O Brasil tem um número alarmante de animais vagando pelas ruas das cidades. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que, só no Brasil, existam mais de 30 milhões de animais abandonados, sendo 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães. Em cidades de grande porte, para cada cinco habitantes há um animal.
Deste percentual, 10% estão abandonados. No interior, em cidades menores, a situação não é muito diferente. Em muitos casos, o número chega a 1/4 da população humana.
Governador Valadares não tem números exatos, mas a estimativa é de que existam mais de 10 mil animais pelas ruas.
Por isso, na última terça-feira (6), o prefeito André Merlo assinou o Termo de Colaboração para a execução do projeto de Captura, Esterilização e Devolução (CED), acompanhado do vereador Alessandro Ferraz, autor da lei 7.582 que institui o CED, e membros do Conselho Municipal de Proteção Animal (CMPA).

Foto: Divulgação PMGV
“Quero parabenizar mais esse avanço para a causa animal na cidade; uma causa tão importante, um projeto que merece nosso apoio e atenção, pois possibilita o controle da população de animais de rua na nossa cidade. Estaremos aqui sempre de portas abertas para iniciativas que venham a contribuir com a cidade e com nossa população”, enfatizou o prefeito André.
A vida na rua está longe de ser adequada para os animais. Nela, eles estão expostos a situações de maus-tratos, fome, sede, frio e suscetíveis a contrair e propagar doenças, tanto entre a espécie quanto à população. E foi pensando nisso que o CED foi idealizado pelo vereador Alessandro Ferraz.
“Hoje o município tem o castra-móvel para atender protetores e tutores de baixa renda, mas sabemos que não é suficiente para atender uma demanda tão alta. Com o CED, contemplamos o pós-operatório por 15 dias dos animais de rua, em parceria com a entidade Pet dos Vales, e que posteriormente serão devolvidos ao local que já estavam ambientados”, explicou.
O projeto prevê uma verba de mais de R$ 900 mil para um período de 12 meses, com estimativa de castrar no mínimo 200 animais por mês e ao final de um ano chegar à aproximadamente 3500 animais.
Os animais resgatados vão fazer exames de leishmaniose e aqueles que forem negativados serão castrados e seguirão para o período pós-operatório. Os recursos garantem medicação e alimentação até eles serem devolvidos ao local de captura.
De acordo com Ferraz, o ideal seria que esses animais não fossem devolvidos à rua ao fim do procedimento, porém, “não há espaço suficiente em abrigos e nem lares dispostos à adoção para todos, e permanecer inerte à situação deixou de ser uma opção”, afirmou.
Em que consiste o CEDs
A técnica de Capturar, Esterilizar e Devolver é um método humano e não letal de controle populacional de cães e gatos em situação de rua. Muitos deles ferais, ou seja, que retornaram ao modo de vida selvagem, sendo a socialização ou ressocialização com humanos muito pouco provável de acontecer.
A prática surgiu na Inglaterra nos anos 60, com a intenção de controlar a população de gatos ferais, e foi propagada para os Estados Unidos, Canadá Holanda e Reino Unido. Hoje já são mais de 40 países que adotam o procedimento para controle populacional de colônias e matilhas.
O processo envolve a captura dos gatos e cães, sua esterilização, o período de recuperação pós-cirurgia e, por fim, a devolução do animal ao seu território de origem.
Um dado importante a ser levado em conta é que um casal de cães reproduzindo duas vezes ao ano pode originar até 16 filhotes, enquanto um casal de gatos, na mesma proporção, chega a uma média de 12 filhotes.
Em cinco anos, nesse mesmo ritmo, são cerca de 24 mil novos animais nas ruas, o que torna a castração a forma mais efetiva para o controle dessa natalidade.
por Secretaria de Comunicação e Mobilização Social da Prefeitura de Governador Valadares





