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sexta-feira, 3 julho, 2026

Como a dinâmica da relação parental influencia ao longo do desenvolvimento da vida dos nossos filhos

Diversas teorias psicológicas destacam a importância das experiências precoces para o desenvolvimento emocional
A família é um elemento central, mas não é o único responsável pela formação da personalidade. Foto: Reprodução da Internet

POR LEONARDO VIEIRA

A personalidade humana não surge de forma espontânea nem é determinada exclusivamente pela genética. Desde os primeiros momentos de vida, o indivíduo se desenvolve em interação com o ambiente, especialmente com as figuras que exercem funções de cuidado. Nesse contexto, a família ocupa um papel fundamental na formação da identidade, na construção da autoestima e na maneira como cada pessoa aprende a se relacionar consigo mesma e com os outros.

Diversas teorias psicológicas destacam a importância das experiências precoces para o desenvolvimento emocional. Entre elas, a Teoria do Apego, desenvolvida pelo psiquiatra britânico John Bowlby, e a Terapia do Esquema, criada pelo psicólogo Jeffrey Young, oferecem contribuições valiosas para compreendermos como os vínculos familiares influenciam a personalidade ao longo da vida.

Segundo a Teoria do Apego, nós seres humanos nascemos biologicamente preparados para buscar proximidade com figuras cuidadoras. Essa necessidade não se restringe à sobrevivência física; ela é igualmente importante para a construção da segurança emocional.Quando os filhos encontra pis sensíveis, disponíveis e responsivos às suas necessidades (isso nao significa ser pais perfeitos) , tende a desenvolver um apego seguro. Nessa condição, aprende que o mundo é relativamente previsível, que suas emoções podem ser acolhidas e que ela possui valor como pessoa. Como consequência, torna-se mais capaz de explorar o ambiente, desenvolver autonomia e estabelecer relações saudáveis na vida adulta.
Um exemplo cotidiano é o de uma criança que cai no parquinho, se machuca e corre para a mãe ou o pai em busca de consolo; ao ser acolhida com calma, recebe a mensagem de que pode contar com o outro e se sente segura para voltar a brincar.

Por outro lado, quando as experiências familiares são marcadas por negligência, rejeição, imprevisibilidade ou excesso de crítica, a criança pode desenvolver padrões inseguros de apego. Esses padrões frequentemente se manifestam mais tarde em dificuldades de confiança, medo de abandono, dependência emocional excessiva ou tendência ao distanciamento afetivo. Um exemplo cotidiano é o de um filho que chora após um pesadelo e encontra um cuidador irritado, que minimiza seu medo ou a ignora; com o tempo, ela pode aprender que suas necessidades emocionais não serão atendidas de forma consistente.

É importante destacar que a qualidade do vínculo não depende da perfeição dos cuidadores. O desenvolvimento saudável ocorre quando existe uma predominância de experiências de acolhimento, proteção e validação emocional, mesmo diante das inevitáveis falhas presentes em qualquer relação humana.

Quando criança temos necessidades emocionais básicas, como segurança, vínculo afetivo, autonomia, liberdade para expressar sentimentos, espontaneidade e limites adequados. Quando essas necessidades são consistentemente atendidas, favorecem o desenvolvimento psicológico saudável.Entretanto, quando há frustrações significativas e repetidas dessas necessidades, podem surgir esquemas que acompanham o indivíduo por muitos anos. Uma criança que cresce em um ambiente de constantes críticas, por exemplo, pode desenvolver a crença de que nunca é suficientemente boa. Um exemplo cotidiano é o de um adolescente que tira uma nota baixa e ouve repetidamente frases como “você nunca faz nada direito”; com o tempo, ele pode internalizar a ideia de fracasso ou inadequação, mesmo quando se esforça. Outra que vivencia abandono emocional pode carregar o medo persistente de ser rejeitada ou deixada pelas pessoas importantes em sua vida. Esse padrão pode aparecer, por exemplo, em um adulto que, ao perceber demora em uma resposta de mensagem de alguém próximo, já interpreta a situação como sinal de desinteresse ou abandono, reagindo com ansiedade intensa.

Esses padrões não permanecem restritos à infância ou adolescência. Muitas vezes, influenciam escolhas afetivas, profissionais e sociais, contribuindo para a repetição de comportamentos e relacionamentos que reforçam antigas crenças.

Embora a infância e a adolescência seja um período particularmente sensível, o impacto da família não termina nos primeiros anos de vida. As interações familiares continuam exercendo influência durante a adolescência e a vida adulta, podendo tanto fortalecer quanto modificar padrões previamente estabelecidos.

Além disso, é importante evitar interpretações simplistas que responsabilizem exclusivamente os pais por todas as dificuldades emocionais dos filhos. O desenvolvimento humano é resultado da interação entre fatores biológicos, familiares, sociais, culturais e históricos. A família é um elemento central, mas não é o único responsável pela formação da personalidade.Da mesma forma, experiências negativas vividas na infância e adolescência não condenam uma pessoa a repetir sofrimentos indefinidamente. A capacidade humana de adaptação e mudança permite que novos vínculos, experiências corretivas e processos psicoterapêuticos promovam transformações significativas ao longo da vida.
Ser pais náo e uma tarefa fácil,nosso filhos nao nascem com manual e nem táo pouco nos também temos um manual pronto para a nossa vida, contudo, nossos filhos necessitam de vínculos seguros e emocionalmente responsivos para desenvolver uma imagem saudável de si mesmas e do mundo.

Mais do que oferecer recursos materiais, a família exerce uma função essencial ao proporcionar acolhimento emocional, validação dos sentimentos, proteção, estímulo à autonomia e limites consistentes. São essas experiências cotidianas que ajudam a construir a base psicológica sobre a qual a personalidade será desenvolvida.

Sobre o autor

Leonardo Sandro Vieira é Mestre, especialista em Terapia Cognitivo de Esquemas, em Neurologia e Neurociências. Psicólogo CRP: CRP: 4329/04 - Contatos: 33-988186858

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