CCJ atesta legalidade da federalização da MGI para abater dívida

Transferência condiciona-se à adesão do Estado ao Propag; oposição tenta obstruir votação do parecer.

Avatar de Tim Filho

·

·

·

4 min de leitura

Projeto analisado pelos deputados segue agora para Comissões de Administração Pública e de Fiscalização Financeira e Orçamentária

Após processo de obstrução de deputados da oposição, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, nesta quinta-feira (18/9/25), parecer pela legalidade do Projeto de Lei (PL) 4.222/25, do governador Romeu Zema, que autoriza o Poder Executivo a transferir, para a União ou para entidade por ela controlada, a participação societária do Estado na Minas Gerais Participações S.A. (MGI).

A proposição integra o pacote de projetos relacionados ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), para renegociação da dívida com a União. O governo planeja amortizar ao menos 20% da dívida, mediante a cessão de ativos como imóveis, empresas estatais e direitos creditórios, para conseguir condições mais favoráveis de pagamento.

Representando o bloco Democracia e Luta, de oposição ao governo, os deputados Lucas Lasmar (Rede) e Doutor Jean Freire (PT) se utilizaram de instrumentos regimentais, como requerimentos, para postergar a votação do parecer, distribuído em cópias (avulsos) na reunião anterior.

Presidente da comissão e relator da matéria, o deputado Doorgal Andrada (PRD) opinou pela constitucionalidade do projeto na sua forma original, sem propor qualquer alteração.

Ele ainda deve ser analisado pelas Comissões de Administração Pública e de Fiscalização Financeira e Orçamentária e depois segue para o Plenário para a votação preliminar (1º turno).

A federalização proposta condiciona-se à adesão do Estado ao Propag. O PL autoriza o Poder Executivo a adotar as medidas necessárias à estruturação da transferência, inclusive as de reorganização societária. Para isso, o governo é autorizado a receber os ativos, os bens e os direitos da MGI, que poderão ser alienados ou transferidos a outras empresas estatais por meio de aporte de capital, cessão ou permuta.

A MGI é uma empresa estatal constituída em 1976 na forma de sociedade por ações e vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Ela atua nas seguintes atividades:

  • Comercialização de imóveis da administração pública direta e indireta mediante processo licitatório (leilões e concorrências públicas)
  • Recuperação de créditos em liquidação
  • Participação acionária em empresas situadas no território mineiro
  • Operações de aquisição de créditos do Estado e captação de recursos no mercado de capitais via emissão de debêntures
  • Ações de suporte ao desenvolvimento estadual, por meio da gestão de convênios

Parlamentares acusam governo de liquidar patrimônio do Estado

Os deputados Lucas Lasmar e Doutor Jean Freire fizeram um paralelo entre a Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (17), e a intenção do Governo de Minas de federalizar ou vender empresas estatais.

Canal no WhatsApp

Receba as principais notícias de Valadares e do Leste de Minas direto no seu WhatsApp. É gratuito.

Quero receber

A Operação Rejeito revelou um esquema bilionário de licenciamentos ambientais fraudulentos, com o envolvimento de empresários da mineração e servidores de órgãos ambientais.

image 313

Doutor Jean Freire e Lucas Lasmar fizeram críticas à gestão de Romeu Zema. Foto: Alexandre Netto ALMG

“O governo está preocupado em fazer um saldão, vender tudo, até licença ambiental”, denunciou Doutor Jean Freire, com base nas notícias veiculadas na imprensa sobre a operação. Ele citou inclusive frase atribuída a Rodrigo Franco, ex-presidente da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), de que não iria cair sozinho, por apenas cumprir ordens.

Lucas Lasmar disse que o governador tem se reunido com a elite financeira do País para negociar a venda de estatais mineiras. “O Estado não pode diminuir para enriquecer amigos do governador”, salientou.

Para ambos os parlamentares, a investigação da Polícia Federal enterra a “falsa narrativa” de boa gestão do Executivo estadual e as suspeitas de corrupção nos órgãos ambientais reforçam a necessidade de vigilância sobre as reais intenções do governo ao tentar se desfazer de empresas públicas.

Líder do Governo, o deputado João Magalhães ponderou que os servidores denunciados foram imediatamente afastados e que a investigação abrange servidores federais da Agência Nacional de Mineração (ANM). “Quem errou vai ser punido e vai pagar”, afirmou.

Com informações do site oficial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais


Personagens

Assembleia Legislativa de Minas Gerais
Temas

CCJ da ALMGDívidaFederalização da MGIPrograma de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag)
Avatar de Tim Filho
Continue lendo

Notícias relacionadas