Apesar de ações governamentais, insegurança alimentar preocupa

Repasse de recursos para o Consea-MG foi uma das principais demandas defendidas durante audiência pública.

Avatar de Tim Filho

·

·

·

4 min de leitura

Comissão de Participação Popular debateu estratégias para aprimorar políticas de segurança alimentar

Na manhã desta quinta-feira (11/9/25), a Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou audiência pública para debater políticas de segurança alimentar e nutricional. Entre as principais demandas, está o repasse viabilizar o funcionamento do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Consea-MG).

“Não tem nenhum fomento, nenhum apoio do ponto de vista orçamentário”, apontou o deputado Ricardo Campos (PT). Além de presidir a comissão, ele assinou o requerimento para realização da audiência.

De acordo com o parlamentar, nem mesmo a solicitação de verbas para a conferência estadual, feita por meio do Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG), recebeu resposta quanto à possibilidade de execução.

Ao lembrar o arcabouço jurídico que garante a alimentação como um direito, o presidente do Consea-MG, Luiz Felipe Lourenção, explicou as atribuições do conselho. Atualmente, ele é composto por 39 membros, responsáveis, entre outras atividades, por fiscalizar e articular ações entre poder público e sociedade civil.

Porém, com os cerca de R$ 300 mil previstos no orçamento deste ano, não está sendo possível realizar cursos de formação, nem outras atividades nos territórios mineiros.

“Não queremos que Minas perca o protagonismo na implementação de políticas de segurança alimentar”, destacou.

image 206

“Não queremos que Minas perca o protagonismo na implementação de políticas de segurança alimentar”, destacou o presidente do Consea-MG. Foto: Daniel Protzner ALMG

Segundo a deputada Bella Gonçalves (Psol), em Minas Gerais, há 3,5 milhões de pessoas vivendo com menos de R$ 200 por mês. “As principais políticas para enfrentar a fome não são do governo, mas feitas pela população. Um exemplo são os terreiros e as cozinhas solidárias”, citou.

Ela lamentou a necessidade de disputar o Fundo de Erradicação da Miséria (FEM). Atualmente, a previsão para ele é de R$ 1 bilhão, o que representa menos de 1% de todo orçamento estadual. Como o valor é destinado para outras ações, sobram apenas R$ 300 milhões para o efetivo combate à fome, conforme a parlamentar.

O deputado Leleco Pimentel (PT) destacou que os avanços obtidos no combate à fome no Estado não partem do governo, mas de uma rede de solidariedade formada por iniciativas como a Pastoral da Criança e pessoas do meio acadêmico dedicadas à agroecologia e à soberania alimentar.

Canal no WhatsApp

Receba as principais notícias de Valadares e do Leste de Minas direto no seu WhatsApp. É gratuito.

Quero receber

O parlamentar ainda criticou o governo pela maneira com que tem utilizado o FEM, com dotações orçamentárias não relacionadas à sua principal finalidade. Condenou também a falta de apoio do Estado às conferências de segurança alimentar.

A 1ª vice-presidenta da ALMG, deputada Leninha (PT), relatou que o Consea-MG precisa de emenda parlamentar para funcionar e isso é um sinal da falta de prioridade do Executivo em relação a esse tema.

“Pesquisas as universidades podem fazer. Mas qual é o programa para fortalecer a agricultura familiar, as hortas urbanas e o abastecimento?”, questionou.

Em sua manifestação, o deputado federal Padre João (PT-MG) criticou a extinção do Consea assinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora tenha elogiado a retomada do Programa Nacional de Alimentação Escolar do Brasil (PNAE) pelo presidente Lula (PT), apontou a necessidade de aprimorar sua execução no âmbito estadual.

Deputado elogiou ações, mas destacou a necessidade de avançar

Conforme a coordenadora da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Carolina Nascimento, as análises da situação nutricional e dos marcadores de consumo alimentar em Minas Gerais são as mais abrangentes do Brasil. Também são desenvolvidas atividades nas escolas para promover a alimentação saudável.

O assessor da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), Walney Martins, mencionou ações realizadas pelo Executivo. Citou programas como a distribuição de leite para crianças, repasses para bancos de alimentos e entrega de kits de irrigação para agricultores familiares.

Outros números foram apresentados pelo subsecretário da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Gilson Sales. Além da concessão de 16 mil títulos de regularização fundiária, listou a destinação de quase 20 mil toneladas de agrosilício, fertilizante capaz de combater pragas sem a necessidade de uso do agrotóxico. Segundo ele, esses são exemplos de resultados da implementação de programas federais com aportes estaduais.

Embora tenha elogiado as ações mencionadas, Ricardo Campos salientou que é necessário avançar no fortalecimento das políticas públicas. Ao final da audiência, ele anunciou que fará pedido de providências à Sedese para que seja assegurada a ampliação, para o exercício de 2026, dos recursos para execução da política estadual de segurança alimentar e nutricional sustentável, instituída pela Lei 22.806, de 2017. Em outra solicitação para secretaria, irá cobrar a publicação do 6º Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional de Minas Gerais, elaborado durante os trabalhos da sexta conferência estadual sobre o tema.

Com informações do site oficial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais


Personagens

Assembleia Legislativa de Minas Gerais
Temas

Comissão de Participação PopularInsegurança alimentar
Avatar de Tim Filho
Continue lendo

Notícias relacionadas