Dados revelam alta incidência de violações contra crianças e adolescentes em Ipatinga

Conselheira tutelar apresenta panorama preocupante durante audiência pública pelos 35 anos do ECA; evento reúne autoridades e sociedade civil para debater direitos da infância

Avatar de Tim Filho

·

·

·

Atualizado em sexta-feira 15, agosto 2025 às 10h42

·

3 min de leitura

A audiência foi transmitida ao vivo e contou com a presença de conselheiros tutelares, representantes da saúde, educação e assistência

Durante audiência pública realizada na Câmara Municipal de Ipatinga na noite de quarta-feira (13), dados apresentados pelo Conselho Tutelar revelaram um panorama alarmante de violações de direitos contra crianças e adolescentes no município. O evento, proposto pela vereadora professora Cida Lima (PT), marcou os 35 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e teve como objetivo debater os avanços e os desafios na efetivação de políticas públicas voltadas à infância e adolescência.

A conselheira tutelar Pâmela Tati apresentou um levantamento referente ao primeiro semestre de 2025, destacando que os bairros Bethânia, Bom Jardim, Canaã, Veneza e Esperança concentram o maior número de casos. Segundo ela, isso se relaciona diretamente com a escassez de políticas públicas estruturantes e a precariedade dos equipamentos sociais nesses territórios.

Entre os principais tipos de violações registrados nesse período estão:

  • 107 casos de prejuízo ao convívio familiar
  • 96 registros de infrequência escolar
  • 80 situações de negligência
  • 52 denúncias de violência sexual
  • 35 casos de autolesão ou tentativa de suicídio
  • 30 ocorrências de violência física
  • 26 situações de violência psicológica ou moral

“Esses números não são estatísticas frias. São rostos, são histórias reais de sofrimento e vulnerabilidade. A proteção precisa ser urgente, integrada e contínua”, afirmou Pâela, cobrando mais apoio institucional, estrutura tecnológica e integração com as áreas de saúde e educação para fortalecer a atuação dos conselheiros tutelares.

A vereadora Cida Lima, autora do requerimento da audiência, destacou a importância do ECA como uma conquista histórica da sociedade civil organizada e provocou reflexões sobre a aplicação prática da lei. “O Estatuto reconhece crianças e adolescentes como sujeitos de direitos. A pergunta que fazemos é: como esses direitos estão sendo de fato assegurados? Como estão a educação, a saúde, a assistência social e o convívio familiar dessas crianças?”, questionou.

Leonardo Oliveira, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), alertou para o crescimento da violência digital e o aliciamento de menores por meio de jogos online. “Precisamos urgentemente pensar em estratégias para combater esse novo tipo de violência que entra nas casas pela tela do celular”, disse.

Canal no WhatsApp

Receba as principais notícias de Valadares e do Leste de Minas direto no seu WhatsApp. É gratuito.

Quero receber

A defensora pública Marina Nogueira destacou conquistas do ECA como a universalização do ensino e a redução da mortalidade infantil, mas apontou desigualdades persistentes. “A seletividade racial e social ainda marca o sistema de justiça juvenil. Precisamos ouvir mais nossas crianças e adolescentes antes de decidir por eles.”

Já Cleoneide Oliveira, do Fórum Municipal de Entidades (FOMENTE), criticou a falta de prioridade orçamentária para políticas públicas voltadas à infância e defendeu a atuação do CMDCA na elaboração do orçamento. Ela também chamou atenção para a naturalização do trabalho infantil e defendeu o ensino da educação digital nas escolas como forma de prevenção à violência online.

Ao final da audiência, a vereadora Cida Lima elencou como encaminhamentos principais: fortalecer os conselhos tutelares e o CMDCA; garantir orçamento com prioridade absoluta para crianças e adolescentes; regulamentar o uso das redes sociais; e ampliar a articulação da rede de proteção no município. “O ECA não pode ser apenas um documento. Ele precisa se concretizar nas ações do poder público e no compromisso da sociedade”, concluiu.

A audiência foi transmitida ao vivo pelos canais oficiais da Câmara e contou com a presença de conselheiros tutelares, representantes da saúde, educação e assistência social, entidades da sociedade civil e parlamentares.

por Câmara Municipal de Ipatinga

Cidade

Ipatinga
Personagens

Câmara Municipal de Ipatinga
Temas

Estatuto da Criança e do Adolescente
Avatar de Tim Filho
Continue lendo

Notícias relacionadas