ALMG, governo e Uemg costuram solução para transferência de imóveis à universidade

Edital do governo acendeu alerta quanto à possível privatização de prédios do campus Frutal, intenção negada por gestores da Secretaria-Geral e da Seplag.

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Comissão de Educação debateu a regularização dos imóveis no campus Frutal da Uemg

Edital do governo lançado em outubro para avaliar potenciais destinações de imóveis localizados no campus de Frutal (Triângulo) da Universidade do Estado (Uemg) trouxe preocupação para a comunidade acadêmica quanto à possível privatização desses espaços, que compunham o antigo Complexo Cidade das Águas, da Fundação Hidroex, extinta em 2016.

No entanto, em audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizada nesta quinta-feira (21/11/24), parlamentares e gestores do Executivo estadual e da própria universidade demonstraram o interesse comum de que os imóveis sejam transferidos para a Uemg, apesar de divergências específicas.

Consulte o resultado e assista ao vídeo completo da reunião

A Secretaria-Geral do Estado e a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) publicaram em conjunto edital de tomada de subsídios, voltado para empresas públicas e privadas interessadas em propor o desenvolvimento de soluções técnicas, jurídicas e financeiras para o melhor aproveitamento desses imóveis.

Professores e alunos ficaram apreensivos porque o edital elencava equipamentos importantes, como alojamento estudantil, anfiteatro e blocos ocupados por laboratórios, explicou Lucas Brito, presidente do Centro Acadêmico de Direito do campus Frutal.

Para a deputada Bella Gonçalves (Psol), que solicitou a audiência, o edital é fruto de um processo equivocado, porque desconsiderou o Conselho da Uemg e incluiu áreas atualmente utilizadas.

“Espero que não tenha um novo processo sem o devido diálogo e construção com a comunidade”, afirmou.

Consulta pública busca cadastrar possíveis interessados

Por outro lado, o subsecretário de Logística e Patrimônio da Seplag, Marcos Eduardo Soares, assegurou que não se questiona a permanência da Uemg nos imóveis ocupados.

O governo buscaria, por meio da tomada de subsídios, uma espécie de consulta pública, alternativas para as áreas praticamente abandonadas.

“Não é um processo licitatório, venda ou concessão, apenas uma consulta, cadastrar pessoas interessadas para que haja um debate”, informou.

Apesar de intenções de uso desses espaços por parte de entidades como a Federação das Indústrias do Estado (Fiemg), para a construção de escolas técnicas, a tomada de subsídios foi arquivada porque não houve nenhum interessado.

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Brenda Oliveira, superintendente da Secretaria-Geral, acrescentou que o governo aguarda uma manifestação formal de interesse da Uemg por todos os imóveis, acompanhada de um plano de ocupação e do recurso orçamentário a ser utilizado. Isso porque o Executivo não pode deixar de observar a autonomia administrativa e financeira da universidade.

Uemg projeta aproveitamento de todo o complexo

Os representantes da Uemg advertiram que manifestaram, sim, interesse oficial nos imóveis, em documentos protocolados no Sistema Eletrônico de Informações (SEI).

O diretor do campus de Frutal, Leandro Pinheiro, apresentou o plano de ocupação do complexo, englobando seis blocos, dois alojamentos, dois anfiteatros, espaços para a prática de esportes, biblioteca, laboratórios, área administrativa, parque tecnológico e fazenda experimental.

O planejamento da universidade inclui a conclusão de obras, a recuperação de áreas degradadas e a completa apropriação de todo o complexo.

De acordo com Leandro Pinheiro, seriam necessários cerca de R$ 20 milhões para deixar toda a estrutura pronta, sendo que R$ 10 milhões já foram destinados à Uemg no acordo judicial no âmbito da Operação Aequalis, que investigou o desvio de recursos públicos utilizados na construção do Complexo Cidade das Águas.

Vice-reitor da Uemg, Thiago Pereira disse que Frutal é a única unidade onde há possibilidade de franca expansão de cursos e número de estudantes, por conta de seus espaços, em uma área total de mais de 30 hectares.

PLs preveem a doação dos imóveis à Uemg

Natural de Frutal, o deputado Arnaldo Silva (União) reforçou o entendimento de que todos os envolvidos trabalham com a mesma pretensão, mas que há desafios a serem superados.

“O Estado não quer tomar nada da Uemg, mas quer fazer com que de fato os imóveis sejam ocupados e custeados. Não é só transferir, é concluir obras, fazer investimentos, precisa de orçamento”, pontuou.

Ele citou o caso da fazenda experimental, cuja desapropriação está sendo contestada na Justiça pelos antigos proprietários. “Só essa discussão envolve R$ 35 milhões”, disse, ao relatar todos os esforços empreendidos pelo governo e a comunidade acadêmica.

Partindo da premissa do interesse comum de todos os lados, uma solução seria a aprovação de projeto de lei autorizando o Governo do Estado a doar os imóveis à universidade, ressaltou a deputada Beatriz Cerqueria (PT), autora de proposição nesse sentido. Ao seu projeto, foi anexado outro, da deputada Bella Gonçalves, com o mesmo conteúdo.

Com informações do site oficial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

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