O quilombo Águas Claras, em Virgolândia, realizou a 3ª edição do Encontro de Povos e Comunidades Tradicionais. O evento reuniu moradores, lideranças e visitantes em um momento de troca de saberes e valorização da cultura, e o mestrado da UNIVALE em Gestão Integrada do Território (GIT) participou desse momento. Nesta edição, por ser realizada no mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher (8 de março), o Encontro destacou o protagonismo das mulheres quilombolas. O mês de março também faz referência ao Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial (21 de março).
Na comunidade, onde cerca de 140 moradores mantêm vivas as tradições de mais de dois séculos, o Encontro ganhou um significado ainda maior, e se transformou em um espaço onde a história não ficou no passado – mas continua sendo vivida, contada e compartilhada. Ao longo do dia, a programação reuniu cortejo pelas ruas, roda de saberes e apresentações culturais, que fortaleceram a identidade das comunidades.
“Nosso povo, comunidades e povos tradicionais, têm poucas oportunidades para participar de um evento como esse, onde pode ser divulgada a sua cultura e onde as pessoas possam falar de seus saberes e seus valores. Nós criamos isso para oportunizar nosso grupo a estar no nosso meio, a conhecer nossa cultura e conhecer a cultura de outros povos. Porque um povo sem cultura não tem história”, destacou o presidente da Associação da comunidade Águas Claras, Altaíde Nunes.
No meio de tanta história, a UNIVALE também esteve presente. O aprendizado foi além da sala de aula: passou pela escuta, pelo respeito e pelo encontro com os saberes que nascem fora dos livros, mas que carregam anos de experiência e tradição.
“Parece que os quilombos estão se organizando hoje, mas não. Isso já acontece há dezenas de anos. E, dependendo do quilombo, há séculos. Uma universidade estar aqui não é uma questão de legitimar ou não, porque eles próprios se legitimam. Mas é um reconhecimento institucional muito bonito e necessário. E é cada vez mais uma parceria, porque não é só a gente estar aqui. Eles também estão na UNIVALE. Esse encontro é muito necessário, muito bonito e enriquece não somente o evento, mas também a UNIVALE”, afirmou Bruno Capilé, professor do GIT.
No fim, o que ficou não foi apenas a celebração de um dia. Foi um encontro de histórias diferentes e de pessoas que vieram de lugares distintos, mas que compartilham o mesmo desejo: o de manter vivas a cultura, a memória e as tradições. Um encontro que não termina quando acaba, mas segue em cada pessoa que passou por ali.
“Em todo movimento, o objetivo é seu o fortalecimento dentro dos territórios. Porque o que a gente vê muitas vezes em nossos quilombos, ou nas comunidades tradicionais de uma forma geral, são as pessoas saindo do território. A gente quer fortalecer as pessoas, para que elas entendam que a gente precisa ficar no nosso território. A gente precisa lutar por nossos direitos também dentro do nosso território”, salientou a quilombola Marielly Gonçalves, mestranda do GIT.





