Por Thiago Ferreira Coelho
Em parceria com a Diocese de Governador Valadares, a UNIVALE realizou o 1º Fórum de Debates para ouvir e propor políticas públicas para a população em situação de rua no município. O encontro teve a participação de alunos e docentes da universidade, membros da Pastoral do Povo da Rua, ligada à Igreja Católica, e outras entidades e associações que trabalham com a população sem local de moradia, além dos próprios moradores em situação de rua.
As discussões e propostas se basearam em um diagnóstico sociodemográfico feito pela UNIVALE da população de rua em Valadares, fruto de pesquisas do Núcleo de Estudos sobre Desenvolvimento Regional (Neder), laboratório vinculado ao mestrado em Gestão Integrada do Território (GIT), com dados coletados também por participantes do projeto de extensão População em Situação de Rua em Governador Valadares (PesRua).
“Esse é um momento de aproximar o conhecimento e a comunidade, realmente buscando entender e compartilhar com todos o entendimento desse público em situação de rua, que precisa de um olhar diferenciado. E que precisa de reflexão e sensibilidade”, avaliou a reitora da universidade, professora Lissandra Lopes Coelho Rocha, presente ao Fórum de Debates.
Ao apresentar o diagnóstico, a professora Sueli Siqueira, coordenadora do Neder, frisou que a população em situação de rua merece respeito. No levantamento, os extensionistas do PesRua conversaram com as pessoas nas ruas e apuraram que entre as razões para a falta de moradia estão questões econômicas e de transtornos de saúde mental.
“A grande questão desse projeto é entender quem são as pessoas que estão na rua, porque elas estão na rua, e o que sociedade civil e poder público podem fazer em relação a essa questão tão emergente na nossa e em todas as outras cidades. Porque é um problema que não é específico nosso”, observou Sueli.
Após a exposição dos dados levantados pela UNIVALE, pessoas que viveram nas ruas trouxeram depoimentos sobre suas experiências, entre elas Alessandra Martins. Após 20 anos sem um local para chamar de casa, ela se reconectou com familiares, é estudante de um curso técnico em Enfermagem e se tornou ativista do Movimento Nacional da População em Situação de Rua. Alessandra espera que as contribuições do Fórum sejam base para políticas públicas que permitam que mais pessoas tenham oportunidades como a que ela teve.
“Eu vivi por 20 anos em situação de rua e não colhi nada de bom nesses anos todos. Ao contrário, sofri violência institucional, violência física, violência sexual e quase perdi minha vida por duas vezes. Cheguei a ficar em estado grave. Tive a sorte de encontrar pessoas dispostas a me acolher e me direcionar”, afirmou Alessandra.
Também presente ao Fórum de Debates, o bispo da Diocese de Governador Valadares, dom Antônio Carlos Félix, considera que a sociedade civil pode contribuir com propostas para as pessoas que vivem nas ruas. “É importante que toda a sociedade organizada se una para ver que esse é um problema de toda a sociedade, não só da população de rua e não só do poder público. Porque às vezes se joga para o poder público aquilo que a sociedade pode colaborar também”, disse o bispo.
Ao final do Fórum, as propostas apresentadas contribuíram para a elaboração de uma carta de intenções, e foi eleita uma comissão permanente para dar encaminhamentos às sugestões.




