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quarta-feira, 3 dezembro, 2025

Temor de impacto negativo de nova resolução na educação pauta audiência

Comissão de Educação realiza audiência pública nesta sexta (5), a partir das 10 horas, sobre norma que reorganiza quadro de pessoal das unidades escolares na rede estadual.
A presidenta da Comissão de Educação, Beatriz Cerqueira, alega que resolução gerou grande apreensão entre a comunidade escolar - Arquivo ALMG Foto: Guilherme Dardanhan ALMG

Dúvidas, apreensão e medo. Esses seriam os sentimentos da comunidade escolar quanto à aplicação da Resolução da Secretaria de Estado de Educação 5.210, editada no último dia 13 de novembro de 2025 pelo secretário de Estado de Educação (SEE), Rossieli Soares da Silva. A resolução estabelece normas para a organização do quadro de pessoal das unidades escolares na rede estadual da secretaria.

Para debater o tema, a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia realiza audiência pública nesta sexta-feira (5/12/25), a partir das 10 horas, no Plenarinho II da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A atividade atende a requerimento da presidenta do colegiado, deputada Beatriz Cerqueira (PT).

Na abertura da Resolução 5.210, que tem dez páginas além de cinco anexos, o titular da pasta justifica que ela é necessária, considerando-se a necessidade de controle permanente dos recursos humanos disponíveis para assegurar o atendimento à demanda existente, à expansão do ensino, ao funcionamento regular das unidades escolares e tendo em vista a legislação vigente.

Contudo, em seu requerimento, Beatriz Cerqueira argumenta que, embora tenha como finalidade regulamentar a organização do quadro de pessoal, a resolução gerou grande apreensão entre a comunidade escolar. Portanto, a audiência será fundamental para garantir a defesa da equidade e da preservação do respeito aos direitos dos servidores da educação estadual.

“As mudanças apresentadas, especialmente pelos critérios subjetivos e pouco detalhados, têm levantado dúvidas, insegurança e temor quanto à sua aplicação”, aponta a parlamentar.

Para o debate foram convidados representantes da SEE e lideranças do Fórum Estadual Permanente de Educação de Minas Gerais, Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE-MG), Associação Mineira de Inspetores Escolares e Sindicato dos Profissionais de Especialistas em Educação do Ensino Público do Estado de Minas Gerais.

“Muitos servidores relatam incerteza sobre os impactos diretos em sua vida funcional, o que evidencia a necessidade urgente de esclarecimentos oficiais. Diante desse cenário, torna-se indispensável questionar e buscar maior transparência, garantindo que nenhum profissional seja prejudicado por interpretações ambíguas ou decisões arbitrárias.”

Beatriz Cerqueira, no requerimento
Dep. Beatriz Cerqueira, no requerimento

Sindicato exige mudança imediata

Em publicação nas redes sociais, o SindUTE-MG diz que já manifestou junto à secretaria sua posição frontalmente contrária a diversos elementos da resolução, a qual exige a revogação e reformulação imediata.

“A medida foi imposta sem diálogo com a categoria e, em vez de enfrentar os problemas estruturais e pedagógicos que comprometem a qualidade do trabalho, apenas os agrava”, aponta a entidade.

Entre as principais críticas está o suposto descompasso com as necessidades reais das escolas à medida que a SEE impõe critérios simplificados e burocráticos que não refletem a complexidade das rotinas pedagógicas e administrativas.

A direção da entidade também denuncia desrespeito da autonomia das unidades escolares, com dispositivos que concentram poder no órgão central e reduzem a capacidade das escolas de organizar seus turnos, funções e prioridades.

“Além disso, a referida resolução promove insegurança jurídica, a exemplo do disposto no artigo 14, inciso IV, que abre margem para perseguições e favorecimentos ao estabelecer critérios subjetivos como perfil ou compromisso com o Projeto Político-Pedagógico (PPP), critica a nota do SindUTE-MG.

Outros exemplos de supostos retrocessos seriam os artigos 68 e 69 da resolução, que, de acordo com a avaliação do SindUTE, reduzem o período de licença para tratamento de saúde, punindo gestores adoecidos e fragilizando a proteção profissional.

Já o artigo 34 encurtaria prazos para entrega de protocolos médicos, desconsiderando a dificuldade de acesso ao sistema e expondo servidores a punições descabidas.

“O sindicato reafirma que não aceitará medidas autoritárias que desconsiderem a realidade das escolas e coloquem em risco direitos dos trabalhadores em educação. É inadmissível que a SEE trate a regulamentação do quadro de pessoal como mera formalidade administrativa, sem reconhecê-la como um instrumento central para garantir condições dignas de trabalho e valorização profissional”, finaliza.

Com informações do site oficial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

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