A trajetória do Dr. Ary Constante Soares – um homem do Direito e da Ética

Edmundo Alvarenga conversa com Ary Marcos, filho do grande Dr. Ary Constante Soares, advogado que marcou época em GV

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Atualizado em quarta-feira 8, julho 2026 às 16h25

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4 min de leitura

Dr. Ary Constante retratado por Edmundo Alvarenga

Antes de começar esta entrevista, quero registrar meu agradecimento ao Ary Filho, pela gentileza e pela presteza em me enviar a biografia do seu pai, Dr. Ary Constante Soares, homem de trajetória admirável e de grandes serviços prestados à advocacia e à educação em nossa região.

Aproveito também para agradecer ao próprio Ary Filho, músico/baixista talentoso, pelo showzaço que ele apresentou ontem juntamente com a Banda Nowhere no Teatro Atiaia, tocando só clássicos dos Beatles. Foi uma noite inesquecível. Obrigado, Ary!

Entrevista com Ary Filho

Edmundo: Ary, em primeiro lugar, muito obrigado por me conceder esta entrevista.  Para começar, conte pra gente um pouco sobre quem foi Ary Constante Soares, de onde ele veio e como começou sua trajetória.

Ary Filho: Meu pai, Ary Constante Soares, era filho de Constante Soares e Sizínia dos Reis Soares. Ele foi o décimo dos treze filhos do casal. Nasceu em São Sebastião do Maranhão, em Minas Gerais, no dia 27 de março de 1928, mas ainda pequeno, com apenas três anos, passou a viver em Peçanha, onde cresceu e viveu boa parte da infância e juventude.

Edmundo: E quanto à família dele, Ary, fale um pouco sobre sua mãe e seus irmãos.

Ary Filho: Ele foi casado com Maria do Amparo Andrade Soares, minha mãe. Juntos tiveram quatro filhos: Nívio, Newton, Maria Aparecida e eu, Ary Marcos. O Nívio e o Newton moram em Palmas, Tocantins – o Nívio é assessor do Tribunal de Justiça e o Newton é empresário da construção civil. A Maria Aparecida é professora do Município e socióloga, e eu sigo a advocacia, como meu pai.

Edmundo: Ele teve uma formação sólida, não é? Como foi o caminho acadêmico do seu pai?

Ary Filho: Sim, ele sempre valorizou muito o estudo. Fez o primário e o ginasial em Peçanha, iniciou o científico em Juiz de Fora e o concluiu no Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte. Formou-se em Direito pela UFMG em 1953.

Edmundo: E a carreira profissional dele foi extensa. Onde começou a advogar?

Ary Filho: Ele começou a advogar em Santa Maria do Suaçuí, logo no início de 1954, onde ficou até o final de 1960. Depois se mudou para Governador Valadares, onde exerceu a advocacia ininterruptamente por 62 anos.

Edmundo: Além da advocacia, ele também foi professor, certo?

Ary Filho: Sim. Meu pai foi professor da Faculdade de Direito do Vale do Rio Doce [FADIVALE] desde a fundação da instituição. Lecionou Direito Comercial e Ética Profissional.

Edmundo: Ele também teve uma vida pública bastante atuante. Pode contar um pouco dessas funções?

Ary Filho: Claro. Ele foi professor e diretor do Ginásio de Santa Maria do Suaçuí, de 1955 a 1960. Em Governador Valadares, serviu na administração de Joaquim Pedro Nascimento, como Chefe da Fazenda, Chefe de Gabinete e Diretor da Biblioteca Pública Municipal.

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Também foi Procurador-Geral do Município na gestão Ruy Moreira de Carvalho, e mais tarde consultor jurídico da Procuradoria na administração de João Domingos Fassarela.

Edmundo: Ele também teve envolvimento com instituições como a OAB e clubes de serviço, não é?

Ary Filho: Sim. Foi membro e presidente do Lions Clube-Sul, trabalhou como advogado na CTGV e na Telemig, onde se aposentou.

Na OAB/MG, teve uma atuação destacada: foi membro efetivo do Tribunal de Ética e Disciplina, presidiu a 3ª Turma Julgadora, e há mais de 24 anos integrava órgãos da OAB em nível estadual.

Ele também presidiu a 43ª Subseção da OAB/MG, em Governador Valadares, no biênio 1983/1984.

Edmundo: Impressionante. E ele foi amplamente reconhecido por esse trabalho, certo?

Ary Filho: Sim. Ele recebeu várias homenagens e títulos, como o de Cidadão Honorário de Governador Valadares, concedido pela Câmara Municipal em 12 de dezembro de 2001.

Foi agraciado duas vezes pelo Clube dos Advogados de Minas Gerais, em 1989 e 1996, e homenageado pela OAB/MG no XIV Congresso de Araxá, em 2011, como um dos 14 advogados mineiros mais atuantes.

Também recebeu o diploma da medalha Desembargador Hélio Costa, concedido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em 2003.

Edmundo: E como você resumiria o legado do seu pai, Ary?

Ary Filho: Meu pai foi um homem íntegro, dedicado ao Direito, à educação e à família. Participou de dezenas de cursos, seminários e conferências por todo o Brasil. Acima de tudo, deixou um exemplo de ética, retidão e amor à profissão. Seu nome continua sendo uma referência em Governador Valadares e em toda a região.

Edmundo: Muito bonito, Ary. Que bom poder registrar essa história. Agradeço de coração por compartilhar conosco essa trajetória tão rica.

Ary Filho: Eu que agradeço, Edmundo. É uma alegria ver a memória do meu pai sendo lembrada com tanto carinho.

– Edmundo Alvarenga

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