemas que delineiam crises sobre crises, já dotada de cicatrizes esculpidas pelas manobras mirabolantes de uma elite caracterizada pelos falsetes romantizados parece sofrer da Síndrome de Estocolmo, um conto de ficção de final sombrio, de mau gosto, onde o protagonismo pertence aos que se sentam á mesa da dissimulação.

Sequestrado pela ambição corrupta dos oportunistas profissionais, o povo se sente apaixonado por essa casta de alpinistas sociais, sem moral, sem ética, mas investidos de poder baseado na esbórnia e no escárnio.

As bilionárias falcatruas, antes veladas e misteriosamente ocultadas ficaram no passado, para agora ocorrerem a céu abeto, sem limites e sem constrangimentos, de tal forma que é difícil até mesmo acreditar, inegavelmente fantásticas.

Impassível, a população se dobra aos caprichos das vontades, verdadeiro império dos sentidos bestiais de um núcleo abastado de comensais devotos e dependentes das benesses do poder.

Verdadeira alienação coletiva que se adequa aos curiosos efeitos da Síndrome que leva o nome da capital sueca em função de fatos lá ocorridos num passado não muito distante, frases prontas, discursos padronizados e atuações teatrais ou cinematográficas tingem de cinza a paisagem tropical desenhando um cenário sombrio e opaco.

Direita e esquerda convergem para um ponto comum que é o “leve vantagem você também”, ofuscando paradoxalmente quaisquer lampejos de bem aventurança ou boa fé.

Acostumada a sobreviver com as mazelas impostas pela ambição e pela corrupção, essa geração desconhece que é possível viver bem, com dignidade e com ética, passando então a regozijar-se com migalhas em forma de benefícios governamentais.
Sem migalhas, sem voto.

Enquanto os conceitos de Estado e de Nação estiverem deturpados em nome da manutenção do poder pelo poder e as políticas de governos se sobrepuserem às políticas de Estado para atenderem interesses escusos, indefinidos e obscuros, o país coexiste sem identidade, sem perspectivas e mergulhado no ostracismo, mera moeda de troca.

Enquanto estiver sob os efeitos da Síndrome de Estocolmo, a população sentirá na pele a sensação de insegurança, de medo e de vazio existencial, típica da violência psicológica utilizada com maestria nos sequestros de longa duração.

O fracasso nos espera na História.

Paz e Luz.

Marcius Túlio é Coronel da Polícia Militar de Minas Gerais

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