Enfim, sós…

Para a Lua-de-Mel os despojos da festança digna do deus Baco e a constatação de que adquiriu um sócio voraz, inarredável e exigente, até que a morte os separe

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barroco13

Instituições falidas, enfraquecidas, desmoralizadas, desautorizadas ou inexistentes na prática.

Inflação galopante, flagelo econômico, dependência umbilical do Estado, educação fragilizada e doutrinária, discursos padronizados, apatia sintomática e pacífica, controle midiático, cultura do medo, manifestações despóticas, doses homeopáticas de hipnose coletiva e hipocrisia como instrumento politicamente correto.

Ambiência perfeita, apta para a construção de uma sociedade zumbi, harmonizada pelas limitações comuns que a narrativa orquestrada apresenta como saldo pela independência produtiva que rege a natureza humana.

De tanto flertar com esses estágios paulatinos, oportunos e pontuais que marcaram e marcam civilizações estereotipadas pela dor e sofrimento, eis que se tornou um namoro ora consolidado em noivado com promessa de casamento no civil e no religioso, com comunhão total de bens.

Os celebrantes, assim como os padrinhos, abastados rechonchudos e soberbos, impassíveis, sorriem e regozijam-se em êxtase orgástico por sacramentar essa união consensual e sólida, com efusivos votos de felicidade eterna e congratulações fugazes.

Enquanto isso, você, nubente de boa-fé, com seu traje alugado e boletos ansiosos e aflitos, mas com um sorriso no rosto, banca as bodas, solenemente regadas a Whisky Macallan, champagne francês e charutos provavelmente cubanos, ocultando na alma a ilusão da conquista.

Para a Lua-de-Mel os despojos da festança digna do deus Baco e a constatação de que adquiriu um sócio voraz, inarredável e exigente, até que a morte os separe.

Que venham os filhos, os agregados e “cumpanheru”, para juntos, consagrarem a sina ou o carma voluntário.

Isso não é sobre o casamento convencional, com o qual, aliás, me identifico e cultuo como o esteio familiar, núcleo de uma nação e combustível para nossa existência terrena.
Isso é sobre escolhas, sobre a forma ou o modo de vida que desejamos legar para as futuras gerações, sobre conceitos e valores que permearam a nossa civilização, nortearam nossos sonhos, que sustentaram e sustentam nossa luta e honram nossos antepassados.

É sobre liberdade para fazer ou deixar de fazer o que quer que seja, desde que respeitada a liberdade alheia, é sobre usufruir livremente da maneira que lhe convier do fruto do seu trabalho e desfrutar da sua própria vitória.

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Sobre o direito sagrado de escolher sem ser execrado difamado ou perseguido por isso, é sobre o direito de amar e ser amado incondicionalmente.

Não sou, nem pretendo ser, o bastião da paz ou da pureza ou da perfeição, enfim, quero apenas ter o direito de trilhar o meu caminho com os erros e acertos que me são peculiares, sem uma régua que meça meus limites ou balize minhas ações e pensamentos conforme vontades alienígenas ou ideologias preconcebidas.

Não quero modelos, quero exemplos que me dignifiquem, que elevem meu conhecimento e contribuam para minha evolução como ser humano e como Espírito imortal.

Lado outro, viver em sociedade, tendência nata dos humanos, exige compartilhamentos, de emoções, de sensações e sentimentos, de pensamentos e objetivos, de sonhos e até mesmo de decepções, o grande mistério, entretanto, reside no compartilhamento espontâneo e voluntário e acima de tudo altruísta, solidário, verdadeiro casamento com a consciência coletiva.

Pés no presente, olhos no futuro e exemplos do passado e das experiências alheias fazem a diferença, certamente viabilizam as escolhas, tornando-as mais leves.

Retomando a prosopopeia do casamento, sem verdadeiramente ter a intenção de estigmatizar quem quer que seja, apenas para ilustrar minhas colocações, emerge com certa lógica, em nossa atual realidade, a tendência de uma relação tóxica entre os nubentes, de um lado a população desarmada, desconectada, desamparada ou até mesmo desnorteada diante de um Estado cada vez mais aparelhado e manipulado pelos soberbos celebrantes e pelos ostentosos padrinhos, inebriados pelo Poder.

Consagrado o matrimônio,
Enfim, sós…
Paz e Luz.

Sobre o autor

Marcius Tulio é Coronel da Polícia Militar de Minas Gerais

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