Comissão questiona programa de incentivo à produtividade da PM

Militares reclamam de metas que incentivariam multas de trânsito. Uso de celulares pessoais em serviço também foi criticado em audiência pública

Avatar de Tim Filho

·

·

·

4 min de leitura

Sargento Rodrigues e o comandante-geral da PM divergiram quanto à legalidade do programa de incentivo à produtividade da corporação

A Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) recebeu, na manhã desta quarta-feira (17/7/24), o comandante-geral da Polícia Militar do Estado, coronel Rodrigo Piassi, para tratar de procedimentos que estariam premiando a emissão de multas de trânsito e obrigando policiais a utilizar os próprios aparelhos celulares em suas atividades profissionais rotineiras.

O comandante-geral assegurou que vai apurar denúncias sobre condutas que extrapolariam o Código de Ética Militar, mas defendeu, contudo, o Programa de Incentivo à Produtividade (PIP) da PM.

Consulte o resultado e assista ao vídeo completo da reunião

A audiência pública foi solicitada pelo presidente da comissão, deputado Sargento Rodrigues (PL). Ele criticou memorandos de batalhões relacionados ao PIP que incentivam os policiais militares a bater metas, aferir pontuação para alcançar determinados objetivos e, consequentemente, premiação de dispensa de serviço, notas meritórias e elogios.

Multas de trânsito aplicadas são algumas das ações que garantem pontos aos policiais. Por outro lado, crimes violentos ocorridos na área de atuação do batalhão sem que tenha sido registrada a prisão dos autores acarretam perda de pontos, o que pode prejudicar os envolvidos na avaliação de desempenho e até na marcação de férias.

Para Sargento Rodrigues, a situação é estarrecedora. O deputado argumentou que somente uma lei pode impor deveres, prever infrações ou prescrever sanções, de forma que o PIP estaria infringindo a Constituição, toda a legislação que rege o processo administrativo disciplinar e o Estatuto dos Militares.

Ele também lembrou o contexto de atuação dos policiais para questionar as metas. Como exemplo, citou a falta de efetivo que prejudicaria a prisão do autor de um crime violento, não levada em consideração na hora de descontar pontos de um militar.

Celulares pessoais para uso profissional

Outro assunto abordado foi o uso indiscriminado dos aparelhos celulares pessoais dos policiais, o que caracteriza enriquecimento ilícito do poder público.

Sargento Rodrigues citou o caso da 7ª Companhia de Polícia Militar Rodoviária, sediada em Patos de Minas (Alto Paranaíba), onde o comandante teria ordenado aos policiais ingressar em grupos oficiais de WhatsApp, utilizar o aplicativo de mensagens instantâneas para lançamento de operações e baixar aplicativos como o do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais (DER-MG) e do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv).

Canal no WhatsApp

Receba as principais notícias de Valadares e do Leste de Minas direto no seu WhatsApp. É gratuito.

Quero receber

O deputado inclusive apresentou prints de conversas nos grupos de Whatsapp com ameaças do comandante a quem tivesse denunciado essas exigências ilegais.

Além do assédio moral, Sargento Rodrigues questionou a exploração de aparelhos e planos de internet pagos pelos policiais, praticada em outros batalhões e companhias no Estado.

PM defende orientação de ações mais valorizadas

Quanto aos prints de ameaças e relatos de assédio moral, o coronel Rodrigo Piassi solicitou que as denúncias sejam encaminhadas via documentação formal à corporação, para que as práticas sejam apuradas.

Sobre o PIP, o comandante-geral disse que seu objetivo é incentivar os agentes de Estado a alcançarem resultados positivos para a sociedade, orientando as ações mais valorizadas. “O interesse não é aumentar a arrecadação ou prejudicar a população”, frisou.

No seu entender, o PIP não extrapola competências legais ou prerrogativas policiais. As multas de trânsito são penalidades para a violações do Código de Trânsito e a maioria dos crimes envolvem a utilização de veículos, ponderou, ao comentar as premiações por multas.

Em relação aos recursos particulares para acesso a bases de dados e sistemas operacionais, Rodrigo Piassi afirmou que a PM trabalha junto ao governo a resolução dessa situação. No entanto, lembrou que o WhatsApp é um canal de comunicação fundamental na sociedade atual, uma forma mais cômoda e rápida de receber informações.

O deputado Duarte Bechir (PSD) agradeceu o comandante-geral por sua disponibilidade para receber as reivindicações dos militares e parabenizou a PM mineira pelo seu trabalho reconhecido em todo o País.

Apesar de seu apoio à corporação, ele fez coro à demanda pela revisão dos procedimentos que preveem o uso de celulares particulares.

Com informações do site oficial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Personagens

Assembleia Legislativa de Minas Gerais
Temas

Comissão de Segurança Pública
Avatar de Tim Filho
Continue lendo

Notícias relacionadas